Treinador do FC Porto comentou troca de acusações entre Villas-Boas e Frederico Varandas

«Orgulho» em Villas-Boas, os miúdos e o «cheiro» da confiança: tudo o que disse Farioli

As palavras de Francesco Farioli, treinador do FC Porto, na antevisão do embate com o Famalicão, referente à 28.ª jornada da Liga

Após duas semanas de paragem, o FC Porto volta à ação este sábado (20h30), frente ao Famalicão, e Francesco Farioli não se coibiu de falar sobre a «ambição» que se sente assim que se entra no portão do Olival. O treinador dos dragões falou mesmo sobre «um cheiro cada vez mais forte» a apontar no sentido da conquista, mas alertou para os perigos que o adversário deste sábado pode colocar ao líder do campeonato.

— Que tipo de jogo espera no Dragão, frente a um Famalicão em bom momento?

— Em primeiro lugar, o primeiro jogo após a paragem para as seleções é sempre complicado. Especialmente desta vez, em que tivemos muitos jogadores a regressar de grandes jogos, emocionalmente muito intensos e com um nível de envolvimento elevado. Por isso, a prioridade foi trazer todos de volta. Penso que, nestes últimos dois dias, o trabalho dos jogadores foi muito positivo e enérgico. Foi importante passarmos tempo juntos para nos realinharmos com a nossa realidade, as nossas dinâmicas e os nossos objetivos. Por outro lado, como mencionou, o Famalicão tem sido uma das equipas mais consistentes desde o início da época. Desde que o Hugo [Oliveira] assumiu o cargo na época passada, e especialmente nesta, têm progredido muito bem. O registo defensivo é notável — são a quarta melhor defesa da liga, sofrendo muito poucos golos. Aprecio muito a forma como jogam com bola porque têm padrões claros. Reconhece-se o que querem fazer. Têm também excelentes individualidades: os dois centrais sentem-se confortáveis com a bola e os três médios são muito talentosos a jogar sob pressão. O Gustavo [Sá] e o [Mathias de] Amorim são dois jogadores importantes para o Famalicão e para o futuro do futebol português. É uma equipa com velocidade e qualidade na frente. Será um jogo que exigirá de nós a nossa melhor versão, a melhor atitude e o espírito certo, que tem sido o nosso melhor amigo. Teremos de dar tudo perante um Dragão que vai estar cheio.

— Alguns jogadores falharam o acesso ao Mundial. Como está o estado de espírito deles?

— Como referi, nestes últimos dez dias estivemos divididos. Tivemos um grupo a trabalhar aqui e vários jogadores da equipa B e dos sub-19 vieram ajudar-nos a manter o nível elevado. Estive atento aos jogos da Polónia e da Dinamarca, pois tínhamos quatro jogadores envolvidos. Para eles foi difícil, especialmente no aspeto emocional. O Jan [Bednarek], por exemplo, é um líder aqui e lá. É um jogador que se compromete muito. Mas eles voltaram com um desejo claro de defender e competir pelo FC Porto. Os outros são jovens e terão muitas oportunidades. E também acredito que o Jan terá a oportunidade de jogar o próximo Mundial, que será em Portugal, Espanha e Marrocos, pelo que será especial. Eu próprio, como italiano, empatizo muito com o sentimento de falhar um Mundial...

— Tocando nesse ponto, qual o grau de impacto que este fiasco tem para o futebol italiano?

— Mais do que um impacto negativo, espero que sejamos capazes de encarar isto da forma correta para começar a mudar algo. A necessidade de ajustes e modificações é cada vez mais clara. A seleção nacional é apenas a ponta do icebergue. Há um sistema que precisa de ser renovado e reconstruído de forma positiva. O futebol está a mudar muito rápido e espero que as novas pessoas envolvidas tenham a capacidade de ver a curto e longo prazo, para dar às novas gerações a oportunidade de competirem ao mais alto nível, como a nossa história exige.

— Diogo Costa e Rodrigo Mora estão prontos para irem a jogo?

— Sim. Ontem o Diogo fez uma sessão individual e o Rodrigo esteve parcialmente com a equipa. Hoje, ambos treinaram totalmente integrados, por isso estão recuperados para o jogo de amanhã.

— Olhando para as trocas de acusações entre os presidentes de FC Porto e Sporting, teme que o próximo jogo entre os dois clubes se torne num campo de batalha?

