Marketa Vondrousova, com as cores da seleção checa, durante a Billie Jean King Cup, em abril. IMAGO - Foto: IMAGO

A mensagem que tramou Vondrousova, suspensa quatro anos por doping

A Agência Internacional de Integridade do Ténis (ITIA) confirmou a suspensão por quatro anos da tenista checa, campeã de Wimbledon em 2023, por recusar submeter-se a um controlo antidoping em dezembro de 2025. A tenista disse que teve medo de abrir a porta, mas 10 minutos depois foi passear o cão e insultou a inspetora

A tenista checa Marketa Vondrousova, campeã de Wimbledon em 2023, foi suspensa por quatro anos por se ter recusado a realizar um teste antidoping, uma sanção que abalou o mundo do ténis. O tribunal independente que impôs a pena divulgou o relatório completo, descrevendo o caso como «um assunto muito infeliz», mas sem encontrar «justificação convincente» para uma redução da sanção.

O incidente ocorreu a 3 de dezembro de 2025, quando um oficial de controlo antidoping se deslocou à residência da atleta em Praga, por volta das 20h00. Vondrousova, que estava sozinha em casa, recusou-se a abrir a porta, alegando temer pela sua segurança. A tenista, de 27 anos, contactou o seu agente para se informar sobre o protocolo e enviou uma mensagem ao namorado, na qual usou um palavrão para descrever o oficial.

Cerca de dez minutos depois, a atleta encontrou-se com o oficial no exterior do prédio, quando saiu para passear o cão. Nesse momento, reiterou a sua recusa em submeter-se ao teste e assinou um formulário a confirmar a sua decisão. A Agência Internacional para a Integridade do Ténis (ITIA) avançou com o pedido de suspensão de quatro anos, a pena padrão para quem recusa ou evita um controlo.

O tribunal concordou com a ITIA, concluindo que a jogadora tomou «uma decisão no calor do momento de recusar o controlo antidoping, num estado de stresse e ansiedade, com consequências significativas», mas sem apresentar uma justificação válida.

A mensagem enviada ao namorado era clara: «Há uma vaca do contorlo antidoping a bater-me à porta».

Na sua defesa, Vondrousova, que também foi finalista de Roland Garros em 2019 e medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, invocou o ataque com faca sofrido pela sua compatriota Petra Kvitova em 2016 como motivo para o seu receio. A antiga número seis mundial afirmou ainda sofrer de reações agudas de stresse e de um distúrbio de ansiedade.

No entanto, a ITIA contestou estes argumentos, salientando que a zona de Praga onde a tenista reside é «relativamente livre de crime» e que a comparação com o ataque a Kvitova foi um «exagero». A agência considerou ainda que o facto de ter saído para passear o cão era «totalmente inconsistente com a identificação de uma potencial ameaça». Além disso, a ITIA notou que Vondrousova não mencionou quaisquer preocupações de segurança nas conversas com o seu agente e namorado.

O caso expôs também um aparente desconhecimento das regras antidoping por parte de alguns atletas. Após o incidente, Vondrousova publicou uma história no Instagram acusando o oficial de não seguir as regras, por a visita ter ocorrido fora do seu período de uma hora de localização diária obrigatória. Contudo, as regras permitem testes surpresa a qualquer momento.

O relatório do tribunal refere que Vondrousova admitiu não saber que podia ser testada fora do seu horário designado, alegando que tal nunca lhe tinha acontecido em casa. A tenista afirmou ainda que o seu próprio agente desconhecia essa possibilidade.

A tenista Vondrousova vai recorrer da sua suspensão, apresentando o seu caso ao Tribunal Arbitral do Desporto (TAS) antes do prazo final de 11 de agosto, segundo informações obtidas pela BBC Sport. A jogadora está afastada da competição desde janeiro, enquanto lidava com o processo, e já tinha caído para o 122.º lugar do ranking mundial quando a sua sanção foi anunciada em junho.

A Agência Internacional para a Integridade do Ténis (ITIA) considerou «pouco credível» a alegação de «qualquer falta de compreensão» das regras antidoping por parte de uma jogadora experiente como Vondrousova, que foi submetida a 83 controlos desde 2018.

Caso o seu recurso seja indeferido, a tenista não poderá voltar a competir antes de junho de 2030. Nessa altura, terá quase 31 anos quando estiver livre para regressar aos courts.

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