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Mundial 2026: o guia da Austrália
O PLANO
Os Socceroos entram no desconhecido tanto quanto qualquer outra equipa, apresentando uma nova vaga de talentos ofensivos vistosos que alinham ao lado de um núcleo defensivo e de meio-campo mais experiente. A qualificação para o sexto Mundial consecutivo foi selada sem a necessidade de passar pelo fio da navalha dos play-offs pela primeira vez desde 2014, mas apenas após uma mudança de rumo, com Tony Popovic a substituir Graham Arnold no cargo de selecionador.
O reputado estratega, conhecido pelo seu perfil disciplinador, exigiu maior intensidade física e afinco defensivo em todas as zonas do terreno, com os resultados a melhorarem rapidamente e a resultarem numa série de oito jogos de invencibilidade que carimbou a vaga no Mundial. Desde então, os Socceroos têm vivido uma dualidade de frentes, já que Popovic alargou o leque de observações para dar oportunidades a segundas escolhas e à próxima geração.
A equipa tornou-se mais organizada defensivamente, estruturada com três defesas-centrais, dois alas e uma dupla de médios endurecidos pelo combate — um modelo habitual, sobretudo nas primeiras partes, quando Popovic prefere manter a contenda sob controlo. A afirmação de jovens avançados como Nestory Irankunda e Mohamed Touré — e de Jordan Bos numa ala — acrescenta irreverência ao XI inicial, podendo revelar-se uma séria ameaça em situações de contra-ataque na reta final dos encontros.
Depois de terem atingido os oitavos-de-final pela segunda vez na sua história em 2022, a esperança é que os Socceroos consigam agora quebrar o enguiço e vencer o seu primeiro jogo a eliminar. Será mais fácil falar do que fazer, a começar logo num grupo pautado pelo equilíbrio mas, fiel ao seu estilo, Popovic insistiu que a equipa está à altura do desafio. «Somos sempre vistos como os underdogs ou como a equipa que vai lutar pelo último lugar, mas temos a oportunidade, através das nossas ações, exibições e resultados, de mostrar que as coisas podem ser diferentes», afirmou o selecionador no início de maio.
O SELECIONADOR
Tony Popovic treina da mesma forma que jogava: como um defesa duro e intratável, estilo vincado ao longo de 58 internacionalizações pelos Socceroos, incluindo a presença na célebre comitiva do Mundial 2006. O técnico, de 52 anos, valoriza a eficácia em detrimento do estilo, mas encontra sempre forma de obter dividendos, apresentando um currículo que inclui dois títulos da A-League e um troféu da Liga dos Campeões Asiáticos. Popovic colocou rapidamente a sua assinatura na seleção quando assumiu o leme, em setembro de 2024, numa altura em que as aspirações de qualificação para o Mundial pareciam tremelicar. A sua determinação de ferro e a recém-adquirida agressividade da equipa garantiram o bilhete para o sexto certame mundial consecutivo. Agora, estão prontos para encarar aquele que é, discutivelmente, o grupo mais sinuoso na América do Norte.
A ESTRELA
Os Socceroos podem carecer de figuras de dimensão planetária, mas Nestory Irankunda é o autêntico criador de momentos mágicos da equipa. O atacante, de 20 anos, dispara autênticos mísseis de fora da área, ultrapassa os defesas com uma velocidade vertiginosa e dispõe de um reportório cheio de fintas e truques. É frequente vê-lo celebrar os seus golos com um mortal encarpado seguido de passos de dança à Michael Jackson. Este torneio pode muito bem servir de palco para Irankunda exibir estes dotes ao mundo. Entretanto, Mohamed Touré poderá perfeitamente ensombrar o seu amigo de infância, caso consiga transpor a sua veia goleadora fulgurante do clube para a seleção.
