Marítimo avança para a Justiça por acusações sobre relvado e esclarece situação
O Marítimo anunciou que irá recorrer aos seus serviços jurídicos para agir contra comentadores e jornalistas devido a «afirmações graves», nomeadamente a acusação de que o clube teria pintado o relvado do seu estádio. Num comunicado emitido esta terça-feira para responder às críticas recentes, a direção do clube madeirense esclareceu os factos que levaram à atual condição do relvado e as medidas em curso para a sua recuperação.
O clube refuta categoricamente ter pintado o relvado para disfarçar imperfeições, classificando a alegação como «totalmente falsa». O Marítimo lamenta que, após o dia do jogo ter demonstrado a falsidade da acusação, não tenha havido qualquer «correção pública, retratação ou pedido de desculpas» por parte de quem a difundiu.
Além disso, o clube denuncia a circulação de desinformação nas redes sociais, onde foram partilhadas imagens do relvado datadas de 2021 como se fossem atuais, com o objetivo de criar uma perceção pública enganadora. O Marítimo distingue a crítica legítima, que afirma aceitar, da divulgação de mentiras, sublinhando que «não pode valer tudo».
No mesmo comunicado, a direção explica que a sobrecarga do relvado do Estádio do Marítimo foi uma consequência direta da falta de condições no Complexo Desportivo da Ribeira Brava, o local habitual de treinos da equipa profissional. O clube aguarda a assinatura de um protocolo com o Governo Regional, gerido pela Sociedade Ponta Oeste, que prevê a renovação dos relvados daquela infraestrutura.
A ausência de um acordo forçou a equipa a treinar não só no Estádio, mas também no Complexo de Santo António, que já serve a equipa feminina e os sub-23. Para proteger o campo de jogo, o clube suspendeu totalmente os treinos no estádio após a terceira jornada, apesar de reconhecer que as alternativas não estão nas melhores condições.
O Marítimo informa ainda que a recuperação do relvado está a ser dificultada pelas condições de calor e humidade na Madeira. Em paralelo, o clube mudou de empresa de manutenção a 1 de junho de 2026, por a anterior não cumprir as exigências da direção.
Atualmente, o clube está a trabalhar em articulação com os serviços técnicos da Liga Portugal numa intervenção no relvado, um processo que, segundo o Marítimo, «não produz resultados de um dia para o outro». «Ninguém está mais preocupado com o estado do relvado do Estádio do Marítimo do que o próprio Marítimo», apontou.
Comecemos pelo essencial: ninguém está mais preocupado com o estado do relvado do Estádio do Marítimo do que o próprio Marítimo. E é precisamente por isso, e pela defesa intransigente do bom nome e dos interesses do Clube, que a Direção entende dever esclarecer aquilo que tem sido feito para resolver o problema, as razões que levaram à situação atual e as medidas já em curso.
Em primeiro lugar, importa explicar uma condicionante decisiva. No decorrer da época passada, o Marítimo manifestou formalmente interesse em renovar o protocolo com o Governo Regional para a utilização do Complexo Desportivo da Ribeira Brava, o local onde a equipa profissional deve treinar diariamente, e iniciou de imediato as diligências necessárias. Esse contrato, que contempla a renovação dos relvados daquela infraestrutura, encontra-se há algum tempo em análise na Sociedade Ponta Oeste, entidade que gere o espaço, e continua por assinar. Sem a Ribeira Brava em plenas condições, o Marítimo viu-se obrigado a repartir os treinos entre o Complexo de Santo António, já de si sobrecarregado por acolher também a equipa de futebol feminino e a equipa de sub-23, e o Estádio do Marítimo, o que, como é evidente, sobrecarregou um relvado que deveria estar reservado à competição. O Clube, logo após a jornada 3, tomou a decisão de suspender totalmente os treinos no Estádio do Marítimo, mesmo sabendo que o relvado do complexo não se encontra nas melhores condições e que o contrato com a Sociedade Ponta Oeste permanece à espera de assinatura. Fê-lo porque a prioridade é dar ao relvado do Estádio o tempo de que precisa para recuperar. Essa recuperação, num contexto de calor e humidade elevados como o que a Madeira atravessa nesta altura do ano, exige naturalmente tempo, por mais cuidado que exista.
