Foi o avançado de Portugal na Coreia do Sul e no Japão, num desafio que deixou marcas até hoje

Nuno Gomes, 2002: «Desfrutem do momento, joguem o que sabem que é muito»

Foi o avançado de Portugal na Coreia do Sul e no Japão, num desafio que deixou marcas até hoje

— Chegaste a esse Mundial depois de uma experiência marcante emocionalmente na Fiorentina, onde jogavas, pois o clube vivia tempos atribulados. Depois do Mundial regressaste ao Benfica e foi um ponto de viragem na tua carreira?

— Eu tinha ido para a Fiorentina com grandes expectativas e correu tudo muito bem no primeiro ano e ganhámos inclusive a Taça de Itália. Mas, depois o clube entrou por um caminho difícil, com muitos problemas financeiros que acabaram por determinar a falência na época seguinte. E os jogadores ficaram livres no mercado e eu decidi voltar para o Benfica. Foi depois do Mundial que os contactos com o Benfica se intensificaram e acabei por conseguir cumprir o desejo de regressar.

Nuno Gomes com a camisola 21 que usou no Mundial 2002

— Foste orgulhosamente o camisola 21 de Portugal?

— Sem dúvida alguma. Eu a nível de Mundiais, infelizmente acabo por chegar às fases finais do em que participei, em 2002 e depois em 2006, com lesões que não me deixaram estar no mesmo patamar que os meus colegas. Em 2002 no tornozelo. Em 2006 foi numa lesão que tive no joelho. Mas, olhando para as camisolas da Seleção que tenho em casa, como esta, é maravilhoso. Quando era miúdo e vivia em Amarante, as primeiras memórias que tenho do futebol são do Europeu de 84, de ver o Chalana e o Jordão jogarem. Infelizmente perdemos contra a França. Outra vez os franceses… (Risos) Depois lembro-me do Mundial do México em 86. Recordo-me de sonhar um dia vestir a camisola da Seleção e participar assim numa fase final de uma competição tão importante como é um Europeu ou um Mundial. Desde cedo tive a sorte também de começar a vestir a camisola da Seleção. Participei no Mundial de Sub-20 e também vi os Mundiais que vencemos em 1989 e 1991. Poder realizar esse sonho que temos em miúdos enquanto vamos construindo a carreira é único, com o culminar de jogar um Mundial pela Seleção. Acho que o momento mais alto de uma carreira desportiva de um jogador são essas competições. Ter feito dois Mundiais e três Europeus é um motivo de grande orgulho. Agora, olhando para trás e olhando para as camisolas que muitas vezes mostro aos meus filhos é muito gratificante. Digo-lhes que agora estão a fazer a caderneta de cromos, mas em tempo também o pai deles esteve ali, na caderneta. É um motivo de orgulho incrivel.

— Já sentiste o peso de representar Portugal. O que te peço é que deixes uma mensagem para aqueles que agora vão estar no lugar que em tempos também foi teu, e vão representar Portugal, este ano nos Estados Unidos.

— Acima de tudo, desfrutem do momento. Nós temos uma Seleção com muita qualidade e muito talento em todas as zonas do campo. Sinceramente estou com grandes expectativas em relação à vossa prestação, e agora estou a falar diretamente para os jogadores da Seleção. Desfrutem do momento, joguem o que sabem que é muito. Que sorte vos acompanhe, porque para chegarmos àquilo que nós todos queremos também é preciso ter sorte. É preciso que os astros se alinhem. Que as coisas corram todas bem, porque talento não falta e a qualidade é muita. Espero poder ver-vos de regresso a Portugal com a taça nas mãos. É o que nós queremos.

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