JOGADOR A SEGUIR
Jordan Bos tornou-se o menino querido dos adeptos mais fervorosos dos Socceroos. Muito em breve prenderá as atenções de toda a nação, caso consiga transportar as exibições do seu clube para o palco mundial. O jovem de 23 anos ajudou a agitar a Eredivisie na sua temporada de estreia ao serviço do Feyenoord, tornando-se no primeiro australiano a vencer o prémio de jogador do mês no escalão principal dos Países Baixos. A velocidade, o poder físico e a qualidade técnica de Bos no corredor esquerdo são uma enorme mais-valia tanto no clube como na seleção, quer seja eleito como um ala de pendor ofensivo ou no meio-campo. Consegue também revelar-se perigoso em zonas de finalização, tendo marcado recentemente em três internacionalizações consecutivas pela Austrália.
HERÓI DISCRETO
Alessandro Circati poderá passar despercebido devido às funções que desempenha no eixo da defesa, mas o central de 22 anos emergiu rapidamente como uma das peças mais fulcrais no puzzle de Popovic. A sua imponência física dita as regras nos duelos, enquanto a sua compostura acalma os nervos do setor recuado — apresentando, em simultâneo, uma qualidade e requinte com a bola nos pés que ajudam a equipa a transformar um momento defensivo numa transição ofensiva. O estatuto de Circati no seio da seleção ficou bem patente quando se tornou no mais jovem jogador a envergar a braçadeira de capitão, num amigável frente à Nova Zelândia, no ano passado. O defesa tem também subido patamares ao serviço do Parma, acompanhando a ascensão do clube da Serie B para a Serie A, devendo salivar pela oportunidade de se testar ao mais alto nível mundial.
XI PROVÁVEL
(3x4x2x1) Ryan - Souttar, Circati, Burgess - Italiano, Irvine, O'Neill, Bos - Irankunda, Leckie - Touré
O QUE ESPERAR DOS ADEPTOS
Quando se trata de um Mundial, os adeptos da Austrália dividem-se em três grupos. O chip do desporto nacional é inconscientemente ativado e até os cidadãos mais agnósticos em relação à modalidade se veem a agitar os punhos em frente à televisão. Os apreciadores de desporto reatam rapidamente o seu romance com a bola redonda e questionam-se por que razão não a acompanham mais vezes. Já os fiéis e indefetíveis devotos do futebol australiano gritam do topo dos telhados: «Nós estivemos sempre aqui!», à medida que o país se une em torno deles e dos homens de verde e dourado. Alguns farão a viagem, mas muitos terão sido dissuadidos pelos custos elevados e pela incerteza no terreno. Em casa, os horários invulgarmente acessíveis convidam a romarias aos pubs, watch parties ou ajuntamentos nos escritórios. Uma crise nacional acabou evitada quando a decisão de proibir a transmissão dos jogos na icónica Federation Square, em Melbourne, foi revertida em menos de 24 horas.
RELAÇÃO COM OS EUA/TRUMP
Ao passo que os políticos australianos preferem alinhar pelo diapasão da diplomacia com Donald Trump, recusando-se a classificar as suas declarações mais ultrajantes pelo nome, um veterano e carismático internacional dos Socceroos não teve pudores em expressar a sua visão. O médio e capitão do St. Pauli, Jackson Irvine, assumiu-se como uma das vozes mais críticas da FIFA entre os jogadores no ativo, apontando baterias ao organismo que tutela o futebol mundial por ter atribuído um prémio da paz ao presidente norte-americano. «Como organização, teremos de admitir que decisões como esta, de atribuir este prémio da paz, ridicularizam aquilo que tentam fazer com a carta dos direitos humanos e com a premissa de usar o futebol como uma força motriz global para o bem e para a mudança positiva no mundo», atirou Irvine em maio.
Textos de Jo Khan e Martin Pegan, do Guardian Australia. Estes textos foram escritos no âmbito da Guardian Experts' Network, a rede de troca de conteúdos para o Mundial 2026, liderada pelo jornal inglês The Guardian e que tem A BOLA como representante português, e foram traduzidos com recurso a Inteligência Artificial.
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