Sérgio Conceição: «No FC Porto construí um grupo e toda a estrutura»
Em entrevista concedida ao podcast Extra Time, do canal árabe Koora Break, Sérgio Conceição, que continua a viver na Arábia Saudita após a experiência no Al Ittihad na época passada, aguarda pelo próximo desafio da carreira, frisando que o seu critério principal assenta na competitividade e no alinhamento de objetivos a todos os níveis.
«Procuro um projeto onde eu tenha a possibilidade de transmitir a minha paixão, determinação e forma de ver uma equipa. Não falo apenas dos jogadores, mas também da estrutura, o presidente, a ambição do clube com a ambição da região, da cidade, dos sócios, dos simpatizantes, dos adeptos. Tem de haver um conjunto de situações que para mim façam sentido, porque senão fica difícil, e eu gosto de abraçar um projeto para ganhar, não para ser mais um. Nos últimos oito anos, ganhei sempre títulos, com exceção destes meses no Ittihad, e é assim que eu quero continuar», vincou.
As diferentes realidades e o ciclo no FC Porto
Confrontado com os diferentes contextos que encontrou em Portugal, Itália e Arábia Saudita, o técnico recapitulou a sua longa ligação ao futebol aos dragões.
«São realidades diferentes. Eu trabalhei em Portugal muitos anos, a fase final da minha história com o FC Porto foi feliz em termos desportivos, porque ganhámos a Taça de Portugal. Eu tinha praticamente construído um grupo, não apenas os jogadores, mas toda a estrutura, com a relação que eu tinha com o presidente [Pinto da Costa]. Eu acho que isso é fundamental para se ganhar, e daí os meus títulos durante esses anos. Devo recordar que foram anos difíceis porque tivemos três anos sob fair-play financeiro e dois anos de uma pandemia que ninguém queria, com estádios vazios e repercussões financeiras também», concluiu.
Os processos de evolução de Luis Díaz e Vitinha
O timoneiro luso recordou a evolução de referências que orientou no FC Porto, nomeadamente Luis Díaz e Vitinha.
«O Luis Diaz fui buscá-lo ao Barranquilla, e quando chegou ao FC Porto teve ali cerca de seis meses para se adaptar, ele driblava em todo o lado e saía muito da sua posição. Teve de se adaptar. Mas tinha características que me convenceram quando observei três ou quatro jogos dele, e depois veio-se a confirmar o potencial que tinha, sobretudo a partir do momento em que ganhou algum rigor tático e percebeu o que o jogo lhe dava e o momento em que podia usufruir de toda a capacidade que tinha, aí ganhámos um jogador extraordinário. Prova disso é o trajeto que tem feito nos clubes por onde passou, não só agora na Alemanha como também em Inglaterra», recordou.
Já sobre Vitinha, Conceição detalhou a maturação exigida ao internacional português: «O Vitinha era um jogador da equipa B, que não jogava com assiduidade, fui buscá-lo para uns treinos na equipa principal e estreou-se comigo, foi emprestado um ano ao Wolverhampton, no ano seguinte regressou, teve também os seus meses difíceis comigo, para ele perceber que o futebol, no caso dele, não era só capacidade de passe curto e qualidade técnica, era preciso também outras características num médio e ter algo diferente em termos de intensidade, capacidade de recuperação e chegada à área contrária. Ganhou tudo isso e foi titular indiscutível na época em que fizemos 91 pontos, e para mim é um orgulho vê-lo ao nível a que está hoje.»