«Só os mais distraídos podem desvalorizar o que é vencer um troféu continental»
Miguel Cardoso descreveu a vitória na Liga dos Campeões africana pelo Mamelodi Sundowns como um «marco brutal» na sua carreira, um título que, segundo o próprio, «fica para a eternidade». A conquista foi alcançada há uma semana, numa final disputada contra os marroquinos do FAR Rabat, de Alexandre Santos.
Em entrevista à agência Lusa, o técnico de 54 anos, natural da Trofa, sublinhou a importância de vencer uma competição continental em África, frequentemente dominada por equipas do norte do continente. «É, naturalmente, um marco brutal em termos de carreira. É atingir um patamar de treinador ao alcance de poucos. Só os mais distraídos podem desvalorizar aquilo que é vencer um troféu continental», afirmou.
Esta foi a terceira final consecutiva da competição para Miguel Cardoso, que já a tinha disputado uma vez ao serviço dos tunisinos do Espérance de Tunis e, agora, por duas vezes com os sul-africanos do Mamelodi Sundowns. Para o treinador, a vitória representa o culminar de «muito trabalho» e a concretização das expectativas da administração do clube, gerido pela família Motsepe.
Com este feito, Miguel Cardoso tornou-se apenas o segundo treinador português a vencer a prova, juntando-se a Manuel José.
«Ao longo deste percurso de dois anos, conseguimos ascender ao primeiro lugar do ranking da CAF, destronando os maiores do continente africano, como o Espérance de Tunis ou o Al Ahly do Egito», analisou, acrescentando que a sua equipa foi a que mais golos marcou e chegou à final sem derrotas nas fases decisivas.
Os festejos em Pretória foram descritos como «absolutamente incríveis» e «brutais»: «Durante o passeio, tive ali largos períodos de grande emoção. As escolas pararam, as crianças invadiram as ruas e corriam atrás dos autocarros. Foi absolutamente arrebatador.»
«Estamos a falar do futebol do povo, na verdade. Visitar e perceber a alegria que as pessoas conseguem retirar através do futebol e das vitórias para alimentar um bocadinho as suas próprias vidas, tão privadas de tanta coisa, é brutal», acrescentou.
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