Marco Silva comentou confusão no relvado que resultou em várias expulsões, uma delas de Durán

Mudanças, expulsão de Durán e elogios a Prestianni: tudo o que disse Marco Silva

Análise do treinador do Benfica ao encontro nos Açores

Marco Silva, treinador do Benfica, analisou a vitória com o Santa Clara, nos Açores, por 2-1, na nona jornada da Liga.

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— Quais foram os méritos da equipa na reviravolta?

— Foi uma melhor segunda parte, dar os parabéns aos jogadores. São três pontos muito importantes, depois de uma primeira parte em que não estivemos ao nosso nível. Dar os parabéns aos adeptos, mesmo num momento difícil da equipa, o apoio foi constante. Tiveram a paciência que é importante ter nestes momentos. A segunda parte foi um pouco melhor que a primeira. Condições difíceis no relvado, a jogar contra o vento e há que realçar que foi contra uma boa equipa, que nos tornou a vida difícil. Mas não tivemos ao nosso nível na primeira parte. Não conseguimos jogar no meio-campo adversário, quisemos fazer tudo a correr e isso custou-nos. Falámos ao intervalo, não só a dupla substituição. O Santa Clara, além do perfil diferente do nove, não alterou nada do que estávamos mais à espera. Fez o golo de penálti e ganha a confiança necessária. Defensivamente não havia muito a alterar. Fizemos dois golos em dois muito bons momentos do Prestianni. Os dois jogadores que entraram tiveram impacto. Pretendíamos tirar o Prestianni do corredor, dar-lhe mais liberdade para explorar as características do jogador da posição seis do Santa Clara. Sabíamos que o Prestianni ia ter mais mobilidade. Tivemos mais momentos com Schjelderup e Lukebakio. Fomos superiores na segunda parte. Ganhámos um jogo muito difícil para nós, mas ganhámos.

— O que é que aconteceu com Durán?

— Está-me a perguntar uma coisa que é impossível para mim ver com perto de 50 pessoas no relvado. Não vi nada. Falei mais com jogadores do Santa Clara que com os do Benfica. Já tínhamos gente suficiente à volta daquele momento. Consegui ter a calma suficiente, já tinha amarelo e ia ser o momento ideal para me darem o segundo. À velocidade com que me derem o primeiro… Não ia fazer nada estar naquela situação. Tenho a garantia absoluta do Durán que não fez nada. Fiz o convite à Sport TV, mas sei que não têm as imagens todas. Se tivessem, iriam colocá-las todas. Fiz o convite para colocarem as imagens todas diretas. Se as colocarem diretas, sem nenhuma interrupção pelo meio, não precisamos de recorrer a imagens de telemóvel da bancada para mostrar tudo. Se Durán fez alguma coisa, estarei aqui para me penitenciar. A garantia que tenho dele é que não fez absolutamente nada e acabou por ver um vermelho, talvez por ser o Durán e pela fama que tem. Sendo realista e honesto convosco... Se fez alguma coisa, não foi isso que me transmitiu. Estarei aqui na próxima conferência de imprensa para assumir a responsabilidade por isso. Neste momento, tenho de acreditar na palavra dele de que não fez nada. De resto, em todas as imagens que vimos até agora, não se vê absolutamente nada da parte dele.

— E sobre o amarelo que viu?

— Tudo o que senti, guardo para mim. Já falei na flash sobre algumas questões. O árbitro achou que protestei demais ou fiz algo que não lhe agradou e mostrou-me o cartão amarelo, simplesmente isso.

— Espera que o vermelho de Durán seja retirado?

— Se não fez nada, espero sinceramente que haja alguma justiça e que o cartão lhe seja retirado. Uma coisa é darem-nos vermelho por algo que foi visto. Gostava de saber o que o árbitro vai escrever no relatório. Se Durán não fez nada, por que razão lhe deu o cartão vermelho? Simplesmente isso.

— Prestianni é o melhor jogador do campeonato?

— Nós não andamos aqui para procurar títulos individuais à nona jornada. Quem é o melhor a fazer isto ou aquilo... não é esse o nosso objetivo, sinceramente, e de certeza absoluta que não é o do Prestianni também. Fez uma grande segunda parte e deixa-me muito satisfeito. É um jovem de 20 anos que está a passar por um grande momento, a ter um início de temporada tremendo. Tal como a equipa - porque não foi só ele -, teve uma primeira parte abaixo do nível habitual, até porque não fomos capazes de o explorar bem, como normalmente fazemos e devíamos ter feito. Permitimos que o lateral adversário estivesse muito perto dele em alguns momentos, porque não circulámos a bola. Os jogadores também referiram que estava difícil fazê-lo com o estado do relvado, mas não circulámos com a velocidade necessária e não o colocámos nos momentos em que ele é muito forte. Deixa-me muito satisfeito ver que, após uma primeira parte abaixo, teve a capacidade de reagir. Tentámos mudar-lhe as funções, explorando o posicionamento do número 6 do Santa Clara, que estava a marcar quase individualmente o Sudakov no primeiro tempo. Sabíamos que o Santa Clara ia continuar a fazê-lo da mesma forma, possivelmente também sobre o Prestianni, e quisemos dar-lhe mais liberdade na zona central, alargando o jogo com os dois alas bem abertos. Ver o Prestianni reagir daquela forma deixa-me muito satisfeito. Foi decisivo: uma arrancada com assistência, uma boa combinação no corredor esquerdo, a reação à perda para ganhar a bola e a forma como finalizou. Foi fundamental e decisivo para a equipa. Ver toda esta reação de um jovem que sente muito peso nos seus ombros deixa-me muito contente. Há muito para ele continuar a crescer, mas estes passos deixam-me orgulhoso de o ter connosco. Vamos continuar a dar-lhe as ferramentas necessárias para que possa explorar todo o seu futebol.

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