Nacional: João Henriques apresentado com a crença de sucesso no final
Depois de João Gião – que iniciou a época – e Alexandre Santos, que saiu na semana passada para o Petro de Luanda, João Henriques foi apresentado como novo treinador do Nacional.
No Estádio da Madeira, o novo timoneiro dos alvinegros começou por agradecer a confiança do presidente Rui Alves e deixou também elogios a Bruno Abreu, o treinador interino que fez a transição e que comandou a equipa na quebra o ciclo negativo de sete derrotas consecutivas, vencendo (1-0) o SC Braga no domingo, para a 9.ª jornada da Liga. «Receber a equipa com este espírito, com uma vitória, com esta alegria, é bem diferente do que a sequência anterior», admitiu.
A nova equipa técnica do Nacional é composta ainda por João Correia, adjunto que tem a responsabilidade direta das bolas paradas, José Serrão, treinador dos guarda-redes, Gonçalo Magalhães, adjunto com responsabilidade da análise da própria equipa e dos adversários, e Alberto Carvalho, preparador-físico, englobando ainda Martim Gonçalves e Gonçalo Trindade, que transitam da anterior.
«Quero agradecer a confiança do presidente e da equipa diretiva no nosso trabalho. Como o presidente disse, e muito bem, o futebol tem as suas vicissitudes e que esta época do Nacional, daqui para a frente e é para isso que temos de olhar, seja repleta de sucessos e que no final brindemos. Mas isso vai ter de ser um trabalho de todos, inclusive, também de pessoas como o Bruno [Abreu] e a sua equipa técnica que fizeram um trabalho excecional nesta semana, pela segunda vez durante a época. Essas pessoas são importantes no clube, pelo trabalho e dedicação a uma causa, que é um clube que está sempre à frente dos interesses pessoais, e é isso que nós vamos fazer», começou por afirmar João Henriques.
«Vimos com esse intuito de sermos mais uns a contribuir para a continuação do sucesso do Nacional nos últimos anos na Liga. Vimos com esse espírito de trabalho e dedicação, tal como foi o exemplo dado pelo Bruno [Abreu] nesta semana. Esperamos no final que esta nossa dedicação e este nosso trabalho, que nós sabemos também fazer, temos esse mérito e know-how, traga este aporte para o clube. É o que desejamos e estamos aqui de corpo e alma a partir deste momento, para ajudar o clube a atingir os seus objetivos nesta época», disse ainda.
O treinador revelou também como aceitou o projeto apresentado pelo presidente Rui Alves: «Uma conversa franca, simples, rápida, pragmática, que o presidente teve comigo ao expor aquilo que pensa para o Nacional e com quem eu me identifiquei de imediato, no sentido que é um clube que tem aquilo que eu neste momento da minha carreira precisava para continuar a avançar. Foi, basicamente isso, pela confiança mútua que existiu na primeira conversa.»
Sobre o facto de ser o terceiro treinador do Nacional nesta temporada, declarou: «Nunca é bom, é sinal de que algo correu menos bem. Mas nós, neste momento, temos de olhar é para a frente e não para o que aconteceu para trás. Sabemos que hoje estamos todos mais felizes, porque ontem as coisas correram bem. Isto é o presente, vamos vivê-lo, e olhar para o futuro de forma otimista. Tudo o que ficou para trás, não nos traz, a nós, mais peso, mas sim uma responsabilidade grande desta última semana e por aquilo que a equipa fez ontem, porque é um sinal positivo que nós temos de continuar a agarrar.»
«Fiquei muito satisfeito com aquilo que a equipa mostrou ontem. Mostrou que é uma equipa, que é solidária, que sabe sofrer quando tem de sofrer, e também mostrou que tem qualidade. Portanto, isso é um sinal de otimismo para todos», acrescentou.
No triunfo frente ao SC Braga, Bruno Abreu colocou os madeirenses com uma linha de cinco atrás. Um sistema para manter? «As dinâmicas no futebol são mais importantes do que qualquer sistema. Não é chavão, agora toda a gente diz isto, mas é uma realidade. Quando nós colocamos a peças no campo, temos de colocá-las de acordo com o conforto dos jogadores, para tirarmos o melhor partido deles. E depois rentabilizar esse conforto em um conjunto de dinâmicas que sejam em prol daquilo que pretendemos, que é ganhar jogos. Aquilo que for melhor para o grupo é o que vamos fazer. Olhando para aquilo que aconteceu ontem, uma linha de cinco no momento defensivo, ofensivamente não o é, no momento de defesa da baliza, se tivermos de defender com uma linha de cinco, defendemos, e quando temos bola sermos uma equipa mais projetada, sem ter fixa essa linha de cinco. Foi isso que aconteceu ontem e que nós gostamos de ver. Mas partimos de um pressuposto, e já que falamos de sistemas o meu preferido é o 4x3x3, eu adapto a minha ideia àquilo que o clube tem como jogadores e como cultura. E nós temos de nos ajustar ás caraterísticas dos jogadores e depois vamos chegar ao melhor da equipa para ganhar jogos», indicou.
Sobre o plantel, João Henriques sublinhou que mais de que uma limpeza de balneário, urge, sobretudo trabalhar o lado psicológico. «As limpezas muitas vezes são mais psicológicas do que outra coisa. Como eu disse, o passado é uma coisa e o presente é outra. Nós, neste momento, sabemos que o mercado está fechado, o limite de inscrições está fechado e é com estes jogadores, que deram ontem uma resposta extraordinária e que têm qualidade e mostraram que todos eles são válidos e que podem ser uma equipa, sobretudo em termos mentais. E é muito importante os jogadores sentirem que quando são assim, quando têm este tipo de atitude nos jogos, estão mais perto de ganhar», referiu.
«No futebol não é tão linear assim, mas estamos mais perto de ganhar se tivermos esta atitude correta perante a competição. E é isso que eu quero continuar a implementar nesta equipa: ir para todos os jogos e ser competitiva. O jogo tem três resultados possíveis e nós podemos sempre ganhar, independentemente do adversário, em casa ou fora. Para isso temos de ter esta atitude extraordinária que tivemos ontem, dentro e fora, porque quem estava no banco fez um trabalho excecional, prontos para ajudar, mesmo os que não entraram festejaram, divertiram-se, sentiram o clube e a equipa. Isso é contagiante para as bancadas e também precisamos desse apoio que vem de fora. Nós vamos fazer o nosso trabalho para puxar os nossos adeptos, porque precisamos deles e eles têm de se sentir identificados com a nossa equipa, nunca virar a cara à luta», disse ainda.
Rui Alves, presidente do Nacional, desejou «felicidade» ao «novo comandante das tropas», numa época «um pouco diferente do habitual». «Queria aproveitar para fazer um agradecimento público ao Bruno Abreu e à sua equipa técnica por tudo aquilo que fizeram nesta semana que antecede o início das funções da nova equipa técnica. Estamos novamente aqui para a apresentação do novo comandante das tropas, porque o futebol, por vezes, faz com que vivenciemos situações diferentes do que o habitual e, de facto, esta época está a ser um pouco diferente do habitual, nesta casa. Espero que o mister seja feliz neste seu regresso à Madeira e que no fim possamos brindar todos em nome dessa sua felicidade, que será também a nossa», afirmou.