Mir bate com a porta da Honda: «Nenhum resultado mudará a minha decisão»

O piloto espanhol está cansado e confirmou a saída da equipa alegando que não andar no limite a lutar pelo pódio durante 22 corridas no Mundial de MotoGP. A Ducati da equipa Gresini é apontado como o seu destina na próxima época

Joan Mir alcançou um pódio agridoce em Barcelona, confirmando que a sua decisão de deixar a Honda no final da temporada de 2026 é irreversível, independentemente dos resultados futuros. O piloto espanhol, que tem sofrido inúmeras quedas ao longo do ano na tentativa de lutar pelos lugares cimeiros com uma moto pouco competitiva, conseguiu um merecido segundo lugar num caótico Grande Prémio.

Contudo, este resultado está ainda sob investigação devido a uma alegada irregularidade na pressão dos pneus.

«Conheço as minhas capacidades, sei do que sou capaz de fazer mesmo com esta moto», afirmou Mir, revelando que a decisão de sair foi tomada em Jerez. «Em breve saber-se-á para onde vou. Mas agora quero desfrutar deste pódio. Qualquer resultado que venha a obter até ao final do ano não mudará nada, a decisão já está tomada».

O piloto da Honda explicou as dificuldades sentidas ao longo da época, sublinhando a necessidade de arriscar constantemente para obter bons resultados.

«Não tem sido um início de temporada fácil, muitas vezes tive potencial para estar entre os cinco primeiros», disse. «Estou obrigado a pilotar constantemente no limite e, se queres lutar pelo pódio, não podes pilotar sempre desta maneira. Podes lutar por um sexto lugar, mas para lutar sempre pelo pódio precisas de algo mais».

Apesar das adversidades, Mir mostrou-se satisfeito com o desempenho em Barcelona. «Estou muito feliz por ter chegado ao pódio aqui, não é o melhor circuito para nós e fomos rápidos», acrescentou, deixando ainda uma palavra para Johann e Álex: «Hoje corremos um grande risco e espero que eles estejam bem e que regressem no Mugello ou, em todo o caso, em breve».

Sobre a corrida, Mir descreveu a sua estratégia, admitindo que talvez pudesse ter lutado pela vitória com Di Giannantonio. «Estive atrás do Pedro [Acosta] e deixei-o fazer o trabalho duro no início. Demorei demasiado tempo a passá-lo, mas queria evitar cair e cometer erros. Não podia cair outra vez!», confessou.

O piloto espanhol abordou também a perigosidade do circuito catalão, especialmente na primeira curva, e sugeriu possíveis alterações para aumentar a segurança.

«Esta reta é longa, chegamos à primeira curva rapidíssimos. É fácil cometer um pequeno erro que se pode tornar um grande problema. Talvez se deva mover a grelha para uma posição mais adiantada para chegar à primeira curva com uma velocidade mais baixa», propôs Mir.

Questionado sobre a possibilidade de lutar mais vezes pelo pódio com a Honda, foi cético: «Não creio. Tenho de correr demasiados riscos para alcançar estes resultados. Não se pode fazer isso durante 22 corridas em cada volta. Temos de melhorar para poder pilotar com um pouco mais de margem».

Por fim, sobre a investigação que pode custar-lhe o pódio, Mir mostrou-se resignado. «Seria uma pena. Mas não se pode controlar certas coisas. Sinto este pódio como meu, não sei o que aconteceu com a pressão. Pelo que vi, parecia que estava tudo bem».

A iniciar sessão com Google...