Portugal entrou em turnover! (crónica)
Com a dupla necessidade de ganhar para tentar integrar o lote dos três primeiros lugares do Grupo I — que garantem a qualificação — e de não deixar que o adversário (que tinha os mesmos 11 pontos) nos ultrapassasse, Portugal entrou, esta segunda-feira, em completo colapso por turnovers na 2.ª parte em Matosinhos e viu-se batido pela Geórgia por 90-98 (24-16, 18-25, 24-29, 24-28), em jogo da 2.ª jornada da segunda fase de qualificação para o Mundial Qatar-2027.
Por mais descontos de tempo que Mário Gomes pedisse — e no último quarto foi obrigado a fazê-lo duas vezes, separados por apenas 1.40m, ao ver a diferença saltar de 66-76 para 66-83 —, na verdade a Seleção começou a perder-se em campo ainda no 2.º quarto, mas as coisas agravaram-se por completo com o 3.º e 4.º períodos.
Se ao intervalo os anfitriões ainda lideravam por 42-41, um comando que haviam conseguido graças a um parcial de 12-0 (17-9), em que as movimentações e rotação de bola, aliadas a uma boa pressão defensiva, permitiram que Rúben Prey (15 pts, 2 res) e Travante Williams (12 pts, 3 res, 3 rbl) fossem fazendo funcionar o marcador enquanto Neemias Queta (20 pts, 11 res, 3 ass, 4 dsl) ia intimidando o adversário na área defensiva, após o intervalo tudo mudou.
Os homens de Aleksandar Dzikic, sob a batuta de Marcquise Reed (13 pts, 6 ass), decidiram resolver as coisas a jogar por fora. Deram o primeiro safanão no resultado com uma sequência de 2-9 (34-33), em que o extremo/poste Tornike Shengelia (26 pts, 6 res, 3 ass) assinou cinco desses pontos.
Não deu para retirar Portugal da frente, onde estava desde os 10-9, mas, apesar de Travante e Rafael Lisboa terem ajudado a disfarçar um pouco o que estava a acontecer, permitiu ir retirando os Linces do seu jogo e obrigá-los a inventar, tornando a partida mais física, atlética e com maior pressão. De tal forma que, por duas ocasiões (39-38, 42-41), os donos da casa estiveram perto de serem obrigados a abrir mão da liderança.
A ida ao balneário poderia ter sido boa para colocar as coisas no lugar e para Portugal, através da sua defesa, limitar a Geórgia e sem espaços para lançar.
Dois triplos de Diogo Ventura (8 pts) e Diogo Brito (11 pts, 4 res) no recomeço (48-41) alimentaram tal esperança. Mas não por muito tempo. Foram os georgianos que surgiram ainda mais pressionantes e retiraram as linhas de passe e o ritmo a Portugal.
Com um parcial de 0-10 (52-57) passaram para a frente e, se até então as idas à linha de lance livre os haviam sempre ajudado a manter-se no jogo (17/21, 81%), agora os triplos (11/32, 34%) contribuíam para a revolução em campo. Marcaram cnco no período, com Rati Andronikashvili (20 pts), Sandro Mamukelashvili (22 pts, 6 res, 4 ass) e o terrível Tornike Shengelia (4/8 de três pontos, 6 res, 3 ass) em destaque.
Após terem chegado ao intervalo com apenas 6 perdas de bola, os Linces, que sofreram um parcial de 2-15 (!) nos primeiros 4.25 minutos do último quarto e entraram em completo acumular de turnovers. Podia ser apenas os lançamentos não entrarem, mas não. A equipa que tão bem se tem dado a jogar sem Neemias em todas as qualificações, ou a encontrar soluções quando este não pode estar em campo, ficou sem ideias e quis colocar a bola em espaços, principalmente dentro da área, que não existiam. Sobretudo para o poste, bolas que foram facilmente intercetadas.Portugal terminou com 19 (!) turnovers.
A partir do momento em que se apanhou com a vantagem máxima de 17, a Geórgia passou a controlar o tempo de ataque. Prey e Neemias ainda reduziram para 78-87 a 3.10 min do apito final, mas Portugal nunca ameaçou recuperar o comando, nem perturbou a Geórgia que, mesmo sem se impor no garrafão (42-32), teve nas perdas de bola provocadas (19-13) o rastilho para levar a melhor no contra-ataque (13-22) e na concretização de cestos após turnovers (20-26).
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