Pavlidis bisou na vitória do Benfica sobre o Gil Vicente (foto: Sérgio Miguel Santos)
Pavlidis bisou na vitória do Benfica sobre o Gil Vicente (foto: Sérgio Miguel Santos)

O aviso da véspera não dispensou o 'Auto de Fé' (crónica)

Marco Silva alertou para as dificuldades que a época vai apresentar e o Benfica não esteve longe de deixar fugir mais dois pontos em casa, mas acabou a dar a volta ao Gil Vicente com golos ao cair do pano

Embora seja conhecido sobretudo pela Trilogia das Barcas e pelo Auto da Índia, Gil Vicente escreveu também o Auto da Fé, título que se adapta bem ao sofrido triunfo do Benfica sobre a formação que presta homenagem ao dramaturgo.

Foi na crença que a equipa de Marco Silva conseguiu dar a volta ao jogo, disfarçando assim uma exibição menos empolgante do que as anteriores. Há dias assim, mas desta feita o Benfica venceu, ao contrário do que tinha sucedido nas visitas a St. Gallen e Hearts, as ocasiões anteriores em que também esteve em desvantagem.

Marco Silva já tinha colocado um travão na euforia, de véspera, ao avisar que o caminho é longo e que as águias ainda terão de ultrapassar duras batalhas. O golo de Héctor Hernández, logo ao minuto sete, fez ver aos adeptos que a conversa é para levar a sério.

Organizada defensivamente em 5x2x3, a formação orientada por Luís Pinto reforçou a última linha, acautelando até os movimentos de rutura de Leandro Barreiro, mas destacou-se sobretudo pela forma como preencheu o corredor central, reduzindo a influência de Prestianni e Rafa.

O Benfica só entrou no jogo quando Prestianni e Schjelderup começaram a associar-se pela esquerda, até porque a estratégia do Gil Vicente procurava canalizar o adversário para o lado oposto.

As águias sentiram muitas dificuldades para criar situações de finalização e tiveram alguma felicidade no lance do empate, assinado por Pavlidis (29'), embora o grego já antes tivesse desperdiçado soberana ocasião para marcar, então de cabeça (20').

O Benfica mostrou-se também mais passivo na reação à perda, até porque Enzo Barrenechea não tem a área de influência de Palhinha, lançado por Marco Silva apenas ao minuto 58, juntamente com Aursnes.

Os encarnados melhoraram a partir daí, até porque o Gil Vicente nada incomodava ofensivamente, a ponto de fazer o segundo remate ao minuto 70. Pouco antes Pavlidis ficou a lamentar uma finalização à figura de Lucão, quando tinha tudo para consumar a reviravolta, e Schjelderup também ficou perto do golo na cobrança de um livre direto.

Lukebakio teve também entrada positiva, mais tarde, mas foi o estreante Claudio Echeverri, que entrou a par do belga, a deixar sinais mais promissores.

Isto falando dos jogadores que saíram do banco, pois o destaque global voltou a ser outro argentino. É verdade que foi um bis de Pavlidis a garantir a reviravolta do Benfica, na cobrança de um penálti a o minuto 88, a punir falta ingénua de Touré sobre Aursnes, mas segundos antes os ferros da baliza do Gil Vicente tinham abanado com um remate espetacular de Gianluca Prestianni. Aquele movimento típico, a levar a bola da esquerda para o meio, que repetiu mais tarde para fechar as contas do jogo com um golaço aos 90+3.

Um minuto antes o Gil Vicente tinha deixado o público da Luz em suspenso, por segundos, mas Samuel Soares fez-se maior do que no lance do golo de Héctor Hernández e saiu aos pés de Andreas Lausen para evitar o empate.

O Benfica respirou depois de alívio com o 3-1 de Prestianni, mas o jogo com o Gil Vicente veio reforçar o aviso deixado de véspera por Marco Silva: o caminho é longo, mas é sempre melhor analisar o sacrifício com a satisfação de ganhar.

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