Miguel Queiroz esteve nos dois títulos de campeão dos dragões. Em entrevista exclusiva a A BOLA, fala das duas conquistas, agora como capitão da equipa

Miguel Queiroz é o único repetente do título de 2016: «Não mudou muito»

Capitão do FC Porto é o único elemento do plantel de 2015/16 que se mantém nos azuis e brancos. Na altura jovem promessa, é agora figura de proa dos azuis e brancos comandados por Fernando Sá. «Não mudou muito», garante a A BOLA. Aos 34 anos, não abranda e garante que a sua melhor versão ainda está para vir

Depois de passagens por Portimonense, Barreirense e Illiabum, Miguel Queiroz chegou ao FC Porto em 2013, numa fase inicial para o Dragon Force, e desde então tem sido um dos esteios da equipa de basquetebol portista.

— Há dez anos sagrou-se campeão como jovem promessa, agora é capitão do FC Porto. O que mudou nestes dez anos?

Estou mais velho (risos), mais dores nos joelhos... Não mudou muito. Há uma coisa que não muda: a ambição por vencer e por ganhar é algo que me orgulha porque ainda está cá, sinto muito isso, aquela exigência de ser melhor. Eu acho que mudou a experiência. Tenho mais experiência, já passei por muitas coisas na minha carreira desportiva e pessoal que me fizeram quem eu sou hoje. Nestes momentos de finais estou mais tranquilo, se calhar antes estava um bocadinho mais nervoso, apesar de que estava ansioso no último jogo [contra o Benfica]. É isso, mudou a experiência, acho que estou uma pessoa mais experiente.

— Qual das duas conquistas teve o sabor mais especial para si? Por muito que seja difícil escolher…

É muito difícil... são sentimentos diferentes. Quando vim para o FC Porto, o desafio era recolocar o clube na Primeira Liga e ser campeão nacional. E esse objetivo foi conseguido muito rápido, em duas ou três épocas conseguimos estar na Segunda Liga e ser campeões nacionais, por isso foi um sentimento de dever cumprido. Esta mais recente é muito especial para mim também, porque são dez anos sem ser campeão. Não tinha levantado nenhuma taça de campeão nacional como capitão, e é mesmo muito especial por isso também. Por aquele sentido de missão: “não ganhamos há tanto tempo", "eu mereço isto, nós merecemos isto, os adeptos merecem isto, a minha família merece ver-me feliz". Foi um sentimento mesmo muito bom, por estes anos de espera e por termos tido de lutar tanto para conseguir este objetivo.

— Como homem da casa e como capitão, como é que geriu a pressão interna que se foi criando ao longo da época e também a expectativa alta dos adeptos, que queriam, naturalmente, voltar a ver o FC Porto campeão após uma década de ‘seca’?

A expectativa faz parte, eu percebo isso. Nós também temos essa expectativa. Eu lido muito bem com isso também. Lá está, já tenho alguns anos disto, a experiência de perceber que a expectativa dos adeptos é a mesma que a nossa, que é ganhar. Essa exigência existe. Para jogar no FC Porto, tens de gostar disso ou tens de estar confortável com isto, porque não há outra maneira. Eu próprio não vou aceitar uma derrota que não devíamos ter tido, os adeptos também não. Temos de estar preparados para isso. E essa exigência é o nosso dia a dia, é querermos ser melhores todos os dias para que, quando chega o jogo, estarmos preparados para entregar isso.

— Quando terminar a carreira — que ainda falta —, como quer ser lembrado, tanto pelos adeptos do FC Porto como pelos adeptos do basquetebol português?

Não penso muito nisso. Quero ser lembrado como alguém que deu tudo ao desporto, à Seleção Nacional, ao FC Porto, e que tinha um bom coração.

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