Jogadores do Arouca celebram golo diante do Nacional - Foto: MANUEL FERNANDO ARAÚJO/LUSA
Jogadores do Arouca celebram golo diante do Nacional - Foto: MANUEL FERNANDO ARAÚJO/LUSA

Para os da Madeira nem todos os Dias são Santos (crónica)

Vítor Severino somou a quarta vitória em quatro partidas no comando dos lobos, graças a um autogolo de Matheus Dias. Estreia de João Henriques não foi a mais feliz, mas não mexeu verdadeiramente na base

Em Dia de Todos os Santos, Matheus Dias foi o grande pecador da equipa da ilha da Madeira. O autogolo do trinco não permitiu que a estreia de João Henriques no comando técnico dos insulares fosse mais abençoada…

O treinador que sucedeu a Alexandre Santos até encontrou um grupo motivado, depois do triunfo (1-0) da última ronda diante do SC Braga. Terá sido por isso que o técnico de 54 anos não fez qualquer alteração no onze que bateu os arsenalistas — que fora, interinamente, liderado por Bruno Abreu.

O plano do antigo timoneiro do Aves SAD até estava a correr bem. Apesar do aborrecimento causado aos adeptos no primeiro tempo, os madeirenses entraram muito compactos e não permitiram que os arouquenses criassem lances de muito perigo. Do lado contrário, a cautela era a mesma e, por esse motivo, os primeiros 45 minutos foram muito pouco empolgantes, com zero remates à baliza e um excesso de calculismo.

O anulamento de parte a parte era tanto que não dava mesmo para sair do nulo, até... chegar o minuto 64’, quando Djouahra bateu um livre pelo lado esquerdo e Matheus Dias, desafortunadamente, traiu os seus companheiros, desviando a bola para dentro da baliza.

Coincidentemente (ou não...), foi à passagem da hora de jogo que os lobos começaram a espevitar — Jose Fontán (58’) foi o primeiro a assustar, seguido de Barbero (59’), embora nenhum deles tenha acertado com a baliza —, mas o tento ainda fez crescer ainda mais o atrevimento, principalmente com a entrada de Dylan Nandín ao minuto 70.

Aos 72’, o ponta de lança uruguaio serviu muito bem Mateo Flores de cabeça dentro de área, mas o médio tentou o golo acrobático e enviou a bola para fora. Oito minutos depois, o mesmo avançado fez o primeiro remate verdadeiramente perigoso do Arouca em todo o jogo (aos 80'!): o compatriota Brian Mansilla trabalhou muito bem pela direita e serviu Dylan Nandín, que rematou forte e de primeira para uma bela defesa de Renato Marin. 

Em cima do minuto 90, o atacante do Arouca e o guardião do Nacional voltaram a dividir o protagonismo: grande remate de Nandín e enorme defesa de Marin. Mas instantes antes, na outra baliza, De Arruabarrena já tinha sido herói ao impedir o golo a Zé Vítor.

A formação da Serra da Freita continua imparável (20 pontos em dez jogos) e mostrou novamente que tem capacidade para se candidatar seriamente à Europa. Já os alvinegros permanecem em posição crítica, com sete pontos em penúltimo lugar, mas João Henriques tem agora oportunidade de restruturar-lhes a base.

O melhor em campo: Djouahra

'Teremos sempre Djouahra'. Podia ser o nome de um filme rodado na Serra da Freita... Foi um livre que saiu dos pés do extremo irreverente a resolver o encontro e tal poder de decidir jogos já não espanta ninguém. Foi também ele que fez o primeiro remate da partida, aos 6’. Sempre que a bola lhe chega aos pés é uma alegria, e é por isso que a equipa lhe confia tantos momentos da partida.

As notas dos jogadores do Arouca: De Arruabarrena (6); Tiago Esgaio (5), Javi Sánchez (5), Jose Fontán (6) e Lebedenko (5); Espen Van Ee (5) e Mateo Flores (6); Alfonso Trezza (6), Taichi Fukui (5) e Djouahra (7); Barbero (5); Pablo Gozálbez (5), Dylan Nandín (6), Lee Hyunju (5) e Brian Mansilla (5)

A figura do Nacional: Renato Marin

Grande exibição do guarda-redes italiano de 20 anos. De início ao fim. Começou por segurar o primeiro remate do encontro (6’) a Djouahra, mas esteve ainda em maior destaque nas ameaças finais assinadas por Dylan Nandín (80’ e 89’) e Lee Hyunju (90'). É verdade que, por um lado, não conseguiu travar o (auto)golo do colega Matheus Dias, mas impediu, por outro, que a derrota fosse mais pesada.

As notas dos jogadores do Nacional: Renato Marín (6); Markus Jensen (5), Chico Gonçalves (5), Zé Vítor (5) e Kokolo (5); Matheus Dias (4); Stavros Gavriel (5), Miguel Baeza (5), Laabidi (5) e Song (5); Njoya (5); Matchoi Djaló (5), Danel Dongmo (5), Pablo Ruan (5), Allen Obando (-), Daniel Júnior (-)

Vítor Severino, treinador do Arouca

Já previa um jogo de muita paciência. Não estávamos a encontrar os momentos certos, mas a única coisa que não queria era que a equipa perdesse a paciência. Não sou imbatível, o mérito é totalmente dos jogadores pela forma como receberam as nossas ideias. Sabemos que vai chegar o dia em que vamos perder, mas queremos que seja difícil ganharem-nos.

João Henriques, treinador do Nacional

Jogo bem conseguido defensivamente, até ao detalhe do livre. Até ali, estávamos confortáveis. Ofensivamente, faltam-nos detalhes para termos outro tipo de inspiração. Tivemos uma boa semana, mas foi futebol. Saímos de cabeça erguida, mas sentimos que podíamos ter saído, pelo menos, com um ponto. O Nacional está bem e vai continuar a conquistar pontos.

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