Palestina, Ucrânia, ICE: Guardiola usa voz contra conflitos mundiais
Na antevisão do jogo do Manchester City contra o Newcastle para a Taça da Liga, Pep Guardiola aproveitou a conferência de imprensa para abordar os conflitos globais, afirmando que sente «dor» pelas vítimas e que pretende usar a sua posição para «falar em prol de uma sociedade melhor».
O treinador do Manchester City, que na passada sexta-feira falhou os compromissos com a comunicação social após ter participado num concerto de caridade em Barcelona de apoio às crianças palestinianas, falou com paixão sobre as crianças mortas e feridas em zonas de conflito por todo o mundo, confessando que as imagens que vê o «magoam».
🗣️ Pep Guardiola: "We have the images in front of our eyes. They've destroyed the lives of fathers, mothers, and children. It's impossible not to be affected.
— Football Tweet ⚽ (@Footballtweet) February 4, 2026
I'm always here and I will speak out." 🇵🇸🇸🇩🇺🇦pic.twitter.com/VkqMyfk7wB
Guardiola mencionou especificamente os conflitos na Palestina, Ucrânia e Sudão, bem como recentes tiroteios por agentes da autoridade de imigração (ICE) nos Estados Unidos. «Hoje podemos ver, antes não podíamos», afirmou. «Magoa-me. Se fosse do lado oposto, magoar-me-ia. Lamento, mas vou falar, vou estar lá. Matar completamente milhares de pessoas inocentes? Magoa-me. Não é mais complicado do que isto».
Nunca, jamais na história da humanidade, tivemos a informação à frente dos nossos olhos de forma mais clara do que agora — o genocídio na Palestina, o que aconteceu na Ucrânia, o que aconteceu na Rússia, o que aconteceu em todo o mundo — no Sudão, em todo o lado
O técnico espanhol abordou estes temas de forma espontânea, após uma pergunta inicial sobre a forma de Phil Foden e outra sobre as injustiças da arbitragem no empate (2-2) com o Tottenham. Guardiola recusou culpar o árbitro, afirmando que a responsabilidade de jogar bem ou mal «pertence-nos», e que as decisões se baseiam em «imagens» e não em «interpretação».
Foi então que alargou o seu discurso para os problemas mundiais: «Nunca, jamais na história da humanidade, tivemos a informação à frente dos nossos olhos de forma mais clara do que agora — o genocídio na Palestina, o que aconteceu na Ucrânia, o que aconteceu na Rússia, o que aconteceu em todo o mundo — no Sudão, em todo o lado. O que aconteceu à nossa frente? Querem ver? São os nossos problemas como seres humanos. São os nossos problemas».
«Haverá alguém que veja as imagens de todo o mundo — as guerras — e não seja afetado?»
Questionado sobre a razão pela qual estes assuntos são tão importantes para si, Guardiola agradeceu a pergunta. «Agradeço porque é a primeira vez em 10 anos que um jornalista me pergunta sobre isso», respondeu, acrescentando: «Parece que vocês [os media] não estão autorizados a fazê-lo pelo vosso trabalho, não sei. Mas haverá alguém que veja as imagens de todo o mundo — as guerras — e não seja afetado? Não é uma questão de certo ou errado».
Mais perto de casa, Guardiola também comentou a crise dos migrantes que atravessam o Canal da Mancha em pequenas embarcações, defendendo uma resposta humanitária. «As pessoas que têm de fazer isso, fugir dos seus países, ir para o mar e depois entrar num barco para serem resgatadas — não perguntem se está certo ou errado, resgatem-nas. Trata-se de um ser humano», defendeu. «Depois podemos concordar, criticar, mas toda a gente tem razão, toda a gente tem uma ideia e tem de a expressar. As pessoas estão a morrer, temos de as ajudar. Proteger o ser humano e a vida humana é a única coisa que temos».
O treinador concluiu, reforçando o seu compromisso em usar a sua plataforma para o bem comum. «Quando vejo as imagens, lamento, mas dói. É por isso que, em qualquer posição em que possa ajudar a falar por uma sociedade melhor, tentarei e estarei lá. Sempre. É pelos meus filhos, pelas minhas famílias, por vocês», finalizou.