— Sobre o que eu disse sobre a ética, fico feliz por haver consenso. Ética não é apenas uma palavra; é a forma como falamos e nos comportamos. Sinto-me muito bem representado pelo nosso presidente, André Villas-Boas, pela forma como defende o clube e a instituição. Alinho-me completamente, palavra por palavra, com o que ele disse na sua última declaração em Lisboa. O presidente deu-me muito orgulho pela forma como defendeu a equipa. Daqui a poucas semanas vamos recebê-los no Dragão para a meia-final da Taça, mas a prioridade absoluta agora é o jogo de amanhã [com o Famalicão], que será complicado e merece toda a nossa atenção.

— O FC Porto vinha de uma excelente sequência em março. Esta paragem pode prejudicar a equipa?

— Vimos de uma sequência muito boa, que nos colocou numa posição privilegiada, estando ainda em três competições. A resposta do grupo nos últimos seis jogos foi muito positiva. Hoje sinto que temos 20 jogadores prontos para alinhar como titulares. Todos podem jogar e ajudar-nos a alcançar os nossos objetivos. Isto dá-nos uma responsabilidade importante e é com este espírito que vamos enfrentar os próximos desafios.

— Sobre os avançados: o que tem faltado ao Deniz Gul para acrescentar golos ao seu jogo? E Moffi está pronto para alinhar de início no campeonato?

— Não podemos negar o facto de estarmos sem o Samu há mais de um mês e sem o Luuk [de Jong] quase toda a época. Se virmos os nossos adversários e imaginarmos o Benfica ou o Sporting sem os seus principais avançados, o Pavlidis ou o Suárez, claro que sentiriam falta de algo. Sentimos falta do Samu, que chegou em janeiro com 20 golos, mas a equipa, como coletivo, deu um passo em frente. Temos tido golos dos extremos e dos médios ofensivos para nos mantermos competitivos. Quanto ao Terem [Moffi], ele está agora completamente apto. Jogou 90 minutos num jogo recente com o Estugarda e está a trabalhar arduamente. O Deniz Gul teve um impacto importante — não esqueçamos o golo em Moreira de Cónegos que valeu três pontos. É um jogador que trabalha muito e é apenas uma questão de tempo até "desbloquear". Ele tem características fantásticas: mais de 1,90 m, é muito físico e um dos mais rápidos do plantel. Tecnicamente é muito dotado e elegante. Os golos vão chegar em breve, acredito.

— Já elogiou o Tiago Silva, médio da equipa B, que renovou recentemente. Podemos vê-lo ter minutos ainda esta época na equipa principal?

— Historicamente, somos um clube que aposta no desenvolvimento de jovens, e esse é um objetivo claro da nova direção. O trabalho do mister João Brandão na equipa B tem sido brilhante, assim como o do Sérgio [Ferreira] nos sub-19. Os jogadores estão a beneficiar deste caminho que construímos. Desde janeiro, focámo-nos em criar uma ponte com a equipa principal. O André Castro está muito envolvido nesse acompanhamento, tal como o Lucho e o Lino. Com o Pedro [Sousa], estamos a potenciar o desenvolvimento físico deles para que estejam prontos a competir. Esta paragem de março foi quase um pequeno estágio para eles. O Tiago Silva, o Bernardo [Lima], o André Miranda, que infelizmente está lesionado, e o João Teixeira terão, com certeza, um papel e oportunidades na equipa principal muito em breve.

— O FC Porto está entre o tudo ou nada, ou pode ficar a meio. Vai dar prioridade a algo e sente, de alguma forma, essa pressão?

— É normal sentir pressão ao olhar para o final de maio, mas nós não olhamos tão longe. Focamo-nos no que está mais próximo; esse é o espírito da equipa. Se formos competentes, temos 14 jogos possíveis pela frente. É um esforço físico e mental enorme. O que me dá confiança é ver que todos no Olival estão absolutamente motivados para trazer o Porto de volta ao lugar que lhe pertence. Respira-se ambição no centro de treinos e no balneário. Temos um grupo cada vez mais forte e unido. É algo que se cheira desde o momento em que entras no portão no Olival. Um cheiro que se sente ainda mais forte, que realmente se sente, quando estás no centro de treinos e é um cheiro que me dá muito prazer e confiança. As entrevistas recentes do Alan Varela e do Martim Fernandes são manifestos da nossa mentalidade. Não é uma garantia de sucesso, mas é o ingrediente principal para o alcançar.