Um foi revertido no VAR, o outro corrigido no sistema de videoarbitragem depois de, numa primeira instância, Cláudio Pereira ter assinalado a infração fora da área

O mérito do VAR na noite do Dragão: a análise de Pedro Henriques à arbitragem do FC Porto-Tondela

Dois lances mal interpretados pela equipa de arbitragem de Aveiro foram sinalizados na Cidade do Futebol pela dupla Manuel Oliveira e Tiago Leandro

Cláudio Pereira dirigiu o jogo entre FC Porto e Tondela. O árbitro da Associação de Futebol de Aveiro teve como assistentes Tiago Costa e Sérgio Jesus, sendo Fábio Melo o quarto árbitro. O VAR foi Manuel Oliveira, assistido por Tiago Leandro. Vamos à análise do seu trabalho!

12’. Sem penálti. Bem o VAR a reverter o pontapé de penálti mal assinalado pelo árbitro, pois após cruzamento do esférico por parte de Victor Froholdt, a bola vai ao braço direito de Brayan Medina, que o tinha dobrado, junto ao corpo, em posição natural e sem volumetria.

18’. Ataque prometedor. Jakub Kiwior é corretamente advertido por cortar uma jogada perigosa, pois com a mão direita agarrou e puxou o ombro esquerdo de Pedro Maranhão, já próximo da área dos dragões. Jan Bednarek vinha por dentro e na dobra, daí não ser uma clara oportunidade de golo.

20'. Após um pontapé livre assinalado a favor do Tondela junto à área dos dragões, Diogo Costa viu cartão amarelo por alegados protestos. As imagens não são esclarecedoras quanto ao motivo da advertência.

Positivo

O vídeoárbitro resolveu e reverteu dois lances capitais mal decididos pelo árbitro. Deixou jogar e privilegiou o contacto físico.

Negativo

Os 10 amarelos, num jogo com apenas 23 faltas. Ainda evidencia alguma dificuldade em impor as suas decisões sem ser contestado.

35’. Falta tática. Cartão amarelo bem mostrado a Rodrigo Mora, pois ao vir por trás empurrou e carregou Rony Lopes com o propósito de parar e destruir a saída em transição, contra-ataque do avançado português do Tondela. Livre direto e sanção disciplinar correta.

37'. As Leis de Jogo, na secção do protocolo VAR (página 152), indicam que, em decisões factuais — como o local da infração (dentro ou fora da área de penálti) —, a intervenção exclusiva do VAR é, em regra, suficiente, não sendo necessária a revisão no monitor. Neste lance, o árbitro assinalou mão/braço de Jo Hodge após remate de Rodrigo Mora, considerando a infração fora da área e sancionando pontapé livre direto. Contudo, as repetições mostram que a infração ocorreu dentro da área. O VAR comunicou essa evidência e o árbitro, sem recorrer ao monitor (cumprindo o protocolo), reverteu a decisão e assinalou pontapé de penálti.

39’. Defesa legal. Quando o pontapé de penálti foi batido por Alan Varela, Bernardo, guarda-redes do Tondela, que defendeu o castigo máximo, tinha os apoios de acordo com a lei: pé direito para a frente e pé esquerdo sobre a linha de baliza. Tudo certo.

45'. Foram concedidos quatro minutos de compensação, em função das interrupções motivadas pelos três cartões amarelos exibidos e pelos lances envolvendo o penálti — um inicialmente anulado após revisão no monitor e outro posteriormente assinalado com intervenção do VAR.

45+3'. Pontapé. Hodge foi corretamente advertido, porque com o seu pé direito pontapeou o pé direito de Pepê. Uma entrada fora de tempo, negligente, que foi corretamente sancionada com pontapé livre direto.

50'. Christian Marques agarrou e puxou Deniz Gul pelas costas, quando este recebia a bola em profundidade. Comportamento antidesportivo corretamente punido com cartão amarelo.

80'. Yaya Sithole foi advertido com cartão amarelo por falta tática: abordou Deniz Gul por trás, de forma incorreta, quando este progredia em velocidade em direção à área do Tondela, travando um ataque prometedor.

85'. Alberto Costa viu cartão amarelo por retardar a reposição da bola em jogo num pontapé de baliza, tendo inclusive pontapeado a bola para fora da área.

90'. Após um momento de maior tensão entre Gabri Veiga e Hugo Félix, com troca de palavras e empurrões, o árbitro exibiu cartão amarelo a ambos.

90+3'. Cartão amarelo bem mostrado a Rodrigo Conceição, que, por trás, pisou com o pé esquerdo o pé/calcanhar esquerdo de William Gomes. Entrada negligente, corretamente sancionada disciplinarmente.

No final, foram concedidos cinco minutos de compensação, justificados pelas seis interrupções para substituições (com entrada de oito jogadores), pelos cinco cartões amarelos exibidos e pelos dois golos.

NOTA DE CLÁUDIO PEREIRA — 6

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