Nile John foi o herói do Moreirense, ao apontar o golo do triunfo na receção ao Estrela da Amadora — Foto: José Coelho/LUSA
Nile John foi o herói do Moreirense, ao apontar o golo do triunfo na receção ao Estrela da Amadora — Foto: José Coelho/LUSA

Nile John teve unhas para tocar guitarra à moda do Minho (crónica)

Golaço do médio inglês, já na compensação, fez dançar os adeptos do Moreirense. Vasco Botelho da Costa mete a segunda e vai lançado. Tricolores estiveram organizados, mas não evitaram quarto desaire consecutivo

O céu estava aberto, mas os primeiros 45 minutos foram fechados. Havia estratégia de parte a parte, vontade nunca faltou aos artistas, mas a definição no último terço deixou muito (mas mesmo muito) a desejar. Se preferirmos, a organização defensiva sobrepôs-se à ofensiva. Algo que, na visão do adepto, não é, de todo, bem recebido. Porque o espetáculo perde com isso.

Esta análise da etapa inicial fica devidamente consubstanciada pela ausência de ocasiões claras de golo até ao intervalo. Leandro Antonetti (12' e 27') ligou as sirenes dos tricolores, mas o som não atingiu os desejados níveis de qualidade. O mesmo aconteceu do lado dos cónegos, com Manuel Mendonça (20') e Tiago Andrade (29') a querem passar música na matiné minhota.

O cheiro do balneário foi bom conselheiro para os artistas e após o descanso houve um acústico mais refinado. Longe de ópera, ainda assim. Mais audível, apenas.

Com dois treinadores adeptos da junção da solidez à retaguarda e da valorização da posse para que o critério de construção seja sempre acima da média, nada melhor do que um golo para abrir as hostilidades. Lograram-no os cónegos. Em transição, curiosamente. Tiago Andrade (que bela temporada está a fazer o menino nascido e criado no FC Porto...) fugiu pela esquerda, progrediu metros sempre com a bola controlada, até que, astuto, vislumbrou dois companheiros de equipa no interior da grande aérea contrária e foi Landerson o felizardo: o brasileiro aceitou a oferta e assinou a primeira explosão de alegria no Comendador Joaquim de Almeida Freitas.

Os tricolores reagiram, como se impunha, e beneficiaram de alguma falta de eficácia defensiva dos visitados para chegarem ao empate: Kevin Jansson atirou ao poste e, perante tamanha passividade, Lovro Zvonarek desviou com sucesso. Tal como acontecera com o extremo brasileiro do Moreirense, também o médio croata do Estrela da Amadora logrou a estreia a marcar no futebol português.

Pelo andar da carruagem, tudo poderia acontecer até final. Mas, a julgar pelos testes de som, era o vira-minhoto que poderia ecoar. Bingo! Já na compensação, Nile John tirou um autêntico coelho da cartola e encheu-se fé (e colocação) para fazer o 2-1, de fora da área.

Vasco Botelho da Costa meteu a segunda e vai lançado, Pepa lamenta a quarta derrota consecutiva.

O melhor em campo: Nile John (Moreirense)

Quem decide um jogo no último suspiro vê aumentar substancialmente as probabilidades de ser escolhido como a figura do desafio. Mesmo que não tenha sido o melhor em campo. Mas Nile John logrou o melhor dos dois mundos. Foi decisivo e selou os três pontos, sim, mas também realizou exibição de encher o olho, pautando as ações dos cónegos no miolo. E ajudou à retaguarda. Quantos pulmões tem?

A figura: Lovro Zvonarek (Estrela da Amadora)

Com a bola no pé é, percebe-se, um jogador acima da média. Tem muita qualidade de passe, sendo que, pelo facto de jogar sempre de cabeça levantada confere-lhe a vantagem de ver coisas mais à frente e, juntando tudo, colocar a equipa em situações de criação de perigo no último terço. O duelo em Moreira de Cónegos ficou também marcado pela estreia a faturar pelos tricolores, com desvio oportuno.

As notas dos jogadores do Moreirense:

As notas dos jogadores do Estrela da Amadora:

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