O que se passou no intervalo onde mudou tudo e Rui Borges ganhou equipa de... Champions
A estreia na Liga dos Campeões trazia a exigência dos grandes palcos, mas a primeira parte do pontapé de saída da competição em Alvalade, diante do Galatasaray, deixou transparecer um Sporting (muito) desconfortável. Perante a entrada agressiva da equipa turca, os leões apresentaram-se de forma amorfa, fechando os primeiros 45 minutos com dois remates — ainda que ambos enquadrados. A faltar chama, fluidez e, sobretudo, controlo. Contudo, o balneário serviu de catalisador para uma exibição de gala no segundo tempo, em que a equipa se transfigurou por completo para somar a primeira vitória na competição.
Pois bem, então o que se passou ao intervalo para esta mudança? Qual foi a mensagem que serviu de rastilho para uma segunda parte quase perfeita? Foram muitos os fatores que contribuíram para o crescimento, alguns dos quais revelados agora por A BOLA.
Ao intervalo, a mensagem do técnico para os jogadores foi direta: era imperativo igualar os turcos nos duelos e imprimir outra agressividade nas primeiras e segundas bolas — um compromisso físico evidenciado nos 23 duelos ganhos no segundo tempo, contra 21 do adversário. O Sporting voltou mais arrojado, com maior pressão sobre o portador da bola, demonstrando coragem e a tranquilidade que tinham faltado no arranque. O discurso não foi rígido, longe disso, e foi marcado pela confiança de que existia margem para fazer muito mais nos segundos 45 minutos.
Estrategicamente, a resposta foi igualmente cirúrgica. No momento ofensivo, a ideia transmitida foi, sobretudo, de que a equipa perdesse o medo de construir a partir de trás, de forma a ligar mais o jogo e assim poder projetar-se na procura do homem livre. O lance que originou o segundo golo, de resto, traduziu bem dessa metamorfose: com Rui Silva a descobrir Doumbia solto entre linhas, aproveitando a desorganização do Galatasaray. Mais: os espaços intermédios entre os centrais e os laterais turcos passaram a ser mais explorados por Luís Guilherme e Geny Catamo, beneficiando também das trocas posicionais entre Maxi Araújo e o jovem brasileiro — com Luís Guilherme a dar largura por fora e o uruguaio a atacar os corredores internos, atacando as costas da defensiva turca.
Sem bola, o treinador também procurou mudar a atitude de forma... radical. Deixando apelos para a equipa pressionar com maior arrojo a fase de construção do Galatasaray, mas de forma inteligente: evitando gastar energias a condicionar o guarda-redes turco — forte no jogo de pés — para se focar nos centrais e laterais.
A fórmula foi de sucesso e o leão foi feliz. Com muita juventude e inexperiência, a mensagem surtiu o efeito desejado, fazendo nascer uma nova equipa, com fato de Champions, no balneário...