Não há vento pela frente que pare este Prestianni (crónica)
Terminou com alta tensão, jogadores a despejarem adrenalina e um Benfica de punho cerrado pela importância de uma vitória que o recoloca a cinco pontos do líder. Não dá para enganar, este foi um triunfo muito difícil, com as águias a terem de mostrar o quanto querem estar neste campeonato, num jogo que tem denominador comum com outros: Gianluca Prestianni.
O jovem argentino do Benfica voltou a virar tudo do avesso, neste caso resultado e exibição depois de Marco Silva ter ido ao banco buscar armas para resolver uma das partidas que a equipa da Luz teve de enfrentar no que vai de temporada.
O duelo jogava-se nesta pergunta. Como podia o Santa Clara, melhor defesa da Liga, parar o melhor ataque? A resposta esteve na estratégia de Petit. Os açorianos condicionaram a ligação encarnada que municia esse ataque, ganhando quase tudo a meio-campo e não deixando Rafa e, sobretudo, Prestianni desequilibrar como devem fazer. Sem Gonçalo Paciência, lesionado, Petit «caçou» com Fernando, Vinícius e Brenner Lucas, protagonistas de um primeiro tempo em que o Santa Clara deixou o Benfica em sobressalto.
O argentino da camisola 25 foi tentando pelos visitantes, mas teve quase sempre mais do que um adversário em cima no primeiro tempo. Sem caminhos para Pavlidis, o Benfica enfrentava ventos fortes de frente - literalmente e não só - e era o Santa Clara quem, ao intervalo, vencia de forma justa por 1-0, num penálti apontado por Fernando. Bem organizados, aguerridos nos duelos, os açorianos explicavam a quem ainda não tinha percebido porque é que ao descanso eram uma equipa sem derrotas no campeonato e, com a vantagem de 1-0, segundos na tabela classificativa.
No segundo tempo mudou tudo porque Marco Silva mudou duas peças: Rafa e Sudakov por Schjelderup e Lukebakio.
O vento passou a soprar a favor, o Benfica foi empurrando o Santa Clara lentamente para a área e quando Schjelderup soltou o talento de Prestianni pela linha, o argentino partiu rumo à área contrária, em mais um lance que deixou um adversário pregado no relvado enquanto ele tinha uma velocidade furiosa rumo à área. O lance acabaria no empate de Pavlidis. O goleador da Liga aproveitou o passe do pequeno argentino, um futebolista capaz de transformar um jogo, mesmo quando o jogo se lhe parece complicado.
Seria ele a dar o triunfo ao Benfica, poucos minutos depois.
Com o «amigo» norueguês na esquerda, Prestianni apareceu mais vezes pelo meio, sempre em combinações com os colegas. Mas foi sozinho que arrancou para a baliza dos insulares e apontou o 2-1 final. Um golo de um rapaz que tem a habilidade de deixar tudo de cabeça à roda, mas que se tornou a alegria de um povo. Neste caso, o do Benfica, que já lhe chama «Messiani» numa comparação exagerada, mas que à dimensão, pelo e como resolve neste Benfica 2026/27, faz sentido no peso da relevância na equipa e, claro, no calor das emoções de adepto.
As águias não foram apenas o argentino, diga-se. Porque Dahl foi fundamental na defesa, mesmo com o «azar» do penálti, Aursnes foi elevando jogo com o tempo, Pavlidis foi prolífico quando lhe pediram. O Benfica não é campeão de nada, mas sempre que também tiver esta alma, estará mais perto de o conseguir ser.