NBA: associação de jogadores contra regra dos 65 jogos para os prémios
Agora que surgiu a hipótese da elegibilidade de Cade Cunningham para prémios individuais, como um lugar na equipa All-NBA (Primeiro, segundo e terceiro Cinco Ideal), poder estar em risco devido a uma lesão pulmonar que o afastará por um período prolongado, reacendeu um polémica que tem crescido ao longo da época e a Associação de Jogadores da NBA (NBPA) teve a primeira forte reação contra a norma que ela própria aceitou e assinou no último contrato colectivo de trabalho. Isto porque o base dos Pistons, que já participou em 61 jogos esta época, poderá não atingir o mínimo de 65 partidas exigido pela liga para poder ser candidato ao referido prémio, assim como ao MVP da época regular.
Medida criada para combater a gestão de esforço (load management) e incentivar as estrelas a jogar mais em vez de nem sequer surgirem equipados, sobretudo em jogos fora e quando os adeptos contrários compraram há muito os bilhetes, na maior parte das vezes mais caros, para os verem atuar.
Esta terça-feira, o sindicato dos jogadores manifestou-se publicamente, defendendo que a situação de Cunningham é um exemplo claro da necessidade de rever a regra. A NBPA, que concordou com esta norma no atual acordo coletivo de trabalho, pede agora, no mínimo, uma alteração, segundo avançou o canal desportivo ESPN.
«A potencial inelegibilidade de Cade Cunningham para prémios de pós-temporada, após uma época que definiu a sua carreira, é uma acusação clara à regra dos 65 jogos e mais um exemplo de por que motivo esta deve ser abolida ou reformada para criar uma exceção para lesões significativas», afirmou um porta-voz do sindicato. «Desde a sua implementação, demasiados jogadores merecedores foram injustamente desqualificados de honras de final de época por esta quota arbitrária e excessivamente rígida.»
Jeff Schwartz, agente de Cunningham na Excel Sports Management, partilhou da mesma opinião em declarações a Shams Charania, da ESPN. «O Cade realizou uma época de primeira equipa All-NBA. Se ele ficar um pouco aquém de um limiar arbitrário de jogos disputados devido a uma lesão legítima, isso não o deveria desqualificar de um reconhecimento que claramente conquistou ao longo da temporada. A liga deveria recompensar a excelência, não impor limites rígidos que ignoram o contexto. É preciso abrir uma exceção», defendeu.
Cunningham não é o único jogador afetado. Várias estrelas da liga ficarão de fora da corrida aos principais prémios individuais, que são votados por um painel de 100 jornalistas e comentadores, mas onde quem não estiver em conformidade com as regras nem sequer surge como hipótese de ser escolhido. LeBron James, dos Lakers, verá a sua série de 21 anos consecutivos numa equipa All-NBA chegar ao fim. Giannis Antetokounmpo (Bucks) e Stephen Curry (Warriors) também já falharam demasiados jogos para serem elegíveis.
Mas existem outros jogadores, incluindo os principais candidatos a MVP, prémio a que Cunningham também tentava aspirar: Nikola Jokic (Nuggets) e Victor Wembanyama (Spurs) estão perto do limite de ausências permitidas. Em contrapartida, outros principais favoritos ao prémio, Shai Gilgeous-Alexander (Thunder) e Luka Doncic (Lakers), ainda têm margem para falhar alguns jogos.
Donovan Mitchell, base dos Cavaliers, também comentou a regra, reconhecendo a sua intenção, mas sublinhando as suas falhas. «É por boas razões, mas é duro», disse. «Somos pagos para estar em campo, mas há certas coisas que não se podem controlar. Não é como se eles estivessem a descansar e a falhar estes jogos. São lesões legítimas, por isso é algo a analisar, sem dúvida, porque não há razão para certos jogadores estarem nesta situação.»
Recorde-se que existem algumas exceções à regra. Um jogador que participe em 62 jogos e sofra uma lesão que termine a sua época pode ser elegível, um cenário que, no entanto, não se aplicaria ao caso de Cunningham que disputou 21 encontros e deverá estar capaz de competir no play-off, até porque os Pistons são líderes da Conferência Este. E para cumprir as normas, não poderá entrar em campo apenas alguns segundos e minutos e sair, terá de, pelo menos, jogar 20m para que essa partida lhe seja contabilizada para as distinções em questão.
Na realidade, apesar de ter disputado 61 jogos, para os prémios Cade regista apenas 60. Isto porque a sua última partida não conta, pois jogou menos de 15 minutos. O base necessitaria de regressar a tempo de alinhar em cinco dos últimos seis jogos da fase regular para cumprir o requisito.
Note-se que o base de Detroit, que tem sido fundamental no êxito da equipa, lesionou-se no início do jogo de terça-feirada pasada semana contra os Wizards, após uma colisão com Tre Johnson. A lesão, conhecida clinicamente como pneumotórax, foi confirmada dois dias mais tarde e vai afasta-lo por tempo indeterminado, com uma reavaliação agendada para daqui a duas semanas.
Até ao momento, Cunningham apresentava médias impressionantes de 24,9 pontos, 5,6 ressaltos e 10,1 assistências, estando a caminho de se tornar o primeiro jogador da Conferência Este, desde Oscar Robertson, a atingir tais números. Lidera ainda a liga em assistências, com um total de 603. Apesar
Facto curioso é que, enquanto têm estado em risco uma série de candidatos a MVP e Cinco Ideal, todos eles não americanos, e que face à respectiva situação poderiam, e ainda podem, ficar de fora das candidaturas, a NBPA nada disse, oficialmente. Assim como o agente de Cade Cunningham se manteve calado. Os últimos sete vencedores do MVP têm sido estrangeiros: o grego dos Bucks Giannis Antetokounmpo (2018/19, 2019/20), o sérvio dos Nuggets Nikola Jokic (2020/21, 2021/22, 2023/24) , o então camaronês dos 76'ers Joel Embiid (2022/23) e o canadiano dos Thunder Shai Gilgeous-Alexander (2024/25).
O último norte-americano MVP foi James Harden (2017/18), então a actuar nos Rockets.