Robinho num lance com  Miguel Patrício  - Foto: Paulo Novais/Lusa
Robinho num lance com Miguel Patrício - Foto: Paulo Novais/Lusa

Não podia faltar o goleador a um momento histórico (crónica)

Ac. Viseu está imparável e soma a sexta vitória consecutiva no campeonato. André Clóvis surge na hora certa para iniciar a reviravolta, com assistência e golo. Fífia de Van der Gouw afunda Rio Ave

Brilhante! O Académico de Viseu está imparável e somou a sexta vitória consecutiva no campeonato. Depois de Gil Vicente, V. Guimarães, E. Amadora, Estoril e Sporting, foi o Rio Ave a cair aos pés dos viriatos.

Decorridas apenas 10 jornadas e depois de 37 anos ausente do escalão principal, o percurso dos viseenses é ainda mais notável. Tanto que já ninguém deve lembrar-se que entretanto a equipa foi eliminada da Taça de Portugal (Fátima) e da Taça da Liga (FC Porto)...

O jogo não foi nada fácil para a equipa de Bruno Pinheiro, que até pareceu surpreendida com a entrada do Rio Ave. Com Clemmensen, Diogo Bezerra e Jalen Blesa a pressionarem alto, o Académico sentiu muitas dificuldades para assentar o seu futebol, de aí que ninguém tenha ficado surpreendido com o golo inaugural, escrito em bom português. Coisa rara para os lados de Vila do Conde nos últimos tempos, dada a autêntica sociedade das Nações Unidas que tem constituído o plantel... Mas foi com a cabeça de Miguel Patrício, após belo cruzamento, da direita, de João Tomé, que se fez justiça no Fontelo.

Bruno Pinheiro não gostava do que via e ao intervalo deve ter puxado as orelhas aos jogadores. O Académico reentrou melhor, mais agressivo e pressionante, e Kaharaman (obrigou Van der Gouw a boa defesa) e Mortimer (remate ao poste), em lances praticamente consecutivos (53') deixaram o aviso. O público entusiasmou-se, a equipa cresceu e o treinador... mexeu. Entraram Mestanza, Gambor e Gohi e o efeito não tardou, embora com um protagonista inesperado: Van der Gouw.

Uma fífia do guarda-redes neerlandês, que entregou a bola a André Clóvis, permitiu a Messeguem, com toda a facilidade, igualar a partida. Era a hora do goleador dos viseenses surgir e o brasileiro não perdoou. Depois de ter assistido o médio alemão, Clóvis não se fez rogado e assinou o golo da reviravolta. Numa jogada entre duas das apostas saídas do banco — iniciativa de Gohi e assistência de Mestanza, o ponta de lança aproveitou a nesga de terreno concedida e não perdoou. Remate cruzado, forte e rasteiro, de pé esquerdo. Sem defesa para Van der Gouw.

Estava feito o mais difícil e o Rio Ave jamais se reencontrou. Vasco Seabra ainda refrescou a equipa, que não a cabeça dos jogadores. Os golpes foram duros e Zé Carlos, Sellouki, Ryan Guilherme e Tamble Monteiro pouco acrescentaram. A equipa jogava então mais com o coração e o Académico teve o sangue frio suficiente para não sofrer sobressaltos, conseguindo contrariar o tudo por tudo dos vila-condenses, que ainda viram Ntoi ser expulso nos instantes finais.

Melhor em campo: André Clóvis (Ac. Viseu)

Fez a diferença. Começou por ameaçar, com um bom remate (12'), e percebeu-se que os defesas estavam avisados para o instinto goleador do brasileiro. Já Van der Gouw, com excesso de confiança, entregou-lhe a bola quando tentava sair a jogar com os pés e o ponta de lança assistiu Messeguem para o empate. Depois foi ele próprio a mostrar como se faz e selou reviravolta, com remate cruzado.

As notas dos jogadores do Ac. Viseu:
Ewerton (6); Robinho (5), Anthony Correia (4), Michelis (5) e Miguel Brau (5); Luís Silva (6) e Messeguem (7); Mortimer (5), Kahraman (7) e João Guilherme (5); André Clóvis (8). Gambor (6), Gohi (6), Mestanza (6), Bouldini (-) e Valery Fernández (-).

A figura do Rio Ave: Diogo Bezerra

O extremo brasileiro entrou com tudo, foi precioso na pressão, e criou inúmeros desequilíbrios na fase inicial do jogo. Um perigo constante, que contagiou também a equipa durante a primeira parte. Depois passou a ser vigiado mais de perto e foi perdendo influência no ataque, mas nunca deixou de ser o mais irreverente e esclarecido. Faltou-lhe foi melhor companhia.

As notas dos jogadores do Rio Ave:
Van der Gouw (3); João Tomé (6), Gustavo Mancha (5), Ntoi (5) e Vrousai (5); Liavas (6) e Miguel Patrício (6); Diogo Bezerra (6), Diogo Nacimento (5) e Clemmensen (5); Jalen Blesa (5). Sellouki (4), Ryan Guilherme (4), Zé Carlos (4) e Tamble Monteiro (3).

Bruno Pinheiro (treinador do Ac. Viseu)

Entrámos mal e isso facilitou a vida ao Rio Ave. Não tenho grande explicação pela forma como entrámos no jogo, a não ser pelos três jogos na mesma semana. Na segunda parte houve mais equilíbrio, mas, a partir das substituições - os jogadores entraram muito bem - o jogo mudou completamente

Vasco Seabra (treinador do Rio Ave)

Tivemos uma entrada fortíssima, fomos uma equipa completa. Até aos 25 minutos tínhamos uma mão cheia de oportunidades claras e acabámos por fazer apenas um golo. Depois, sem nada o prever acabámos por sofrer dois golos mais consentidos que conseguidos pelo adversário. Não gosto de falar em justiça no futebol, mas penso que hoje não tivemos a felicidade do jogo

Atualizado às 22h02.

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