Nuno Lobo, antigo presidente da AF Lisboa e ex-candidato a presidente da FPF (foto: Miguel Nunes)
Nuno Lobo, antigo presidente da AF Lisboa e ex-candidato a presidente da FPF (foto: Miguel Nunes)

«O Benfica não tem para Pedro Proença a dimensão que devia»

Nuno Lobo desafia Rui Costa a tomar posição mais assertiva

Nuno Lobo, antigo presidente da Associação de Futebol de Lisboa, e candidato derrotado por Pedro Proença nas últimas eleições para a presidência da Federação Portuguesa de Futebol, falou detalhadamente, no Final Cut, podcast da Sports Tailors, sobre a proposta que apresentou ao Benfica, entre outros temas.

Proposta

«Entreguei na secretaria-geral uma carta no sentido de pedir agendamento de uma proposta na próxima assembleia geral ordinária, entre setembro e outubro, para que seja incluída um ponto na ordem de trabalhos em que peço que seja discutida e votada a retirada do apoio formal do Benfica a Pedro Proença na presidência da Federação Portuguesa de Futebol, e para que o clube retire também a confiança política institucional ao presidente, não à Federação. Para que de uma vez por todas os sócios possam deliberar. Sim, ou não, à confiança em Pedro Proença. Jamais serei candidato a presidente da Federação. Foi um desafio que lancei, abracei, mas terminou. Os sócios escolheram e sou democrata, aceito o resultado. Não pode aqui haver leituras se Nuno Lobo está a querer marcar agenda e fragilizar Pedro Proença. Estou na condição de sócio do Benfica de 28 anos.»

Esta decisão não pode ser entendida como ataque à Direção do Benfica?

«Não. O que estamos a assistir é o Benfica a retirar paulatinamente o apoio a Pedro Proença. As últimas palavras do presidente Rui Costa é que com Pedro Proença haverá tolerância zero. Ora, o clube não pode ter tolerância à segunda-feira, ter confiança à quarta e dar-lhe apoio à sexta. Por isso, desafio a própria Direção a subscrever esta proposta. A oportunidade de Rui Costa recuar na sua posição de apoio a Pedro Proença. O presidente Rui Costa, a conjuntura atual, é diferente do que dizia há um ano, falta ser consequente, não basta dizer que terá tolerância zero. Palavras. Aqui haverá a hipótese dos associados formalmente terem uma posição clara. Queremos ou não ser nós, Benfica, a liderar um novo paradigma para o futebol português?»

Teme a reação dos benfiquistas?

«Não conheço que algum sócio, que tenha vindo ter comigo, que não pergunte porque não ganhei ao Pedro Proença. A posição que têm julgo que é quase unânime. Sempre o respeitei como meu árbitro, na condição de presidente da Associação de Futebol de Lisboa. Mas depois, no trajeto enquanto presidente da Liga e da Federação, o Benfica é prejudicado, não é tido nem achado, não tem para Pedro Proença a dimensão que devia ter. O Benfica não é respeitado, não apenas por Proença, muito por culpa da liderança de Rui Costa que, porém, respeito.»

Como comenta o facto de os árbitros se prepararem para retirar espaços de análise?

«É um retrocesso total, contra a corrente do que tem sido feito desde 2013/14, estamos a assistir a um passo atrás no que de bom se fez.»

Como comenta a demissão de Duarte Gomes da direção técnica da arbitragem

«Desconfio muito destas saídas. Duarte Gomes foi um grande apoiante de Pedro Proença. Acho que tudo isto é um bocadinho feito para andarmos à deriva e esquecermos alguns pontos de ausência total de trabalho da Direção de Pedro Proença [...] A leitura que faço é que foi para deitar abaixo o Conselho de Arbitragem, Luciano Gonçalves, mas correu mal. Talvez Luciano saiba mais do que Pedro Proença pensava, acho que é uma guerra de comparsas. Pedro Proença não é a figura externa de abraços, é aquilo [dos áudios], a pessoa super-competentíssima.»

A leitura que faço é que foi [demissão de Duarte Gomes] para deitar abaixo o Conselho de Arbitragem, Luciano Gonçalves.

Benfica foi coagido?

«Nos áudios que vieram a público e não foram desmentidos por nenhum interveniente, Pedro Proença diz que foram descontextualizados, mas não disse que não disse aquilo, fica provado que o Benfica foi coagido. E o Benfica não tem dimensão para ser coagido por um qualquer candidato a presidente da Federação, o Benfica não devia, não podia ter sido coagido daquela forma.»

Fica provado que o Benfica foi coagido. E o Benfica não tem dimensão para ser coagido por um qualquer candidato a presidente da Federação.

Áudios não seriam suficientes para Proença demitir-se?

«Aquele tipo de linguagem, que não foi desmentida, jamais a teria. Se por acaso num ato de loucura tivesse esse comportamento, o único caminho a seguir seria demitir-me de presidente da Federação Portuguesa de Futebol. Aliás, José Fontelas Gomes é vice-presidente da Federação. Foi achincalhado, mas ainda ontem o vi aos abraços e a bater palmas ao lado de Pedro Proença. E porquê? Deve ter um grande ordenado na Federação. Só vejo isso…»

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