Mariana Cabral frustrada: «Tive oportunidades que foram por água abaixo»
Mariana Cabral está sem trabalho e revelou que teve de recusar ofertas dos Estados Unidos, Espanha e da Arábia Saudita porque não tinha tirado um curso no qual, afirma, não consegue entrar.
«Na época passada, recebi uma proposta de um clube dos Estados Unidos para ser treinador principal, mas sem a licença Pro não posso», disse a portuguesa ao The Guardian: «Tive duas propostas em Espanha no início da época e uma na Arábia Saudita, mas todos queriam a licença Pro. São oportunidades que foram por água abaixo. É uma grande desilusão, porque é isto que eu quero fazer e foi para isto que trabalhei durante tantos anos.»
Depois de três épocas e meia na equipa principal do Sporting, Cabral foi adjunta nos Utah Royals, e reclama de mais oportunidades para as mulheres nestes cursos da UEFA.
«A pergunta que é sempre feita é: 'Porque é que não há mais mulheres treinadoras? Bem, porque elas tentam e não conseguem'. É muito difícil quando se chega às distinções de treinador mais elevadas, não apenas a Pro, mas também a licença A. A Pro é a pior, porque há muito poucas vagas nos cursos», diz Cabral.
A açoriana afirma que, em alguns casos, as vagas distribuídas dão prioridade aos homens. E para além das poucas vagas, os custos também têm de ser tidos em conta, já que podem chegar aos 15 mil euros.
«Há dez anos, ou mesmo há cinco anos, talvez essas vagas na licença Pro fossem suficientes para dar resposta à procura do futebol masculino, mas o crescimento do futebol feminino significa que agora temos muito mais treinadores do lado feminino, mulheres e homens, mas continuamos a ter um número semelhante de vagas.»
Cabral teve a oportunidade de continuar nos Utah Royals este ano, mas disse que «pediu para sair», de modo a conseguir tirar a tão desejada licença Pro, que diz ser o seu «maior objetivo».
«Não consegui entrar no curso em Portugal e tentei no País de Gales e não consegui. É preciso pelo menos um ano para obter a licença Pro. Senti que se ficasse aqui estaria confortável, mas ficaria exatamente no mesmo sítio. Quero crescer e se quero ser uma melhor treinadora e ter novas experiências, precisava de sair», explicou.
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