«O Al Hilal é o Real Madrid da Ásia»
Esteve Calzada, diretor executivo do Al Hilal, analisa o crescimento do futebol saudita e a dimensão do clube que lidera, comparando-o ao gigante espanhol Real Madrid. O executivo catalão, com passagens por Barcelona e Manchester City, acredita no potencial da liga e na sua sustentabilidade.
Numa entrevista ao jornal AS, em Riade, Esteve Calzada, diretor executivo do Al Hilal há dois anos, abordou a transformação do futebol na Arábia Saudita, descrevendo o clube como «o Real Madrid da Ásia». O dirigente, que anteriormente ocupou cargos de Direção no Barcelona e no Manchester City, confessou que o projeto do Al Hilal foi o único que o fez deixar o clube inglês após doze anos.
O país está em plena transformação com o futebol como elemento central. O Al Hilal é um projeto espetacular, com a pressão de ganhar a que já estou acostumado
«O país está em plena transformação com o futebol como elemento central. O Al Hilal é um projeto espetacular, com a pressão de ganhar a que já estou acostumado», afirmou Calzada, sublinhando que a dimensão do clube superou as expectativas: «É ainda mais gigante, mais ambicioso, mais líder do que eu imaginava. Já sabia que era o clube mais importante, mas aqui percebes que tens a responsabilidade de dirigir um clube com expectativas altíssimas, onde se espera que ganhemos sempre.»
Um dos principais desafios, segundo Calzada, é tornar o clube autossuficiente: «É um desafio conseguir que o clube seja cada vez mais autossuficiente, gerando os seus próprios recursos. De facto, nos últimos dois anos, duplicámos a faturação. Colocamo-nos ao nível dos 20 clubes com maior faturação da Europa.»
Questionado sobre a sustentabilidade financeira do futebol saudita, Calzada mostrou-se otimista, apontando a fiscalidade como um fator competitivo crucial. «Claro que pode ser sustentável. A ausência de impostos torna-nos duas vezes mais competitivos do que a Europa em relação ao que podemos oferecer», explicou.
Embora exista um programa governamental para a contratação de alguns jogadores, o Al Hilal também gera as suas próprias receitas através de patrocínios e vendas, contando ainda com o apoio do príncipe Al Waleed bin Talal. «No final, trata-se de ganhar, e tudo o que não seja ganhar é um fracasso».
A paixão dos adeptos foi outro aspeto que surpreendeu o dirigente: «O crescimento da liga saudita baseia-se numa necessidade orgânica dos adeptos, porque eles gostam realmente de futebol. São loucos por futebol. Não é como quando fomos à China e vimos que não vingou por não haver uma base de adeptos real.»
Sobre a contratação de Karim Benzema, Calzada destacou o seu impacto desportivo. «Estamos muito satisfeitos com a chegada de Benzema. É a primeira vez que temos um Bola de Ouro a jogar aqui. O impacto é espetacular, mas não é uma contratação estratégica do ponto de vista comercial, e sim meramente desportiva».
Por fim, o diretor executivo do Al Hilal acredita firmemente no futuro da liga saudita, afirmando que o seu crescimento é uma certeza «a cem por cento» e que, se o clube competisse na UEFA Champions League, «daria luta, de certeza».
O projeto do futebol saudita «veio para ficar», com o Mundial 2034 no horizonte e a ambição de continuar a atrair grandes estrelas, como Cristiano Ronaldo, Neymar e Benzema, para elevar o nível da liga e gerar novas fontes de receita para os clubes.
A vinda de nomes como Cristiano Ronaldo e Neymar criou um efeito de arrasto, facilitando a chegada de outros jogadores que, ao comunicarem entre si, partilham a boa experiência de vida no país, a fácil adaptação das famílias e as infraestruturas de primeiro nível.
Elogios a Rúben Neves
Um caso de sucesso é o de Rúben Neves, que, apesar de ter propostas de grandes clubes europeus, renovou recentemente contrato, demonstrando um «rendimento espetacular». A prova de que a liga saudita já não é vista como «menor» é que os jogadores continuam a ser convocados para as suas seleções, como aconteceu com Bono (Marrocos) e Koulibaly (Senegal) na CAN, ou com Laporte, que continua a representar a seleção espanhola.
Com a vinda de grandes nomes, já não é surpreendente que se fale de outros, como Vinícius Jr.: «Falar-se-á de todos os grandes jogadores e, como já vieram alguns, não surpreende tanto que possam vir outros.»