Carlos Daniel apontou o segundo golo do Fafe, no triunfo por 2-1, perante o SC Braga. Foto: Hugo Delgado/LUSA
Carlos Daniel apontou o segundo golo do Fafe, no triunfo por 2-1, perante o SC Braga. Foto: Hugo Delgado/LUSA

Não há duas sem três para o David da prova rainha (crónica)

Fafe eliminou a terceira equipa do principal escalão do futebol nacional e está nas meias-finais da Taça de Portugal; guerreiros do Minho não estiveram bem, aparentemente acusando a derrota na final da Allianz Cup

Depois de Moreirense e Arouca, o David da prova rainha voltou a tombar o Golias, desta feita a vítima foi o SC Braga que não conseguiu provar o estatuto de gigante, nesta eliminatória. Os justiceiros venceram os guerreiros por 2-1 e garantiram a passagem às meias-finais da Taça de Portugal.

A melhor hipótese de inaugurar o marcador apenas surgiu aos 15 minutos, já depois de Ricardo Horta ter ameaçado com um remate forte e de Diogo Castro ter demonstrado a sua velocidade à defesa bracarense. No entanto foi Fran Navarro que teve a oportunidade de fazer o primeiro do encontro, mas o avançado espanhol, em excelente posição, não finalizou da melhor maneira.

A equipa da casa respondeu em dose dupla, primeiro com uma jogada bem trabalhada pelo lado esquerdo, com o lateral João Vigário a rematar forte já muito perto da baliza arsenalistas e a obrigar Tiago Sá a aplicar-se. De seguida, João Santos ganhou o lance a Paulo Oliveira, partiu em velocidade, serviu Théo Fonseca, porém Arrey-Mbi acompanhou bem e não permitiu a finalização do extremo.

Perto do intervalo, surpresa no Estádio Municipal de Fafe com o golo de João Santos. O ponta de lança não perdoou na cara do guardião bracarense, depois de um grande trabalho de João Vigário que terminou com a assistência açucarada.

Certamente insatisfeito com a qualidade da sua equipa no primeiro tempo, Carlos Vicens não perdeu tempo e realizou três alterações de uma assentada no reatamento. Aos 60 minutos, o técnico espanhol deve ter engolido em seco várias vezes, ao ver o árbitro do encontro apontar para a marca de penálti, por suposta mão de Gabri Martínez, porém respirou de alívio que depois de rever as imagens, Bruno Costa reverteu a decisão.

Os forasteiros quase chegaram ao empate aos 66’ por Gabri Martínez que rematou na direção correta, a bola passou pelo guarda-redes oponente, mas surgiu o corte precioso de Leandro Teixeira já muito perto da linha de golo. Logo a seguir, Dorgeles tentou de livre direto, porém não tirou bem medidas e saiu ao lado.

Se o Golias não aproveitou, o David castigou. Num ataque rápido, com um enorme passe, Vasco Braga lançou Carlos Daniel em velocidade que não tremeu perante Tiago Sá e aumentou a vantagem para o clube que atua na Liga 3. O SC Braga ainda reduziu por Mario Dorgeles, mas ficou fora da competição, dando a clara ideia de que não recuperou animicamente da derrota na final da Allianz Cup frente ao rival V. Guimarães.

Melhor em campo: João Santos (nota 7)
O avançado do Fafe mostrou velocidade e, principalmente, na primeira parte deu muito trabalho à linha defensiva bracarense. O jogador português, de 26 anos, apontou o primeiro golo da partida numa boa finalização, fazendo o quinto tento na temporada e o segundo na Taça de Portugal, sendo essencial neste percurso brutal dos justiceiros na prova rainha.

As notas dos jogadores do Fafe: João Gonçalo (5), Diogo Castro (5), João Batista (5), Leandro Teixeira (6), João Vigário (6), Filipe Cardoso (6), Vasco Braga (6), João Oliveira (5), Théo Fonseca (5), João Santos (7), Carlos Daniel (7), Picas (5), Ká Semedo (5), Zé Oliveira (5), Gonçalo Pinto (-) e Breno Pais (-).

A figura: Gabri Martínez (nota 6)
O extremo espanhol entrou logo após o intervalo e foi o elemento mais agitador da equipa, dando uma nova dinâmica com a sua rapidez e dribles perante uns defesas cada vez mais cansados. Apesar do seu esforço, não conseguiu dar a sequência pretendida à grande maioria dos lances e por isso foi incapaz de ajudar a sua equipa a inverter o rumo dos acontecimentos.

As notas dos jogadores do SC Braga: Tiago Sá (5), Víctor Gómez (5), Paulo Oliveira (4), Bright Arrey-Mbi (5), Leonardo Lelo (4), Florian Grillitsch (5), Gorby (4), Mario Dorgeles (6), Gabriel Moscardo (5), Ricardo Horta (5), Fran Navarro (4), Sikou Niakaté (5), Pau Víctor (5), Gabri Martínez (6), João Moutinho (5) e Diego Rodrigues (-).

Mário Ferreira

Uma passagem fantástica, num jogo de grau de exigência elevadíssimo, frente a uma equipa que tem tudo e mais alguma coisa que nós. É de enaltecer o que fizemos nesta partida que foi algo de muito bom e histórico. Preparámos com respeito pelo SC Braga e o foco esteve apenas no plano estratégico, esquecendo tudo o que se passava à volta do jogo.

Carlos Vicens

Não estivemos à altura dos quartos de final da Taça. A equipa não gerou o suficiente no ataque, não esteve bem na defesa, nem na altura de pressionar. Não acho que tenha sido a falta de motivação, porque sabíamos que este jogo dava acesso às meias-finais. A equipa não esteve bem, não teve energia suficiente e numa partida muito importante, a verdade é que não estivemos à altura.