Em segundo lugar, a manutenção do relvado. A empresa que assegurava este serviço não conseguiu garantir as condições exigidas pela Direção, pelo que o contrato não foi renovado. Desde 1 de junho de 2026, a manutenção está entregue a uma nova empresa.
Em terceiro lugar, o Marítimo não ficou à espera. O Clube solicitou a intervenção da Liga Portugal e está, neste momento, a trabalhar em articulação com os seus serviços técnicos numa intervenção no relvado do Estádio. Trata-se de um trabalho já em curso, mas que, pelas razões já expostas, não produz resultados de um dia para o outro.
No entanto, apesar de todos os esforços que o Marítimo está a fazer para a recuperação do relvado, a crítica fundamentada e informada é completamente legítima e o Clube aceita-a e respeita-a. Diferente é a divulgação de informações falsas ou não verificadas, sobretudo quando poderiam ter sido facilmente esclarecidas junto do Marítimo.
Na semana passada, alguns comentadores e jornalistas afirmaram publicamente que o Marítimo tinha pintado o relvado de verde para disfarçar as suas imperfeições. É falso. É totalmente falso, e o Clube afirma-o de forma categórica: o Marítimo não pintou o relvado do Estádio, nem nunca o fará. O dia do jogo chegou e a verdade ficou à vista de todos. No entanto, até ao momento, o Clube não registou qualquer correção pública, retratação ou pedido de desculpas relativamente a essa informação. O tema, simplesmente, desapareceu, como se difamar um clube centenário não tivesse consequência alguma.
E não ficou por aí. Nas redes sociais circularam, apresentadas como atuais, imagens do relvado do Estádio do Marítimo com cinco anos, captadas em 2021. Fez-se passar por retrato do presente aquilo que pertence ao passado, com um único propósito: criar uma perceção pública sobre o estado do relvado que não correspondia à realidade. Isto não é crítica, nem opinião, nem jornalismo. É desinformação, pura e simples.
O Marítimo respeita profundamente o jornalismo e o comentário desportivo, e aceita, como sempre aceitou, todas as críticas legítimas, informadas e fundamentadas. Criticar é legítimo. Mentir não é. O jornalismo é uma profissão com deveres e com responsabilidade, como qualquer outra, e quem erra publicamente, causando dano público, tem de responder por isso, exatamente como responderia um profissional de qualquer outra área. Não pode valer tudo.
Assim, perante a gravidade das afirmações produzidas por alguns comentadores e jornalistas, em particular no que respeita à falsa acusação de que o Marítimo pintou o relvado do estádio, o Club Sport Marítimo informa que decidiu entregar o assunto aos seus serviços jurídicos para adoção das diligências consideradas adequadas. Da mesma forma, o Clube está a recolher e a preservar toda a prova relativa à divulgação de imagens antigas do relvado apresentadas como atuais, e agirá judicialmente contra os seus autores, na medida em que venham a ser identificados.
Uma última nota. Muito se disse, nestas semanas, que o estado do relvado do Estádio do Marítimo não valoriza o produto do futebol português. O Marítimo, que trabalha diariamente, com meios próprios e em articulação com a Liga Portugal, para resolver um problema cujas causas aqui ficaram demonstradas, pergunta: o que desvaloriza verdadeiramente o produto? Um clube que tudo faz para resolver as condicionantes que lhe são criadas, ou um clima permanente de desinformação, guerrilha e difamação, feito de mentiras ditas em televisão e de imagens com cinco anos exibidas como atuais, sem que nada aconteça a quem as produz e difunde? A resposta parece-nos evidente.
O Club Sport Marítimo tudo fez, tudo tem feito e tudo continuará a fazer para que o relvado do Estádio do Marítimo esteja à altura da sua história e dos seus Sócios e adeptos.