O sonho comanda a vida. A cabeça e a racionalidade definem o caminho
SONHO VS REALIDADE
NO dia do jogo, Rui Costa falou sobre a ambição e o sonho que reinam no clube da Luz: «É normal que o Benfica sonhe com uma final europeia porque é um dos maiores clubes do mundo. Sabemos a dificuldade que é lá chegar, mas também sabemos o sonho que temos e há que lutar por isso», disse o presidente do Benfica. Numa perspetiva comunicacional, esta mensagem foi perfeita porque teve duas dimensões distintas: num primeiro olhar, os sócios gostam de ter um presidente que reconheça e valorize o clube. Rui Costa fê-lo de uma forma simples e honesta, demonstrando ambição e valorizando o historial do Benfica.
Em simultâneo, enviou (mais uma vez), para dentro, uma mensagem de confiança, de crer e de superação mas, para que o sonho se possa concretizar, é necessário que dentro do relvado tudo funcione. Numa época em que o Benfica tem sido dominador, com 30 vitórias e apenas uma derrota em 38 jogos, será necessário continuar a manter os pés bem assentes no chão, até porque já foi eliminado de duas competições sem conhecer o sabor da derrota. A verdade é que a resposta dos jogadores aos desejos do presidente foi totalmente afirmativa. A equipa controlou de forma inequívoca o adversário e só pecou na finalização. Um dos grandes méritos de Roger Schmidt tem sido a mentalidade que incutiu na equipa e que se reflete em dois pontos fundamentais e distintos. O primeiro é a capacidade que o plantel tem de superar a adversidade.
Sempre que o Benfica teve um resultado abaixo das expetativas ou uma exibição menos conseguida, na partida seguinte, voltou a elevar a qualidade do seu jogo. O segundo ponto de análise, e que define a mentalidade que o treinador conseguiu incutir nos seus atletas, tem a ver com a forma como encara todos os jogos. A abordagem é sempre para ganhar, dominar, acelerar e procurar a baliza adversária. Pode não conseguir fazê-lo em todas as partidas mas, mentalmente, os jogadores estão preparados para isso, o que faz com que sempre que a equipa entra no relvado esteja mais próxima de vencer e de proporcionar um bom espetáculo de futebol. Na última quarta- feira o Benfica colocou um pé e meio na próxima eliminatória. Para continuar a alimentar o sonho do seu presidente é fundamental manter a humildade e o ADN que têm vindo a demonstrar.
O APELO DE RÚBEN AMORIM
Após duas grandes épocas, as expetativas dos adeptos leoninos eram elevadas. O hábito de vitória foi novamente restaurado por Ruben Amorim e, com isso, a exigência aumentou. Ao contrário das últimas temporadas, esta está a ser negativa. Em 34 jogos o Sporting tem 11 derrotas. Dentro do relvado tem vindo a cometer muitos erros, que não eram normais na equipa de Ruben Amorim. Se nas vitórias todos são valorizados e assumem os louros pelo sucesso, nas derrotas deverá acontecer o mesmo. O treinador tem assumido (sempre) a responsabilidade pelo mau desempenho da equipa. Concordo que, enquanto timoneiro, Ruben Amorim seja o primeiro responsável pelo desempenho dos seus atletas. Também tenho a noção que, por muito bom que seja um treinador, se ano após ano, a sua equipa perder qualidade e maturidade, dificilmente conseguirá manter uma trajetória positiva.
Fazendo um paralelismo com o FC Porto, Sérgio Conceição também tem sido vítima quando, de uma forma regular, os jogadores que mais se destacam vão saindo, sem que o clube tenha capacidade de ir ao mercado colmatar essas saídas. A diferença é que no FC Porto, os elementos com mais maturidade vão-se mantendo e ajudam a segurar a equipa em momentos de maior pressão, o que não retira em nada o mérito e a qualidade que Sérgio Conceição tem vindo a demonstrar todas as épocas. Voltando ao Sporting, ninguém podia acreditar que a equipa fosse manter a mesma qualidade depois de perder, no mesmo ano, Palhinha, Sarabia e Matheus Nunes, este último já com a época em curso! Em função das duas últimas épocas, os adeptos leoninos tinham motivos para sonhar com mais títulos. No entanto, também devem ter a noção da realidade.
Não só das dificuldades financeiras, que o seu clube passa e que acabam por ter influência na gestão desportiva da época em curso, mas também da importância que tem o seu apoio, em cada jogo. Ruben Amorim, de uma forma inteligente e astuta, referiu que o ambiente fora das quatro linhas não era sua responsabilidade, mas dos adeptos. Os mais atentos percebem que esta mensagem subliminar é um apelo ao apoio de todos, para que seja possível ultrapassar este momento complicado. Apoiar quando tudo corre bem é fácil, difícil é fazê-lo nos momentos mais turbulentos, quando a equipa mais precisa. Olhando para os últimos anos do Sporting, se há alguém que merece o apoio dos adeptos sportinguistas é Ruben Amorim e os seus jogadores, pela forma como sempre defenderam e projetaram as cores leoninas.
A OPORTUNIDADE DO BRAGA
OSC Braga tem vindo a fazer o seu caminho de uma forma equilibrada e consistente. Já conseguiu afastar-se do segundo grupo do futebol português e aproximar-se do pelotão da frente. A estratégia desportiva, alicerçada no desenvolvimento da formação e na forma atenta como analisa o mercado nacional, tem permitido aos bracarenses ter plantéis competitivos, com mais experiência e maturidade. A perceção da importância das competições europeias no crescimento do clube tem sido fundamental para potenciar o desenvolvimento e a ambição do mesmo. O resultado do jogo da Liga Conferência, frente à Fiorentina, foi pesado e difícil de recuperar.
Contudo, até pode ser positivo para o SC Braga sair desta competição. Na minha opinião, o clube deverá manter o foco nas competições nacionais, uma vez que está em excelente posição para poder ter a oportunidade de participar na Liga dos Campeões. Isto irá permitir ao SC Braga ter acesso aos milhões que a competição proporciona e à valorização de ativos e da marca. Com mais liquidez à disposição, a preparação da próxima época e a abordagem ao mercado podem tornar o SC Braga mais forte e contribuir para que se suba mais um degrau no seu crescimento. Este ano, já experienciou momentos de brilhantismo e de deceção. Até ao momento, tem sabido reequilibrar-se depois de fases menos positivas (derrotas pesadas com Sporting), mantendo-se na corrida pelo título/lugares de Liga dos Campeões e pela Taça de Portugal. O resultado de quinta feira foi dececionante, mas o foco do SC Braga deverá estar na (grande) oportunidade que tem pela frente.
A VALORIZAR
Chiquinho. De possível dispensado, a opção regular de Roger Schmidt, a jogar numa posição mais recuada, tem vindo a efetuar exibições de alto nível. Num contexto difícil de Liga dos Campeões, voltou a justificar a aposta do treinador.
A DESVALORIZAR
Adán. Tem sido uma sombra do que foi nas duas últimas épocas. Tem cometido erros em momentos decisivos, criando maior ansiedade e instabilidade a toda a equipa do Sporting.