FC Porto: do jejum ao golo 100 na libertação de Santiago Gimenez

Depois de 354 dias sem festejar, mexicano saiu de Rio Maior revigorado. Samu está perto do regresso e André Silva também marca, mas o avançado deixa Farioli com mais soluções para gerir o ataque

Ajoelhou-se e agradeceu aos céus. A celebração de Santiago Gimenez em Rio Maior teve um duplo significado: o avançado mexicano chegou aos 100 golos como profissional e apontou, numa grande penalidade que ele próprio conquistou, o primeiro tento ao serviço do FC Porto. Fê-lo no primeiro remate que realizou na partida em que os dragões golearam o Casa Pia, por 4-1. Além de todo o simbolismo do momento, o golo teve um efeito libertador. Da última finalização na Liga italiana até bater Ivan Mandic, em Rio Maior, passaram 16 meses. Não fosse o golo ao Lecce, na Taça de Itália, a 23 de setembro passado, e o jejum teria sido ainda maior.

Ainda assim, foram 354 dias à espera do golo que fecha um capítulo marcado por graves problemas físicos no Milan e abre outro, aparentemente mais promissor, no FC Porto. Com uma hora de jogo repartida por três partidas, Gimenez registou progressos significativos, tendo em conta o atraso com que chegou à Invicta e a condição física que apresentou, depois de ter ficado à espera, a meio da ponte, de uma decisão do Milan.

Nesse intervalo, e sem espaço no grupo de Ruben Amorim, treinou-se à parte com outros proscritos, até chegar às mãos de Farioli. O treinador italiano depressa lhe traçou um plano específico, sem abdicar de dar ao ponta de lança momentos de pressão e intensidade que só os jogos oficiais proporcionam.

Na estreia, frente ao Moreirense, Gimenez entrou aos 75 minutos, rendendo André Silva, e, de longe, ainda conseguiu aquecer as luvas de André Ferreira. Contra o City, num desafio da Champions em que o adversário obrigou o FC Porto a ser menos mandão em casa, escapou pela esquerda e serviu Pepê, num cruzamento que o brasileiro não aproveitou da melhor forma. Os adeptos gostaram e aplaudiram.

No terceiro jogo, o segundo consecutivo na Liga que os azuis e brancos venceram de reviravolta, o mexicano entrou mais cedo e dispôs de 28 minutos, mais o tempo de compensação, para voltar a ser feliz e fazer o que mais gosta. O golo reforçou as boas sensações deixadas por Gimenez nas duas primeiras partidas e, com Samu prestes a regressar e André Silva também a responder com golos — marcou o terceiro da época em Rio Maior —,

Farioli passa de um setor muito dependente do internacional português para uma frente de ataque com alternativas credíveis, diferentes perfis e maior margem de decisão. A resposta de Gimenez confirma que o FC Porto pode repartir responsabilidades no último terço, sobretudo quando o contexto pede um perfil diferente.

O problema seleção

A lista de convocados do México será conhecida esta semana, mas há um dado que não pesa a favor da permanência de Santiago Gimenez no Olival durante a pausa internacional. No jogo de estreia de Rafa Márquez, diante da Colômbia, a 26 de setembro, o novo selecionador apenas poderá chamar dois jogadores por clube da Liga mexicana, dado que a 10.ª jornada do campeonato será disputada em simultâneo com a concentração da seleção.

A limitação aplica-se ao primeiro particular, mas reduz as opções internas numa fase em que Márquez, apesar de ter sido adjunto de Javier Aguirre, quererá observar de perto o maior número possível de soluções.

Farioli admitiu que preferia aproveitar a paragem para aproximar Gimenez do nível físico do grupo. «Honestamente, não sei se vai viajar para representar a seleção nacional. Se ficasse aqui connosco, de certa forma, seria ainda melhor, pois este período serviria como um verdadeiro impulso para ele arrancar a época da melhor forma», disse.

O México tem quatro jogos nos Estados Unidos, entre 26 de setembro e 6 de outubro: Colômbia, Peru, Estados Unidos e Chile. Além da carga, o périplo obriga a viagens entre as duas costas, de Baltimore e Nova Jérsia até ao Arizona e Los Angeles. O FC Porto poderá sempre tentar que o avançado, caso seja confirmado entre os eleitos, seja libertado após os dois primeiros encontros, o que atenuaria o desgaste e permitiria ao mexicano regressar mais cedo ao trabalho no Olival. Porém, o contexto de estreia de Márquez — que terá interesse em reunir o grupo durante o máximo de tempo possível — torna essa hipótese incerta.

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