Mateus Mané vai jogar por Portugal. O polivalente médio do Wolverhampton estava a ser pretendido também pela selção inglesa, mas Luís Freire, selecionador dos sub-21, explicou o processo de escolha

Mateus Mané e Noah Saviolo: das pisaduras no Barreiro às quatro seleções

Médio do Wolverhampton e extremo do Vitória de Guimarães foram duas das grandes novidades na lista de convocados da Seleção sub-21. A BOLA conta-lhe a história de ambos

Não faltaram novidades no anúncio da convocatória da Seleção Nacional de sub-21 para os compromissos deste mês, contra Azerbaijão e Escócia. Entre as várias estreias, dois nomes destacaram-se de forma particular: Mateus Mané e Noah Saviolo, jogadores de Wolverhampton e Vitória de Guimarães, que já tinha atuado pelas camadas jovens de outros países.

Contudo, na hora de tomar uma decisão no escalão que antecede o patamar mais alto, o duo optou por Portugal. Algo que o selecionador, Luís Freire, enalteceu na conferência de Imprensa desta sexta-feira, vincando o profundo desejo que ambos os jovens mostraram por representar a equipa das Quinas. Agora, A BOLA conta ao leitor a história destes dois talentos que prometem, nos próximos anos, atingir níveis elevados ao serviço do futebol português.

Os anos no Barreiro e a mudança para Inglaterra

Comecemos por recuar à infância de Mané. Nascido a 16 de setembro de 2007, no Barreiro, Mateus deu os primeiros toques na bola com o irmão mais velho, na terra natal. «As primeiras memórias que tenho envolvem o meu irmão e nós os dois a jogarmos futebol. Ele é uns anos mais velho do que eu e, à beira da biblioteca, havia um campo pequeno. Eu chegava a casa cheio de pisaduras, a nossa mãe achava que tínhamos andado à pancada», contou o polivalente médio em declarações aos meios dos Wolves, recentemente.

Com raízes guineenses, Mateus Mané desde cedo se habituou a jogar «contra malta mais velha». «São as melhores memórias que tenho, esses jogos com o meu irmão e os amigos dele. Mostraram-me o quão físico o futebol podia ser e transportei isso para o meu estilo de jogo. Quando apanho adversários maiores do que eu, consigo adaptar-me, porque já estou habituado. Quando cheguei a Inglaterra, achavam que por ser muito novo não sabia como jogar, mas depois de começar... Toda a gente me queria na sua equipa, mesmo quando os campos estavam cheios de lama», prosseguiu.

A primeira ligação formal ao futebol surgiu por via do Barreirense, mas, aos oito anos, Mané mudou-se para Inglaterra... sem saber dizer uma palavra em inglês. «Via muita coisa em inglês, mas não entendia nada. Tive de aprender passo a passo. Na escola, em casa... Os meus primos também falavam inglês e isso ajudou-me. A adaptação não foi fácil, tive de começar do zero, mas agora estou feliz», relata.

O talento em bruto de Mateus Mané não passou despercebido ao... Manchester City, que rapidamente integrou o jovem aspirante a futebolista no City Select, um programa que permitia que crianças pudessem desenvolver-se fora da academia do clube, mas sob vigilância atenta. Seguiram-se passagens pelos Manchester Cobras, Moston Brook and Bee Inspired Football Academy, até que, um dia (e quase por sorte...) as portas do Rochdale abriram-se.

«Um dos meus colegas assinou pelo Rochdale e disse ao treinador que eu devia fazer testes. O Tony Ellis disse-me que me queria contratar depois do primeiro treino que fiz. Queria ir para uma academia, então assinei e comecei a jogar com regularidade pelos sub-18», detalhou Mateus, lembrando a intervenção de Ellis, hoje um dos nomes fortes da formação do Wolverhampton. Alguns anos volvidos, e já depois de ter chegado à equipa principal do Rochdale com apenas 16 anos — «Tinha saído da escola e o treinador ligou-me a dizer que me queria no banco no dia seguinte» —, Mané deu o salto, em 2023/24.

Nova mudança, desta feita para as West Midlands e com a família de pedra e cal em Manchester. «Sempre que tenho uma folga, tento ir lá. Estou a ter aulas de condução, fora do futebol, é o grande assunto da minha vida atualmente», afirmou o futebolista, bem-disposto. Entre 2024 e 2025, somou sete internacionalizações pelos sub-18 de Inglaterra e chegou a defrontar Portugal... no Porto, no Torneio Internacional que decorreu em março do ano passado. Em maio, fez a estreia oficial pela equipa principal dos Wolves, pela mão de... Vítor Pereira.

A presente temporada tem sido de plena afirmação para Mateus Mané. Com 1491 minutos distribuídos por 23 partidas — é o 12.º jogador mais utilizado do plantel do Wolverhampton em 2025/26 —, já foi opção no meio-campo, pelas alas e até como uma espécie de falso avançado. Os rumores de uma possível convocatória por Portugal já circulavam há meses e confirmaram-se agora: aos 18 anos, o diamante em bruto pode fazer a estreia pelos sub-21 das Quinas, mas também é importante recordar que, até jogar pela Seleção A, continuará a ser elegível por Inglaterra.

Noah Saviolo: Bélgica, Congo e, por fim, Portugal!

Ao contrário de Mateus Mané, Noah Saviolo não nasceu em Portugal. Contudo, isso não quer dizer que o extremo do Vitória não tenha raízes lusas. Como Luís Freire revelou, os avós do dianteiro têm nacionalidade portuguesa, mas a multiculturalidade do jogador não fica por aí...

Além de ter sido internacional sub-15 pela Bélgica, em 2021 chegou a ser chamado aos sub-20 da República Democrática do Congo. Saviolo tem, ainda, ascendência angolana, pelo que, contas feitas, trata-se de um futebolista elegível por nada menos do que quatro (!) seleções.

A opção recaiu, agora, por Portugal, país ao qual chegou em 2022/23, pela porta da formação do clube vimaranense, já depois de ter passado pelas academias do Anderlecht (Bélgica) e do Lille (França). A primeira época foi passada na equipa de juniores, mas o salto aconteceu logo na campanha seguinte. Já em 2024/25, na segunda temporada que passou na equipa B, foi treinado por... Gil Lameiras.

O agora técnico da equipa principal vitoriana limou as qualidades de Saviolo, que recebeu uma oportunidade entre os graúdos no arranque da presente época. O início foi algo tímido, mas Luís Pinto foi dando confiança ao extremo de 21 anos, que respondeu com melhorias claras e... ações decisivas: soma dois golos e cinco assistências em 28 jogos. Este mês, terá a oportunidade de mostrar serviço de Quinas ao peito. E Luís Freire esfrega as mãos, ele que já o conhecia da passagem por Guimarães e, sabe A BOLA, observou-o recentemente em ação in loco no campeonato.

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