Djé teve Paciência e açorianos seguem invictos (crónica)
Seis jornadas e o Santa Clara continua sem perder na Liga. Em Arouca, os açorianos deram mais uma demonstração da sua valia e confiança que têm marcado o futebol seguro e organizado que pratica.
A confiança é um motor importante para o sucesso, seja pessoal ou profissional. No futebol, o fator psicológico é muitas vezes o elemento diferenciador entre equipas com o mesmo nível técnico e, quanto maior for a confiança, quer coletiva como individual, mais perto se está do êxito. Neste início de temporada, Arouca e Santa Clara estão, claramente, com a confiança em alta, e isso também ficou refletido nas escolhas iniciais dos dois treinadores, com Vasco Seabra a mudar apenas uma peça no onze, com o regresso de Javi Sánchez após lesão, e Petit a manter o onze que goleou o Rio Ave.
A confiança do coletivo também advém da individual e nesse capítulo o Santa Clara tem elementos que estão, claramente, com ela muito elevada, como é o caso de Gonçalo Paciência. O avançado, apesar de não ter marcado nos dois jogos anteriores, manteve a segurança nas suas capacidades e voltou aos golos, abrindo o marcador, finalizando um envolvimento coletivo dos açorianos pela direita, que envolveu Vinícius Lopes e Djé Tavares, com o médio a servir o avançado, para colocar, com classe, a bola junto à base do poste direito. Lá está, a tal confiança coletiva e individual a fazerem a diferença.
E Djé Tavares, que assistiu Paciência no primeiro, também a tem (a confiança) em grande quantidade, ficando esse estado ainda mais vincado quando alargou a vantagem açoriana. O médio saiu da esquerda para partir, sem hesitar, para cima de dois adversários, desenquadrando-os, para colocar depois a bola no poste mais perto, surpreendendo Arruabarrena.
Com segurança, os açorianos resistiram ao golo de Barbero a abrir a segunda metade e que deixou os lobos vivos na discussão do resultado, numa reação feita com mais intensidade e que os aproximou da baliza de Lucas França. Mas, verdade seja dita, o guarda-redes até nem passou por situações complicadas, nem mesmo quando o Santa Clara ficou reduzido a dez, após expulsão de Sorriso, que viu duplo cartão amarelo dois minutos depois de ter entrado. Até porque, Petit já tinha trancado os caminhos para a baliza com a entrada de Henrique Silva, passando a defender com uma linha de cinco.
Os três pontos viajaram de forma justa para os Açores, com o Arouca a perder pela primeira vez em casa e a ficar distante do produziu anteriormente.
Com um golo no início da segunda metade – o quarto que marcou nesta edição da Liga e que revela o bom momento que atravessa -, devolveu a esperança aos lobos, recolocando-o na discussão do resultado. Não deu para evitar a derrota, mas o esforço do avançado foi evidente e esteve perto de o conseguir, evitado por um corte providencial de Lucas Soares nos descontos, quando se preparava para finalizar so com Lucas França pela frente.
As notas dos jogadores do Arouca (4x2x3x1): Arruabarrena (5), Tiago Esgaio (5), Javi Sanchéz (5), José Fontán (5), Lebedenko (5), Van Ee (5), Fukui (5), Trezza (5), Gozálbez (5), Djouahra (6), Barbero (6), Mateo Flores (5), Pedro Santos (5), Rukavina (5), Mansilla (4) e Mayulu (4)
Como tem crescido o cabo-verdiano da Calheta no Santa Clara. Titular em todos os jogos, o médio de 23 anos assinou uma exibição de grande nível, assinalada com um golo e uma assistência. No tento demonstrou coragem em assumir um lance em que teve de se livrar da oposição de dois adversários, antes de colocar com intenção a bola no canto inferior direito da baliza, surpreendendo Arruabarrena.
As notas dos jogadores do Santa Clara (4x3x3): Lucas França (5), Lucas Soares (6), Pedro Pacheco (6), Emanuel Moreira (6), Guilherme Romão (5), Djé Tavares (7), Pedro Ferreira (5), Tiago Ribeiro (5), Vinícius Lopes (6), Gonçalo Paciência (7), Brenner Lucas (5), Daniel Borges (5), Fernando (5), Welinton Torrão (5), Henrique Silva (5) e Sorriso (2).
Vasco Seabra, treinador do Arouca
«Não entrámos bem, mas também não entrámos mal. Os últimos 15 minutos da 1.ª parte foram caóticos para nós, que não tem a ver com aquilo que somos enquanto equipa, fruto também de termos sofrido o segundo golo e a equipa se ter perdido. E quando não somo altamente focados e ligados enquanto equipa, sabendo aquilo que procura fazer, ficamos muito expostos a transições e fragilidades, defrontado, ainda por cima, uma equipa que é muito forte nesse momento e colocamo-nos a jeito. Não fomos o Arouca habitual, nos primeiros 45 minutos.»
Petit, treinador do Santa Clara
«Duas partes distintas. Uma boa 1.ª parte nossa, em que fizemos dois golos e tivemos mais duas ou três oportunidades. Tínhamos avisado que na 2.ª parte eles iriam reagir e que tínhamos de aguantar os primeiros minutos e na perdemos uma bola que deu o canto e o golo. Há uma reação da parte do Arouca, mas não criou muitas oportunidades. É um resultado justo por aquilo que foi a 1.ª parte e o que criámos. Vê-se a atitude e compromisso que os jogadores metem em cada jogo.»