A semana horrível do Sporting: adeus Champions, adeus Liga e... adeus Taça?
O futebol tem este condão cruel de elevar heróis ao Olimpo para, logo a seguir, os atirar ao abismo sem rede. O que assistimos este domingo, em Alvalade, foi a certidão de óbito de um bicampeão que parece ter ficado sem pilhas no momento em que a decisão exigia nervos de aço. O Sporting não perdeu apenas o dérbi para o Benfica; o Sporting perdeu a bússola e, muito provavelmente, o resto da época.
Rui Borges, que ainda tem o crédito e o oxigénio de quem devolveu a glória a Alvalade com o segundo título consecutivo, enfrenta agora o espelho mais impiedoso da realidade. Os números não mentem: esta época, o Sporting não venceu um único jogo na Liga contra os quatro primeiros classificados. É um registo anémico para quem ostenta o escudo de campeão ao peito. É a prova de que este leão, quando o rugido dos rivais soa mais alto, tem dificuldades em impor a sua lei. Perder por 1-2 em casa contra um Benfica há muito ferido é uma transferência de poder emocional que pode, inclusive, custar o segundo lugar.
Mas, enquanto em Lisboa se discutem culpas, a Norte o clima é de festa antecipada. O FC Porto cumpriu o seu dever contra o Tondela com a eficácia de quem já sente o metal do troféu nas mãos. O 2-0 foi o ensaio geral para a festa que está montada. Com o champanhe no gelo, o Dragão prepara-se agora para o banquete final.
Já esta quarta-feira, o pesadelo de Alvalade pode completar-se. O Sporting viaja até ao Porto com uma vantagem magra de 1-0, mas quem garante que esta equipa, psicologicamente tocada, terá estofo para aguentar a pressão da segunda mão da meia-final da Taça de Portugal no Dragão?
O cenário é dantesco: em sete dias, os adeptos leoninos podem dizer adeus à Champions, adeus à Liga e adeus à Taça. Seria o triplete da desilusão... Quarta-feira se verá.
Rui Borges ainda tem o balão de oxigénio do passado recente, mas a margem de manobra estreitou-se. O futebol vistoso deu lugar a uma posse de bola muitas vezes estéril, ao mesmo tempo que os índices de eficácia caíram. E, se tombar no Dragão, nem o bicampeonato servirá de escudo para a melancolia que se abaterá sobre o seu reino.
O FC Porto já festeja (e com mérito); o Benfica já morde os calcanhares ao rival; e o Sporting? O Sporting arrisca-se a pagar o preço de uma época desgastante em que tudo se perde na ponta final e em que pouco mais poderá restar do que a vã glória de uma Champions de exceção.