Camisola 10 faturou, da marca dos 11 metros, mas o tento acabou por revelar-se insuficiente - Foto: Rogério Ferreira/Kapta+
Camisola 10 faturou, da marca dos 11 metros, mas o tento acabou por revelar-se insuficiente - Foto: Rogério Ferreira/Kapta+

O (Zal)azar é que apenas Rodrigo e Grillitsch estiveram ao seu nível (as notas do SC Braga)

Uruguaio soube quase sempre o que fazer à bola, mesmo quando a equipa não estava tão lúcida no ataque ao último terço ofensivo. E ainda faturou, cobrando de forma exemplar o penálti que, na altura, deu vantagem aos minhotos. Médio austríaco não deu para tudo
A figura: Rodrigo Zalazar (nota 7)
O internacional uruguaio merecia mais. Do jogo... e de alguns companheiros. É certo que a exibição dos arsenalistas foi abnegada, não deixa de ser verdade que pela frente estava, apenas e só, o atual líder do campeonato, mas também não deixa de ser factual que os habituais artistas dos guerreiros estiveram aquém do que é habitual. E disso muito se ressentiram as dinâmicas ofensivas. Processo onde Zalazar, já se sabe, é um autêntico cabeça de cartaz. Mas o camisola 10 foi sempre fazendo o possível para contrariar essa tendência, dando qualidade de posse e prolongando o mais possível os momentos de ataque continuado. Tentou a sorte já com pouco ângulo, mas o tiro saiu ao lado (25'). Quando foi chamado a decidir... não claudicou: penálti sem espinhas a dar, na altura, vantagem aos minhotos. Não chegou...

Lukas Hornicek (6) — Sem culpas nos golos sofridos — no primeiro, tinha (e bem) tentado fechar o primeiro poste, com William Gomes a encostar do lado contrário, no segundo pouco ou nada podia fazer no seguimento da bomba de Fofana —, esteve em grande destaque num voo bem medido ao minuto 58, impedindo que o remate em arco de Victor Froholdt se anichasse no fundo das redes. Além disso, foi importante a controlar a profundidade, demonstrando astúcia e rapidez nas saídas dos postes.

Gustaf Lagerbielke (5) — Jogo difícil para o sueco, que dividiu com Víctor Gómez a missão de vigiar Oskar Pietuszewski. E, em simultâneo, ainda tinha de auxiliar Niakaté na marcação a Deniz Gul. Viu o amarelo muito cedo (15') e isso também não ajudou muito.

Sikou Niakaté (5) — Foi obrigado a impor várias vezes o físico nos duelos individuais com Deniz Gul. O ponta de lança dos dragões é forte na proteção do esférico, especialmente de costas para a baliza, e o maliano dos arsenalistas foi lutando como pôde. Num desses movimentos, teve de recorrer à falta para travar o adversário e foi admoestado com o cartão amarelo. E vá lá, vá lá... Sofreu o penálti que originou o 1-0.

Bright Arrey-Mbi (5) — O internacional jovem alemão também foi uma das vítimas do poder de fogo do dragão, mas a grande verdade é que se mostrou sempre disponível para travar toda e qualquer batalha. Ganhou e perdeu lances, mas esforço não faltou. Ia causando um calafrio logo aos 3 minutos, mas resolveu bem a questão e foi buscar Pepê na profundidade, cedendo pontapé de canto

Víctor Gómez (5) — Menos ousado ofensivamente do que é habitual. Algo que, no fundo, também se percebe, uma vez que qualquer falha no processo atacante poderia expor em demasia a equipa naquele flanco. Teve problemas à retaguarda, mas bateu-se com ganas e deixou tudo em campo.

João Moutinho (6) — Podem falar de idade, de Cartão de Cidadão, de questões físicas... Mas quando o fizerem, que olhem para exemplos como este. Porque ver o antigo internacional português continua a ser uma delícia para todos os apaixonados por futebol. E mesmo quando o jogo não está para grandes rasgos de nota artística, o quase quarentão (bonita idade que vai completar no próximo dia 8 de setembro) puxa dos galões e apresenta soluções. Seja a colocar gelo, entenda-se, segurar a posse, seja a descobrir espaços para sair da zona de pressão.

Florian Grillitsch (7) — Por falar em experiência: eis Florian Grillitsch. Outro dos nomes fortes dos arsenalistas e que também sabe tudo do jogo. Mesmo estando a formar dupla com Moutinho e ambos diante de um meio-campo adversário em superioridade numérica (2x3), o internacional austríaco fez uso da sua qualidade posicional para evitar que esse défice na referida zona nevrálgica fosse assim tão evidente. Na retina fica um corte sensacional a evitar que a progressão de Gabri Veiga oferecesse males maiores para a baliza dos minhotos (5'), e, depois disso, um livro de soluções para colocar a equipa a jogar.

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Diego Rodrigues (5) — Percebe-se a ideia de Carlos Vicens ao colocar o internacional sub-21 português na posição de falso ala esquerdo. O objetivo é que o camisola 50 possa, em posse, funcionar como terceiro médio, baralhando as marcações contrárias. Mas, ao contrário do que aconteceu noutros jogos, desta feita essa dinâmica acabou por não funcionar.

Pau Víctor (5) — Deu-se muito à marcação dos centrais portistas e, assim sendo, teve pouca bola. Quando saiu dessa zona para oferecer apoios frontais, como tão bem faz, a coisa correu melhor. Mas esteve longe do habitual...

Ricardo Horta (5) — Mais apagado do que o habitual. O capitão correu que se fartou, é verdade, mas acabou por desgastar-se muito sem bola e poucas vezes foi descoberto pelos colegas entre linhas para que desse o habitual toque de classe ao processo Remate perigoso, aos 14 minutos.

Gabri Martínez (5) — Ainda ousou algumas acelerações pelo corredor, mas sem efeito.

Gabriel Moscardo (3) — Entrou para central à direita e apenas seis minutos depois de estar em campo deixou fugir Pietuszewski no lance que deu o empate.

Mario Dorgeles (—) — Sem tempo para alterar o rumo.

Fran Navarro (—) — Cartada de ataque, mas sem sucesso.

Gorby (—) — Levou o habitual músculo para a intermediária, mas já nada havia a fazer.