Michael Jordan conquistou seis títulos em seis presenças nos Finals pelos Bulls     - Fotografia Imago
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Michael Jordan em Lisboa: «Perderiam muito dinheiro se apostassem contra mim. Detesto perder!»

Antiga superestrela da NBA foi as estrela maior da abertura do SBC Summit, em Lisboa, e falou das diferenças do basquetebol, e do desporto em geral, de quando era jogador e na atualidade, de como era, e é, a sua mentalidade competitiva e o que o fez apostar nos desportos motorizados

Considerado por muitos, sobretudo os que tiveram oportunidade de o ver jogar, o melhor basquetebolista de todos os tempos, Michael Jordan marcou presença, esta terça-feira, na Meo Arena, em Lisboa, no âmbito da abertura da SBC Summit, evento de quatro dias que conta com a participação de cerca de 40 mil pessoas vindas de mais de 150 países em torno da indústria do entretenimento digital, iGaming e das apostas desportivas

Jordan, que esteve em palco com o CEO e co-fundador da DraftKings Jason Robins e o CEO e fundador da Sportrada Carsten Koerl, para partilhar a sua visão sobre a indústria do desporto e das apostas. Vencedor de seis títulos da NBA pelos Bulls, All-Star em 14 ocasiões, e medalha de ouro nos Jogos de Los Angeles-1984 e Barcelona-1992, o antigo base e ex-dono maioritário dos Hornets e agora investidor garantiu que não trocaria a era em que competiu pelos tempos modernos.

Durante a conferência, Air Jordan recordou o foco estritamente competitivo que mantinha em campo. «Como jogador nunca me foquei no que as pessoas estavam a apostar, estava completamente longe desse cenário. Depois comecei a perceber toda a envolvência à volta do desporto e a forma como os adeptos se querem envolver. E muitos deles sentem-se envolvidos no jogo através de uma aposta no desporto», recordou.

Jason Robins, Michael Jordan e Carsten Koerl na SBC Summit, em Lisboa

Ao comparar a sua época, em que actuou 13 temporadas em Chicago (1984/85 a 1997/98) e outras duas nos Wizards (2001/02 a 2002/03) com o panorama atual, Jordan foi perentório quanto ao seu afamado espírito combativo. «Se jogasse hoje? Bem, o jogo é diferente. Nunca me preocupei com as estatísticas… queria lá saber das apostas, queria ganhar o jogo. Hoje em dia, há uma ligação muito forte ao ambiente das apostas. Na altura, só me preocupava com o que o meu adversário ia fazer. Como atleta, só quero jogar o jogo», contou quem, fora dos courts, era capaz de apostar por tudo e mais alguma coisa, sobretudo em jogos de cartas e no golfe.

Michael reforçou ainda as diferenças de mentalidade entre as duas eras. «Há vinte anos só queria fazer dos Bulls a melhor equipa do mundo. Hoje, vejo muitos jogadores preocupados com a marca, com o logo, com a imagem de mercado… adoro que tenha atuado no tempo em que joguei, a ligação ao basquete era genuína. Só queria ganhar e não que aquilo fosse rentável para outros.»

MJ alertou ainda os apostadores relativamente à sua lendária competitividade. «Quem apostasse na altura em que jogava e quisesse ganhar dinheiro com um mau resultado dos Bulls, teria que apostar nalguma fraqueza minha e, muito honestamente, eu não tinha pontos fracos. Sou um péssimo exemplo nesta indústria das apostas: eu ia para onde quisesse, para a esquerda, para a direita… para onde fosse preciso. Iriam perder muito dinheiro se apostassem contra mim. Sou muito competitivo, detesto perder.»

Abordando a evolução dos meios e das transmissões, Jordan sublinhou as radicais transformações nos hábitos de consumo. «Lembro-me de crescer a ver um jogo na televisão e hoje temos a oportunidade de ver vários jogos ao mesmo tempo. Agora os adeptos estão muito perto daquilo que representam os jogadores. Cresci num ambiente diferente em que estes miúdos estão a viver. O consumo baseia-se muito na forma como se pode fazer uma conexão com o jogo, neste caso. Se isso não estiver a acontecer, é porque algo não está a resultar.»

Jordan, que também chegou a ser sócio minoritário dos Wizards através da participação numa firma, elogiou igualmente o crescimento de outros setores. «Os desportos femininos, por exemplo, estão muito fortes e essa é uma mudança enorme. Os conteúdos estão a ganhar cada vez mais espaço, na televisão e no ambiente digital. E é importante que a indústria se pergunte: o que é que entretém as pessoas?»

Ligado ao universo dos desportos motorizados como investidor na NASCAR desde há alguns anos como patrão de uma equipa, a 23XI Racing - antes começara pelas motos de velocidade - Michael Jordan explicou a sua motivação para entrar no negócio. «Lembro-me de ir às corridas NASCAR com a minha família e mais tarde, tentei perceber como é que se podia potenciar esse desporto. Quando entrei nessa indústria, tentei perceber formas como se podia elevar essa modalidade, tal como aconteceu com a Fórmula 1. Se puder causar impacto, já valeu a pena o esforço.»

A terminar a sua intervenção na capital portuguesa, que já havia visitado no verão de 2025, MJ revelou ainda uma curiosidade do seu quotidiano. «A primeira app que abro de manhã? A da meteorologia. Gosto de saber como está o tempo para perceber se posso ir jogar golfe.»

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