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Mundial 2026: o guia da Turquia
O PLANO
Na última vez que a Turquia marcou presença num Mundial, nomes como Arda Güler e Kenan Yildiz nem sequer tinham nascido. Após um hiato de 24 anos, as «Estrelas Crescentes» colocaram fim ao seu exílio em Campeonatos do Mundo ao superarem um percurso tenso de play-off, eliminando a Roménia e, posteriormente, o Kosovo. O selecionador, Vincenzo Montella, guiou a equipa nacional a duas fases finais internacionais consecutivas, dispondo daquela que é, discutivelmente, a comitiva mais forte da sua história.
A Turquia perdeu apenas um encontro na sua campanha de qualificação — diante de Espanha, a campeã europeia em título —, arrecadando 13 em 18 pontos possíveis. «Não trocaria estes jogadores por ninguém», referiu Montella após o triunfo frente ao Kosovo. «Mostraram que sabem fazer sacrifícios.»
Güler e Yildiz estavam apenas a dar os primeiros passos na equipa durante o Euro 2024; hoje, o coletivo orbita em torno da dupla de prodígios. O futebol turco construiu a reputação de vulgarizar o termo wonderkid, mas Güler, do Real Madrid, e Yildiz, da Juventus, justificam plenamente o rótulo.
Noutros setores, Ugurcan Cakir assume-se como uma garantia de segurança entre os postes, chegando ao torneio galvanizado após ter conquistado o título de campeão nacional pelo Galatasaray. No eixo central, a dupla composta por Abdulkerim Bardakci e Merih Demiral oferece uma retaguarda bastante sólida. O lateral-direito Ferdi Kadioglu é bem conhecido dos adeptos do Brighton, após uma temporada soberba. Hakan Calhanoglu é agora o elemento mais experiente e assumiu as despesas como estratega recuado, ao passo que Orkun Kökcü, do Besiktas, atravessa um momento fulgurante e poderá afirmar o seu nome a nível global este verão.
A equipa é jovem, mas a espinha dorsal permanece praticamente inalterada face ao Campeonato da Europa de há dois anos. E o mesmo problema persiste: Montella ainda não dispõe de um ponta-de-lança consagrado que tenha conquistado a sua total confiança. A posição continua em aberto, com a promessa em ascensão Can Uzun, do Eintracht Frankfurt, na corrida. Este é um coletivo que entrará no Mundial capaz tanto de momentos de magia como de pura loucura.
O SELECIONADOR
Vincenzo Montella tem sido o arquiteto por detrás do renascimento da seleção nacional desde a sua nomeação em 2023. «L’Aeroplanino» [O Pequeno Avião] imergiu por completo na cultura local — e compreende na perfeição a mentalidade turca. «A cultura na Turquia é muito próxima daquela que vivenciei na minha infância. Nasci e cresci perto de Nápoles», recorda. Montella tem gerido o balneário de forma muito mais eficaz do que a maioria dos selecionadores turcos do passado. Dissiparam-se as grandes fraturas ou querelas entre jogadores e equipa técnica que historicamente assombraram o futebol do país. O modelo padrão do italiano assenta num 4x2x3x1, mas o técnico não tem receio de agitar as águas e já provou ser um estratega astuto. Elegante, sereno e carismático, Montella construiu uma das seleções turcas mais fortes da era moderna.
A ESTRELA
Arda Güler geriu com sucesso a transição de prodígio a certeza absoluta no Real Madrid. O jovem, de 21 anos, mostra-se totalmente imperturbável perante a pressão, o que se assume como uma verdadeira bênção se tivermos em conta que carrega nos ombros o peso das expectativas de um país inteiro. Descrito por Thierry Henry como «um talento indiscutível e de elite mundial», assume o estatuto de figura talismânica e de motor criativo desta equipa, aliado a uma excelente definição em zonas de golo. O médio cresceu nos momentos decisivos e correspondeu sempre que foi chamado a intervir pela sua pátria. À seleção não falta talento, mas não restam dúvidas de que Güler é o verdadeiro elemento desequilibrador.
JOGADOR A SEGUIR
Poder-se-ia argumentar que Kenan Yildiz — cujo apelido significa literalmente «estrela» — é tão importante e talentoso como Güler. Há muito apontado ao sucesso, desde que começou a dar brado na academia do Bayern Munique, Yildiz afirmou-se na Juventus e está na linha da frente para explodir de vez no plano internacional este verão. O carismático avançado alia a elegância técnica ao poder físico na mesma medida, deliciando qualquer adepto neutro, e adora encarar os defesas em slalom. Embora Montella ainda não tenha definido o seu camisola 9, Yildiz surge como um extremo com faro pelo golo. Com 11 golos e 10 assistências assinados pela Juventus na época que agora findou, a que juntou três golos na qualificação pela Turquia, poderá muito bem ser a grande válvula de escape da sua equipa.
HERÓI DISCRETO
A mudança de Orkun Kökcü do Benfica para o Besiktas, no ano passado, pareceu estranha à partida. Contudo, ganhou outro sentido quando o jogador revelou que alinhar pelas «Águias Negras» era um sonho de infância — revelando-se uma decisão inspirada. Operário incansável, encarrega-se do trabalho duro que tantas vezes passa despercebido, desempenhando em simultâneo um papel fulcral no processo ofensivo. Kökcü apontou 10 golos e distribuiu nove assistências ao serviço do Besiktas em todas as competições; números impressionantes para um médio-centro. O jogador, de 23 anos, é um médio multifacetado que exibe uma qualidade técnica e uma meia-distância refinadas. Tal como Ferdi Kadioglu, outro dos heróis discretos da equipa, nasceu nos Países Baixos (um caso de dupla nacionalidade, tendo optado por representar a pátria dos seus pais).
XI PROVÁVEL
(4x2x3x1) Cakir - Kadioglu, Bardakci, Demiral, Zeki Celik - Yuksek, Calhanoglu - Yildiz, Kökcü, Güler - Yilmaz
O QUE ESPERAR DOS ADEPTOS
Embora não seja comparável à expressão demográfica da diáspora turca na Europa, existe uma comunidade considerável radicada nos EUA, com estimativas a apontar para valores entre os 250 e os 500 mil cidadãos. Os adeptos turcos não têm a oportunidade de ver a sua seleção num Mundial com frequência mas, atendendo à distância e aos preços exorbitantes das viagens e dos ingressos, não haverá uma grande presença organizada de grupos ultra a fazer a travessia transatlântica. Esperem-se, por isso, muitas bandeiras nas bancadas, mas poucos artefactos pirotécnicos.
RELAÇÃO COM OS EUA/TRUMP
As relações entre a Turquia e os EUA são menos complexas do que as de alguns dos seus vizinhos da região. Não existem grandes contendas diplomáticas em curso e Recep Tayyip Erdogan e Donald Trump mantêm uma boa sintonia. Após uma chamada telefónica a 20 de maio, Trump atirou: «Não é bom manter relações com algumas pessoas muito duras? Ele é um tipo duro, e eu tenho com ele uma relação que mais ninguém tem.» Espera-se, contudo, que as atenções se foquem estritamente no retângulo de jogo — o que acaba por ser um alívio, dado que a Turquia e os Estados Unidos partilham o mesmo grupo na competição.
Textos de Emre Sarigul, do Turkish-Football.com. Estes textos foram escritos no âmbito da Guardian Experts' Network, a rede de troca de conteúdos para o Mundial 2026, liderada pelo jornal inglês The Guardian e que tem A BOLA como representante português, e foram traduzidos com recurso a Inteligência Artificial.
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