Real Madrid venceu Barcelona por 2-1, com bis de Mbappé, e fica a três pontos da liderança

Mourinho volta aos clássicos espanhóis a ganhar: Real bate Barcelona (crónica)

Bis de Mbappé deu a vitória ao Real Madrid em solo catalão. João Cancelo e Bernardo Silva foram titulares. Madrilenos estão agora a três pontos do líder e rival

MADRID — José Mourinho está de volta aos clássicos do futebol espanhol e voltou, 13 anos depois da primeira passagem, com uma vitória. O El Clásico da 10.ª jornada da LaLiga terminou com uma vitória fora do Real Madrid em casa do eterno rival Barcelona. Kylian Mbappé bisou para a equipa do Real, que contou com Bernardo Silva no onze inicial. João Cancelo foi titular no conjunto catalão.

Cinco anos e um dia depois, o Real Madrid voltou a ganhar em Barcelona, colocou-se a três pontos do rival e evitou que o Barça conseguisse o melhor começo da história da liga. Genial a aposta tática de Mourinho.

Ainda antes do início do desafio as coisas começaram a correr mal para o Real Madrid. De forma inesperada, Courtois apareceu com gripe. Ainda tentou viajar com o grupo mas, finalmente, teve de ficar em casa. Uma má noticia, é um dos melhores guarda-redes do mundo e foi, em muitas ocasiões, o grande salvador da equipa. 

Mas nem essa forçada ausência na retaguarda coibiu José Mourinho de, numa prova de valentia, apresentar uma formação claramente ofensiva, com a surpresa da presença de Bernardo Silva junto a Arda Guler, dois genuínos organizadores, com a missão pôr ordem no jogo da equipa. Entre ser conservador, aguentar, esperar atrás e responder com algum fugaz contra-ataque, ou não mostrar medo, procurar impor-se e tomar a iniciativa, o técnico português optou por esta última solução. Com isso surpreendeu o Barcelona, que não esperava semelhante descaramento do adversário. 

O Real, de facto, mostrou, desde o início, grande segurança na defesa, bom posicionamento das suas peças, solidariedade entre todos e rapidez nas saídas para a ofensiva, sobretudo pelo lado esquerdo, com Cucurella e Diomande a criarem problemas ao jovem defesa Xavi Espart, que, à meia hora, teve de abandonar o relvado lesionado. Um sério contratempo para Flick, que se viu obrigado a reorganizar a defesa. Fez entrar Balde e mandou João Cancelo para o lado direito para ter a difícil missão de marcar o habilidoso e veloz jogador mais caro do plantel visitante. 

O Real continuou a pressionar até conseguir adiantar-se no marcador já à beira do intervalo. Bernardo fez um bom passe para Cucurella, este cedeu a Diomande, que centrou para a área. Gerard Martín aliviou mal, a bola tocou na perna de Mbappé e entrou na baliza. Uma grande jogada de ataque e um erro defensivo que custou caro. 

Para o Barcelona este golo foi um duche de água fria, mas soube reagir e, logo a seguir, Lamine Yamal, sozinho, perdeu uma oportunidade magnífica de empatar.

Assim se chegou ao descanso, com o Real Madrid a ganhar depois de um magnífico primeiro tempo, o melhor de toda a temporada, em que foi superior em quase tudo, graças, sem dúvida, em grande parte, à acertada estratégia de Mourinho. Se fosse toureiro, teria saído em ombros, com duas orelhas e um rabo.

Mas num jogo deste nível, um golo de diferença não é suficiente. Ao Real faltava-lhe o tento da tranquilidade e buscou-o no começo da segunda parte. Bellingham teve-os nos pés mas não aproveitou as ocasiões.

Tal acabou por ter um custo elevado. Ao quarto de hora, Cucurella cedeu um canto, Lamine Yamal lançou-o com rapidez e a bola chegou a Raphinha, que, com um remate seco, bateu Lunin.

O golo motivou o Barcelona, que passou a controlar o jogo e a criar sérios problemas à defesa. Teve de ser Lunin a ter de empregar-se a fundo para defender um perigoso remate de cabeça de Gerard Martín. 

O final da partida aproximava-se, parecia que a igualdade se manteria, mas ainda houve tempo para o Real marcar o golo do triunfo, fabricado por franceses: grande jogada de Camavinga, que entrara para o lugar de Bernardo, e entrega a Mbappé, que não perdoou, bisou e chegou aos 100 golos com a camisola do Real Madrid. José Mourinho não conteve a felicidade e, com um deslizar de joelhos, celebrou o 2-1. 

Grande clássico entre duas equipas de grande categoria, merecida vitória dos madrilenos e noite de glória de Mourinho no regresso a Barcelona. Magnífica exibição de Bernardo Silva, ajudando na defesa e a construir jogo no meio campo. Saiu exausto depois do enorme esforço que teve de fazer. João Cancelo, primeiro na esquerda e depois na direita, teve de fazer frente aos velozes adversários que não o deixaram aventurar-se nas ajudas ao ataque.

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