Miguel Cardoso: «Ganhar a Liga dos Campeões pode definir uma carreira»
Miguel Cardoso espera que à terceira... seja de vez, ao liderar o Mamelodi Sundowns na segunda mão da final da Liga dos Campeões africana. O jogo decisivo será disputado este domingo em Rabat, contra a equipa da casa, o FAR Rabat, orientado pelo também português Alexandre Santos, com início às 19h00 (horas de Lisboa).
Esta é a terceira final consecutiva do técnico luso na principal competição de clubes de África, mas ainda não conseguiu erguer o troféu. Para o encontro em Marrocos, a sua equipa parte com uma vantagem de 1-0, conquistada na primeira mão em Pretória, no fim de semana passado.
Ciente de que a tarefa está apenas a meio, Cardoso sublinha a determinação do seu clube em terminar uma espera de 10 anos pelo título continental. O treinador manifestou um «enorme sentimento de orgulho» por chegar ao jogo decisivo da competição. «Traz emoção, um sentimento de trabalho feito e um grande respeito por todos os que fizeram parte desta jornada», afirmou, destacando o empenho de clubes, jogadores, árbitros, dirigentes da CAF e adeptos.
Para o Mamelodi Sundowns, o objetivo é claro: «Resta-nos apenas uma coisa: lutar até ao fim». Cardoso descreveu o percurso como «uma jornada bonita, mas difícil, com momentos de alegria, lágrimas, trabalho árduo e sacrifício», elogiando o compromisso dos seus jogadores e do clube.
«Um título como este pode marcar uma carreira e um clube, e nós queremos-o a todo o custo. Esta ambição tem-nos motivado desde a época passada, quando ficámos a um passo de o conquistar, e agora temos uma nova oportunidade.»
A experiência de finais anteriores, tanto para o clube como para si, é um fator importante. «Chegar a uma final pela quarta vez como clube e pela terceira vez para mim diz muito sobre a dimensão do clube e o compromisso por detrás destas campanhas», refletiu. No entanto, alertou que «a experiência lembra-nos que o futebol pode ser imprevisível», capaz de recompensar ou punir quando menos se espera.
«Nem todas as derrotas são uma perda na vida, e nem todas as vitórias definem tudo. Mas ganhar um troféu como este pode definir uma carreira e um clube, e nós queremo-lo profundamente», confessou o técnico.
No plano tático, o treinador português antecipa um jogo de «diferentes momentos» que terão de ser geridos adequadamente. Será crucial «defender de forma agressiva» quando a equipa não tiver a bola e, com ela, manter a identidade do clube. «Precisamos de ser fortes em todas as fases do jogo, incluindo as bolas paradas defensivas e ofensivas, porque jogos como este são muitas vezes decididos por pequenos detalhes», analisou.
Sobre o ambiente fervoroso que se espera em Rabat, Cardoso foi categórico: «Trabalhamos toda a nossa carreira para jogar partidas como esta. O difícil é jogar sem ambiente, sem adeptos e sem emoção». O treinador apelou ainda a que o jogo seja um exemplo do melhor que o futebol africano tem para oferecer, especialmente com grandes competições futuras no horizonte. «Devemos representar o jogo e o continente da melhor maneira possível», concluiu.
Sobre o risco de excesso de confiança devido à vantagem trazida da primeira mão, a resposta foi um rotundo «não, de todo». A ideia de excesso de confiança é firmemente rejeitada, sendo considerada não apenas um desrespeito pelo adversário, mas também por si próprio. «Significa que não se está a ir até ao limite do que se pode dar», foi sublinhado.
«Sabemos que temos de nos levar a um patamar onde talvez nunca estivemos antes, tanto a nível físico, como tático e estratégico. Se o fizermos, estaremos muito mais perto de alcançar algo especial».
A expectativa é, por isso, a de uma equipa «totalmente empenhada e pronta para gerir cada momento do jogo da melhor forma possível».