Assim se festejou um dos golos do FC Porto - Foto: Manuel Fernando Araújo/LUSA
Assim se festejou um dos golos do FC Porto - Foto: Manuel Fernando Araújo/LUSA

Dragão vibrou com Alvalade, título está à mão de semear (crónica)

O desaire do Sporting frente ao eterno rival foi sentido pelo FC Porto, primeiro na forma de ‘nervoso miudinho’ que tolheu ideias ao longo da primeira parte; com o segundo tempo chegaram os golos, fruto de clara superioridade, e as faixas já foram encomendadas…

Sentir a possibilidade de vencer o Campeonato Nacional, depois de três anos de jejum, ali tão perto, começa por aumentar a responsabilidade, e à boleia vem a ansiedade, traduzida na vontade sôfrega de querer fazer tudo depressa e bem. E não há quem…

Este foi o retrato do FC Porto ao longo dos primeiros 45 minutos, em que que esteve falho de inspiração e demasiado contraído, impedindo esse estado de alma que os mágicos, nomeadamente Rodrigo Mora, se soltassem.

Como acontece sempre nestes casos, em que o volume se sobrepõe à qualidade, criaram-se condições para fazer brilhar Bernardo Fontes, até dos onze metros.

Francesco Farioli optou por dar a titularidade a Mora, em detrimento de Gabri Veiga, mas a noite não foi do fantasista português, demasiadas vezes a pisar terrenos que eram de Pietuszewski, quando o mapa da mina apontava para que se colocasse mais perto de Deniz Gul, que compensa em generosidade o que lhe falta em técnica, e deixa à sua volta muitas bolas soltas.

Foi, pois, com um meio-campo mais light que o FC Porto começou a rondar a baliza do Tondela, mas Gonçalo Feio tinha ensinado bem a lição aos seus pupilos. À frente de Bernardo Fontes colocou-se uma linha de cinco elementos — será injusto falar-se em autocarro puro e duro porque, várias foram as vezes em que o bloco forasteiro subiu no terreno — com o apoio de uma fórmula híbrida mais à frente, que passava pela presença de dois elementos mais posicionais, Hodge e Juanse, apoiados pelo alegado ponta-de-lança, Rony Lopes (que nunca o foi).

As despesas mais ofensivas ficaram a cargo dos elementos mais abertos nas alas que, sempre que se libertavam das marcações que tinha de fazer a Alberto e Zaidu, procuravam incomodar o último reduto portista. Bem pensado, mas raras vezes executado, já que os dragões mantiveram posições e apenas por uma vez, num livre de Rony (que devia ter acabado em canto e não em pontapé de baliza) houve um vislumbre de perigo para Diogo Costa.

Entretanto, os portistas, apesar dos nervos, do peso da responsabilidade e de alguns erros de colocação, somaram oportunidades ao longo da primeira metade: aos 10 minutos Varela fez brilhar Bernardo; aos 12 houve um penálti por alegada mão na bola de Medina que viria a ser revertido; aos 27 e 33 minutos, João Silva e Tiago Manso tiraram o pão da boca a Gul e Pietuszewski; aos 39 minutos Varela permitiu que Bernardo detivesse uma grande penalidade; e aos 45'+3 foi o avançado polaco a obrigar o keeper tondelense a uma defesa difícil e de belo efeito.

Quer isto dizer que, apesar das deficiências detetadas e do ritmo muitas vezes baixo a que jogou, o FC Porto merecia ter ido para intervalo com um resultado confortável no bolso.

Gabri Veiga decisivo

Para a metade complementar, Farioli deu mais agressividade à equipa com Gabri Veiga no lugar de Mora e fez entrar Pablo Rosario para o lugar do amarelado Kiwior. E bastaram dois minutos para que o espanhol, bem servido por Gul — foi a melhor ação técnica que o turco teve na partida — colocasse os dragões na frente.

O Tondela decidiu então, em desvantagem, subir linhas e pressionar as saídas de bola, encontrando Farioli antídoto para esse ‘veneno’ com a entrada de Thiago Silva para o lado de Bednarek, a saída de Zaidu e a colocação de Pablo Rosario como uma espécie de defesa esquerdo que ajudava a compactar melhor o meio-campo. Gonçalo Feio respondeu com Aiko e Sithole, mas o sinal mais portista resultou no 2-0 (Froholdt, 65), num lance com alguma felicidade, muita insistência e boa finalização, que acalmou, finalmente, as hostes portistas que, a partir desse momento, começaram a desfrutar de outra forma do golo de Rafa em Alvalade.

Até ao final da partida, com o vencedor, na prática, encontrado, o FC Porto dispôs ainda de várias ocasiões (a entrada de William Gomes, aos 70 minutos, trouxe mais agitação e maior aproveitamento dos espaços) e Bernardo teve uma dupla intervenção de enorme mérito (72) a dizer não a golos de Froholdt e Alberto.

Com um FC Porto mais controlador e contra-atacante, viu-se mais Tondela, na circulação de bola. Foi positiva a a entrada de Hugo Félix e Diogo Costa teve mesmo de se aplicar a um remate do criativo, aos 81 minutos, no lance mais vistoso dos forasteiros.

Mas seriam ainda os dragões a estarem muito perto do 3-0, primeiro com uma cabeçada de Bednarek, e na jogada final com Bernardo Fontes a ser mais ‘esperto’ que Gabri Veiga, roubando-lhe a bola após uma cavalgada de quase 50 metros do espanhol.

Depois da tarde/noite em que ganhou em dois campos, bem pode o FC Porto encomendar as faixas e o fogo de artifício e reservar espaço no Aliados para a festa do título.

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