'Ninja style', o mítico festejo de David Nzanza, do Leça - Foto: Leça
'Ninja style', o mítico festejo de David Nzanza, do Leça - Foto: Leça

Nzanza: o Ninja de Leça da Palmeira faz sonhar com a Liga 3

Veio para Portugal representar o SC Braga, saiu depois para a Chéquia, mas é no Leça que David Nzanza está agora a dar que falar. Com nove golos nos últimos onze jogos, o amigo do ídolo Vitinha sonha com uma chamada aos Palancas Negras

David Nzanza - o homem de quem se fala, em Leça da Palmeira. O angolano, nascido em 2003, chegou a Portugal ainda em idade júnior, há quatro anos, para jogar nos sub-19, sub-23 e equipa B do SC Braga. No Minho, onde aterrou oriundo do Interclube (pelo qual se estreou no campeonato angolano com apenas 17 anos) participou em 39 duelos e marcou quatro golos.

Em 2023/24, o extremo cessou a sua ligação com os guerreiros e rumou à Chequia, onde atuou (primeiro) no Znojmo e (depois) no Baník Ostrava. No entanto, em entrevista a A BOLA, o avançado, de 22 anos, assumiu que não foi feliz e regressou, então, ao futebol português pela porta daquele que descreveu como um «histórico».

«Ir para a Chéquia não foi uma experiência positiva para mim», assumiu o jogador, antes de dizer que, das propostas que teve para regressar a Portugal, a do Leça foi a que lhe transmitiu mais confiança. David Nzanza acredita agora, depois de alguns meses, que o clube do concelho de Matosinhos foi uma aposta certeira: «Acolheram-me como um filho. Aqui, mais do que amigos, encontrei uma família. Deram-me a confiança para ser o que sou hoje. Agradeço muito ao Leça. E, quando digo Leça, falo do grupo todo.»

Nzanza vive um grande momento pelo emblema leceiro - Foto: Leça

A época arrancou a 10 de agosto, mas só passado três meses é que o atacante teve a primeira titularidade. Até aí, em sete jogos a sair do banco, David Nzanza só tinha marcado um golo. O craque ainda voltaria aos suplentes, mas, no encontro a seguir, regressou ao onze, do qual não mais saiu até hoje.

O atleta nascido em Luanda é titular há onze partidas consecutivas e tem, agora, respondido com tentos (e muitos): são já nove, numa média de quase um por jogo.

«Primeiro comecei a jogar a extremo esquerdo, e não tinha tantas obrigações em relação a golos. Ou seja, aquela coisa de 'tenho de fazer golo, tenho de fazer golo'. Eu sabia que tinha que marcar, mas não era como jogar a ponta de lança. Depois, quando mudei de posição, comecei a perceber essa necessidade de marcar, porque é uma posição que obriga a isso», disse o jogador, esclarecendo que apenas o facto de ser titular não explica tudo na sua melhoria no que toca à estatística ofensiva.

O que é certo é que David Nzanza tem a pontaria cada vez mais afinada, possivelmente, fruto de uma pressão positiva: «Eu sei que, se estiver a ser titular, tenho de marcar. Caso contrário, terei de sair para dar lugar a outro. Isso está sempre na minha cabeça. E a confiança também ajudou, porque, depois de marcar o primeiro golo, mantive a titularidade e continuei a marcar.»

Atualmente, o n.º 24 do Leça está numa sequência de quatro desafios consecutivos a faturar.

Nzanza tem dez golos em 20 jogos pelo Leça - Foto: Leça

Festejo especial do grande amigo do FC Porto B

O Ninja de Leça da Palmeira - assim é conhecido David Nzanza. A culpa? É de Domingos Andrade, jogador do FC Porto B. «Eu e o Domingos crescemos juntos em Angola. Jogámos [no Interclube] e depois também fomos para a seleção [sub-17], sempre juntos. Depois, vim eu primeiro para Portugal e ele veio a seguir [para o Sporting, em 2022], e a amizade continuou», detalhou.

Nzanza ladeado do amigo Domingos Andrade, nos tempos do Interclube, em Angola - Foto: D.R.

Curiosamente, foi esse amigo especial que deu origem a um dos festejos mais especiais do atual Campeonato de Portugal: o Ninja style.

«O Domingos fazia sempre essa celebração, porque ele gostava de ver o Ninja [desenho animado] e uma vez disse-me: 'a partir de hoje o meu festejo vai ser esse'. E eu depois comecei a marcar os golos e também comecei a fazer esse festejo de Ninja. Perguntei-lhe e ele disse-me que não havia problema e que eu também podia fazer», confidenciou.

David Nzanza partilha o festejo do 'Ninja' com o amigo Domingos Andrade - Foto: Leça

Vitinha (o outro) é ídolo e amigo

Por falar em amigos… David Nzanza tem um que também é ídolo: Vitinha, do Génova.

«Tenho dois ídolos no futebol», disse o avançado, referindo-se a dois craques que, curiosamente, competem no campeonato italiano. «Primeiro é o Vitinha e depois o Vardy [Cremonese]. São rápidos e bons nas roturas», acrescentou, lembrando que o português, com quem partilhou balneário no SC Braga, «sabe que é uma referência» para ele.

Tal como os jogadores supramencionados, o ponta de lança do Leça descreve-se como um jogador «muito veloz» e que sabe «ler bem o jogo». «No entanto, o que gosto mesmo de fazer é marcar golos», lembrou.

Nzanza tem Vitinha e Vardy como principais referências - Foto: Leça

Sonha com os Palancas Negras

David Nzanza sonha com uma chamada à seleção principal de Angola: «Estou a trabalhar para isso. Neste momento, em que estou em forma, vou agradecer bastante se tiver a oportunidade de representar a minha bandeira e vou fazê-lo com um orgulho imenso», acrescentou.

O jovem atleta tem ainda outro grande objetivo de carreira: «Jogar a Liga dos Campeões. Tento aproveitar cada oportunidade que tenho no dia a dia, para chegar a patamares mais altos.»

Leça, um clube «muito, muito» especial

Em entrevista a A BOLA, o talismã leceiro assumiu o objetivo do clube de subir ao terceiro escalão do futebol português: «O Leça é um clube histórico e centenário, tem de estar noutro patamar e estamos a trabalhar para isso. O objetivo é a Liga 3

Atualmente, 2.º classificado na Série B do Campeonato de Portugal, com 41 pontos - mais dez do que terceiro, Florgrade, a cinco rondas do fim, e apenas com um super Rebordosa (51 pontos e ainda sem derrotas) à frente -, o Leça tem a presença na fase de subida praticamente garantida.