Marselha 'a arder' por causa de um dos jogadores mais odiados do mundo
A aventura de Mason Greenwood no Marselha parece estar a chegar ao fim de forma conturbada, reporta o L'Équipe. O extremo inglês, tanto dentro como fora de campo, tem acumulado episódios de tensão com as sucessivas equipas técnicas e com a direção desportiva, que já não tolera o seu comportamento. O mais recente incidente foi a interrupção de um treino esta semana, agravando uma relação já desgastada.
O comportamento individualista do antigo jogador do Manchester United foi a gota de água para o treinador Habib Beye, que decidiu terminar a sessão de treino depois de Greenwood ter ignorado repetidamente as suas instruções. Embora não tenha sido o único responsável, o inglês cristaliza a frustração geral, sobretudo por ser considerado o jogador mais talentoso e decisivo do plantel.
Recorde-se que Greenwood foi o co-melhor marcador da Ligue 1 na época passada, a par de Ousmane Dembélé, e foi novamente nomeado para o troféu de melhor jogador do campeonato esta temporada. No entanto, a sua atitude tem sido uma fonte constante de problemas. Já o anterior técnico, Roberto De Zerbi, teve problemas, chegando a afastá-lo de treinos e a impor-lhe trabalho físico extra, enquanto também o elogiava publicamente.
A relação com a estrutura do clube deteriorou-se significativamente, em particular com o diretor desportivo, Mehdi Benatia. Este ficou exasperado quando Greenwood se recusou a participar numa ação de marketing do clube, chegando a pedir aos jogadores mais experientes do plantel que confrontassem o colega de equipa.
Apesar de ter criado laços com alguns jogadores, como os mais jovens e os anglófonos, e de os seus desentendimentos nos treinos, como o que teve com Pierre-Emile Hojbjerg, nunca terem escalado para violência física, Greenwood manteve-se sempre algo isolado. O jogador recusou-se a frequentar as aulas de francês obrigatórias, argumentando que todos no balneário falavam inglês, e faltou a vários compromissos.
A direção do Marselha sente-se frustrada com a falta de investimento e gratidão do avançado, a quem foi dada a oportunidade de relançar a carreira após o caso extradesportivo que o afastou do futebol inglês. Por sua vez, Greenwood sente-se excessivamente vigiado, citando exemplos como o controlo rigoroso dos seus tratamentos de recuperação ou as ordens dadas aos seguranças do centro de treinos para barrarem a entrada a estafetas com as suas encomendas de comida.
Os adeptos, inicialmente tolerantes devido aos seus golos e dribles, também já perderam a paciência. Numa época de desilusões, em que jogadores como Leonardo Balerdi e Benjamin Pavard foram apontados como culpados, Greenwood juntou-se agora à lista dos visados pelas bancadas.
A fratura no seio do OM é cada vez mais evidente, sendo a relação entre Greenwood e Benatia o exemplo mais flagrante. Os dois ignoram-se mutuamente no dia a dia, com o avançado a aguardar por uma saída que se antevê inevitável, mas complexa.
O Marselha chegou a ter esperança de conseguir um encaixe financeiro significativo com uma futura venda de Greenwood. No entanto, a situação complicou-se. Apesar de a percentagem devida ao Manchester United na transferência ser menor este verão, conforme estipulado, a cotação do jogador diminuiu consideravelmente devido à sua inconstância exibicional.
Para agravar o cenário, as portas da Premier League continuam fechadas para o avançado, o que limita as suas opções e dificulta a concretização de uma transferência vantajosa para o clube francês.