Nuno Borges avança para os oitavos do Masters de Paris : «É um trilhão de emoções»
Nuno Borges qualificou-se para os oitavos de final do Masters 1000 de Paris ao vencer o russo Karen Khachanov em dois sets, numa das exibições mais convincentes do tenista número português esta temporada.
O maiato, número 49 do ranking mundial ATP, que ganhou uma nova vida como lucky loser (repescado) após ter perdido ainda na qualificação, impôs-se com autoridade ao adversário, n.º 25 da hierarquia e campeão do torneio parisiense em 2018, pelos parciais de 6-3 e 6-4.
O português não enfrentou pontos de break e aproveitou um em cada set para vencer em 73 minutos, conquistou 24 winners e cometeu apenas 14 erros não forçados, alcançando pela sexta vez na carreira os oitavos de final de um Masters 1000, a primeira em Paris, feito que era inédito por um tenista luso.
Borges vai defrontar na terceira ronda Ignacio Buse, n.º 33 do ATP, que derrotou, com surpresa, o russo Daniil Medvedev, por duplo 6-4. Será o segundo encontro entre ambos, depois de o peruano ter batido o português na Taça Davis em 2025.
Com uma exibição assente no poderio do serviço e superior capacidade física, Borges construiu um triunfo sólido, depois de dois desaires anteriores frente a Khachanov, em Roland-Garros (2022) e Wimbledon (2025). «É um trilhão de emoções, sem dúvida. Era um jogo muito importante para mim e queria tentar dar tudo neste final de ano para acabar da melhor maneira. E está a acontecer», confessou após a vitória.
A eficácia com o primeiro serviço e a facilidade com que desgastou o opositor foram aspetos fulcrais para o desfecho do encontro. «Senti-o a jogar muito bem quando jogava na zona, mas, assim que o conseguia fazer mexer, acho que sentiu alguma dificuldade. Como as condições estão bastante rápidas, isso fez diferença», explicou o maiato, acrescentando: «Acho que servi muito bem do início ao fim. Fui bastante consistente, com muitos primeiros serviços e uma boa percentagem de pontos ganhos no primeiro serviço.»
Essa estabilidade traduziu-se em conforto nas fases defensivas e agressividade nos momentos de resposta: «Ter servido daquela maneira deu-me algum à vontade para meter pressão nos jogos de serviço dele. Acho que o jogo virou um bocadinho por aí. Um break aqui, outro no segundo set, e foi exatamente o que precisava para ganhar o encontro.»
Além da técnica, a resistência acabou por ditar o rumo dos acontecimentos nos pontos mais longos. «No fundo do campo, senti-me bastante mais fresco fisicamente. Não sei se ele sentiria o mesmo, mas agarrei-me bastante a isso, quase como um pulmão extra quando estava a jogar os pontos», sublinhou o número um nacional, que admitiu ter enfrentado momentos de tensão: «Senti-me bastante nervoso, mas, ao mesmo tempo, motivado. Senti-me bem fisicamente e, principalmente a meio do segundo set, encontrei um bocadinho o caminho por onde precisava de ir.»
Num torneio marcado pela queda prematura de cabeças de cartaz como Novak Djokovic, Alexander Zverev, Daniil Medvedev ou Alex de Minaur, o jogador português apontou o desgaste de final de temporada como justificação para o equilíbrio de forças: «Acho que é normal, no final do ano, quando alguns jogadores do top oito já sabem que vão estar em Turim, a motivação não estar tão alta. E aqui paga-se caro quando não estamos mesmo no topo do nosso jogo. As margens são extremamente curtas.»
De olhos postos no embate dos oitavos de final, a receita para continuar a surpreender em Paris permanece inalterada. «Vou focar-me em mim, fazer a mesma rotina, as mesmas coisas. Ainda não fiz um plano de jogo específico, mas tenho tempo para pensar no que preciso de ajustar. Acima de tudo, é tentar fazer aquilo que faço bem. Se o fizer, tenho melhores hipóteses», rematou.