Equipa esteve a perder por 0-2 com o Osasuna, mas venceu com um golo aos 90' #DAZNLALIGA

«O Levante e eu fomos um casamento»: jardineiro diz adeus após 38 anos de serviço

Tributo merecido a Raimon Ferrer na vitória do Levante sobre o Osasuna

Raimon Ferrer, figura icónica do Levante, vai reformar-se no final da época após quase 40 anos a cuidar do relvado do estádio Ciutat de València. Aos 65 anos, o homem que se considera «o último jardineiro do futebol» deixa um legado de dedicação e inúmeras histórias e foi homenageado pelo clube esta sexta-feira, na vitória (3-2) da turma de Luís Castro sobre o Osasuna.

A ligação ao clube, que descreve como um casamento, termina após 38 anos. «O Levante deu-me uma vida, e entendo que eu também dei uma vida ao Levante», resume Ferrer à rádio Cope, cuja carreira se tornou parte da história viva da equipa do Levante.

A jornada começou no clube da terra, o Meliana Club de Fútbol, onde o seu talento para tratar de relvados chamou a atenção de Benito Floro. Foi este que o levou primeiro para o Olímpic de Xàtiva e depois para o Villarreal. A chegada ao Levante aconteceu por intermédio de Miguel Sarrión, então diretor desportivo, que o contactou quando ainda trabalhava no Villarreal. O seu primeiro contacto com o estádio foi num jogo da Segunda Divisão B contra o Onteniente, quando tinha apenas 21 anos.

Ferrer faz questão de distinguir a sua profissão da dos modernos greenkeepers. «Nós somos jardineiros, os trabalhadores do futebol, não defendemos penáltis nem marcamos golos», afirma, reivindicando o seu ofício.

A decisão de se retirar é motivada, em parte, pela mudança no mundo do futebol e pelas críticas que agora sente mais. «Com 25 anos aguentas, agora com 65 não aguento», admite, sendo que Ferrer é crítico em relação à atitude de alguns jogadores atuais. «Antes, os futebolistas eram primeiro pessoas e depois futebolistas. Não quero que nenhum futebolista se zangue, mas que reflitam um pouco».

Entre as muitas histórias, Raimon Ferrer alimenta a lenda do fantasma do estádio que, segundo uma anedota do ex-jogador e internacional português Duda, impede golos dos adversários. «Acontecem coisas, e quase sempre foi a favor do Levante», comenta Ferrer, entre risos.

Apesar da despedida, o seu vínculo com o clube permanece inabalável. «O Levante e eu fomos um casamento, para o bem e para o mal», afirma, garantindo que a união nunca acabará: «Vamos cavalgar sempre juntos».

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