João Palhinha chegou e logo se impôs como o novo patrão do meio-campo (Foto IMAGO) - Foto: IMAGO

O João Palhinha de sempre agora num palco diferente (as notas do Benfica)

Os sentimentos são abstratos mas a exibição do novo ai-Jesus dos adeptos encarnados foi bem realista. O grego Pavlidis coloca o Benfica a dançar como Zorba

Samuel Soares (5) — Bem poderia ter levado uma cadeira para assistir ao jogo e poucas vezes precisaria de se ter levantado. Teve uma noite bastante tranquila, dada a inépcia ofensiva do Estoril até à reta final do encontro, momento em que Begraoui o bateu num remate em que não teve qualquer hipótese.

O melhor em campo: João Palhinha (7)

É o novo ai-Jesus dos adeptos benfiquistas, não tivesse ele sido formado no arquirrival e estado no pensamento dos dirigentes do outro lado da Segunda Circular. Mas os sentimentos são abstratos e a exibição de João Palhinha não foi um filme de Buñuel ou um quadro de Salvador Dali, mas sim do realismo que a todos habituou. Portanto, o palco pode ter mudado mas o médio foi de sempre: intenso, físico, líder e organizador. Podem mudar as cores, não muda a atitude. Foi a primeira amostra, mas os tubos de ensaios não partiram na experiência. Não entrou de início mas entrou diretamente para o coração dos seus novos apaixonados. Parece incontestável que está encontrado o titular para  a posição 6. O investimento encarnado foi forte, porém, a rentabilidade desportiva será, ao que tudo indica, alto. Mas foi só o primeiro jogo...

Bah (6) — Muita propensão ofensiva a dinamizar o flanco direito, sem demonstrar ter saído de um período de paragem prolongada. Não é um lateral dado a grandes espalhafatos, no entanto, cumpre com eficácia.

Tomás Araújo (5) — Passou ao largo de trabalhos forçados e até deu bons indicações na capacidade de construção. Contudo, falhou no posicionamento no golo canarinho, visto que era o responsável por fechar a marcação a Begraoui.

Lenglet (6) — Ninguém lhe retira o mérito do golo marcado, daqueles para ver e rever incansavelmente. Todavia, a principal missão de um defesa continua a ser defender, e na abordagem a Begraoui demonstrou excessiva brandura. Com maior contundência (e sem arriscar o penálti), poderia ter travado o remate certeiro do franco-argelino.

Dahl (6) — Participou no lance do primeiro golo e soltou-se na fase final do encontro, obrigando Joel Robles a uma grande defesa (77’). Numa altura em que ganha ritmo e confiança, chega El Karouani para aumentar a concorrência. Mas assim é a vida de um futebolista.

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Barrenechea (6) — Estava a funcionar como a placa giratória do meio-campo, aplicando variações de jogo interessantes, até ao instante em que sofreu um choque e ficou lesionado. Ainda tentou continuar em sacrifício, mas o corpo cedeu e teve de ser substituído, acabando com o prémio limão pelo azar. Porém, a julgar pela amostra, terá de evoluir bastante para discutir a titularidade.

Leandro Barreiro (5) — Menos intenso do que o habitual e com pouca presença em zonas de finalização. Manteve a entrega exemplar de costume, mas pecou na falta de lucidez. Numa avaliação escolar, não passaria de um 'suficiente'.

Rafa (5) — Sem o espaço habitual na profundidade para explorar as costas da defesa adversária, foi tentando criar perigo, mas desta vez até os passes saíram sem a precisão habitual. Louve-se o empenho, mas a exibição ficou-se por aí.

Sudakov (5) — Continua a acusar um problema já antigo: as ideias são excelentes, mas a execução deixa a desejar. E a prática é o critério da verdade, pouco mais há a dizer sobre a exibição do ucraniano. Nota positiva, ainda assim, para a fluidez que conferiu à circulação de bola, embora longe das imediações da área.

Prestianni (7) — Se a FIFA criou a ‘Lei Prestianni’ por causa do célebre jogo com o Real Madrid, o argentino assina agora uma nova norma no universo encarnado: a da qualidade de jogo constante e tomadas de decisão acertadas, ainda que sem o brilhantismo fulgurante demonstrado frente ao Aarhus.

Pavlidis (7) — Tal como no clássico do cinema 'Zorba, o Grego', em que Anthony Quinn imortalizou uma dança marcante, este Benfica também se exibe ao ritmo da música grega de Vangelis Pavlidis. Trabalha incansavelmente para o coletivo e, quando a equipa entra em apuros, surge o golo do camisola 14 a desbloquear a partida. Já soma 11 tentos esta temporada.

Schjelderup (5) — Colou-se à ala esquerda e teve reduzido impacto na partida. Ofereceu mais vertigem, mas revelou muito menos critério do que Prestianni.

Gonçalo Moreira (4) — Denotou muita vontade, mas faltou-lhe discernimento nos momentos de decisão.

Durán (5) — Bastante rotação e correria, contudo esteve pouco em jogo.

Lukebakio (3) — Uma exibição inconsequente e pontuada por demasiada displicência.

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