O Man. City também tem melhores suplentes. E não só (crónica)
As finais são para se ganhar. De um lado estava o Arsenal, atual líder da Premier League, mas a equipa que mais finais da Taça da Liga perdera (seis). Do outro, um rival que está nove pontos atrás no campeonato, mas que vencera oito troféus em nove finais, quatro deles com Guardiola. Venceu aquele que tem a melhor tradição. Mas também o melhor futebol. E os melhores suplentes.
Começando pelo fim: respeitando a tradição de colocar, nas taças internas, os guarda-redes suplentes, deve dizer-se que foi muito mais feliz Guardiola que Arteta. Porque há dois momentos que ajudam a definir o jogo: o minuto 7, quando Trafford fez três defesas seguidas, uma delas frente a Havertz, isolado; e aos 60', quando Kepa deu um frango, permitindo o 1-0 para o Manchester City.
Não se sabe o que poderia ter ocorrido se o Arsenal tivesse conseguido o golo madrugador, conhecendo-se a capacidade defensiva dos gunners e tendo Gyokeres sempre projetado na profundidade, especialmente nas costas de Ake. Mas sabe-se que o Man. City continua a gostar de moer os adversários até ao fim e de tanto insistir lá conseguiu ser feliz.
O jogo dividiu-se, literalmente, em duas partes: a primeira, muito equilibrada, de respeito mútuo, sem desposicionamentos ou contra-ataques. Tudo muito apertado taticamente, dando razão aos que dizem que um futebol sem erros é um futebol sem golos. Além do lance aos 7' salvo pelo n.º 2 da baliza dos sky blues, duas aproximações perigosas de Haaland na baliza contrária e nada mais.
Defesa tripla de Trafford ❌❌❌
— sport tv (@sporttvportugal) March 22, 2026
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Foi o que não ocorreu no segundo tempo. No intervalo, Pep Guardiola certamente pediu aos seus jogadores para baralharem mais as marcações do Arsenal e carregar mais no lado esquerdo, tendo em conta que Hincapie levara um amarelo por falta dura sobre Matheus Nunes. Era ali que estava o ouro. E não foi preciso cavar muito porque do outro lado o número dois da baliza deu uma ajuda, mostrando o mapa da mina: o cruzamento de Cherki já dentro da área nem foi muito perigoso, mas Kepa deixou a bola escorregar das mãos e O'Reilly fez o mais fácil, encostando de cabeça para o 1-0.
A partir daí a superioridade tática materializou-se em superioridade técnica. Cherki continuava a abrir o livro e Bernardo Silva ditava os ritmos, orquestrando tudo a partir da zona central. No papel jogou a segundo médio, ao lado de Rodri, mas na prática jogou em todo o lado. E numa das muitas jogadas de envolvimento apareceu o 2-0, uma cópia fiel do primeiro golo: desta vez o cruzamento partiu de Matheus Nunes (belo jogo do internacional português) e O'Reilly cabeceou para o 2-0. Um lance que traduz como o City abafou os londrinos: de lateral para lateral, como se fosse um compasso a desenhar um círculo de vitória.
Os londrinos ainda reagiram com um remate cruzado de Calafiori ao poste (boa entrada do italiano) e, mais tarde, um cabeceamento de Gabriel Jesus à barra, mas foram momentos tirados de um contexto que não coloca (nunca colocou) o Arsenal ao mesmo nível do Manchester City, pelo menos no que a esta final diz respeito. Há seis jogos que Arteta não perdia frente ao seu mestre, mas desta vez caiu com estrondo. Começando pelo azar (?) na escolha do suplente de Raya.
O Manchester City conquistou a sua 9.ª Taça da Liga, a quinta com Guardiola, que já vai em 19 troféus ao comando da equipa. Já o compatriota ainda só conta no currículo com uma Taça de Inglaterra, em 2020. Kepa estava do lado dos perdedores, como suplente.