Madeirenses pressionaram, mas saíram… pressionados (crónica)
Liberto de pressão com a permanência já assegurada na jornada anterior, o Santa Clara entrou no São Miguel com o objetivo de deixar boa imagem, como transmitiu Petit no lançamento do encontro, e festejá-la com os seus adeptos. Missão cumprida e com o treinador a mostrar confiança nos jogadores que lidera, promovendo três estreias na Liga.
O propósito do Nacional estava fixado na conquista de, pelo menos, um ponto, que garantia a manutenção sem depender dos resultados de terceiros. Um desígnio que não foi conquistado e que coloca os madeirenses a terem de fazer pela vida na última jornada, na receção ao Vitória de Guimarães.
Num clássico das ilhas aberto, houve vontade e oportunidades nas duas balizas. Com pressão alta, o Nacional obrigou o Santa Clara ao erro e foi mais perigoso no início, precisamente quando apertou a saída dos açorianos e em duas bolas perdidas esteve perto de marcar. Primeiro quando Witi roubou-a a Andrey em zona frontal, com o tiro a sair ligeiramente por cima da baliza defendida por João Afonso. Quase de seguida foi Jesús Ramírez, que atirou para defesa apertada do jovem guardião de 19 anos, em estreia absoluta na Liga e que soube que ia ser titular na segunda-feira, quando Petit lhe perguntou se estava “todo cagado”: Não, não estou, mister”, respondeu João Afonso. E não estava.
Depois do susto os açorianos acertaram, libertaram-se do aperto e foram perigosos. Djé Tavares isolou Klismahn, que marcou, mas o golo seria anulado por posição irregular e já sem Gonçalo Paciência em campo (o avançado desperdiçou aos 14’ e saiu lesionado aos 22’), o Santa Clara adiantou-se com um golo de Witi (a meias com Pedro Pacheco) na própria baliza, desviando de cabeça um canto de Andrey, médio que também vestiu pela primeira vez a principal camisola do clube açoriano, tal como Isaac Valença, também médio, lançado na segunda parte.
Tiago Margarido foi para descanso preocupado com a desvantagem e operou duas substituições no recomeço, com as entradas de Laabidi e Gabriel Veron. Deu profundidade à equipa, porém, os madeirenses tiveram dificuldade em ameaçar a baliza açoriana e até foi de Gabriel Silva o remate mais perigoso, antes do alerta transmitido pelo banco alvinegro, de que o Casa Pia tinha marcado em Guimarães. Soou o gongo, os madeirenses voltaram a pressionar e ganharam metros de aproximação à baliza adversária, mas correram riscos, como no 0-2, quando foram apanhados em contrapé numa transição rápida conduzida por Fernando, em vantagem numérica de 4x1, com Elias Manoel a finalizar.
Como cresceu o menino José, de apelido Tavares, e Djé no mundo do futebol. O jovem médio cabo-verdiano de 22 anos, que se estreou nesta temporada na Liga, chega ao final da competição sólido e maduro, compreendendo os momentos do jogo, tanto a nível defensivo, como ofensivo. Com visão, isolou de forma primorosa Klismahn aos 13’, que terminou em golo, mas que seria anulado por posição irregular.
As notas dos jogadores do Santa Clara (4x3x3): João Afonso (7), Diogo Calila (6), Sidney Lima (6), Pedro Pacheco (6), Paulo Victor (5), Djé Tavares (7), Andrey (6) Klismahn (5), Gabriel Silva (5), Gonçalo Paciência (5), Welinton Torrão (6), Elias Manoel (6), Darlan Mendes (5), Isaac Valença (5), Fernando (5) e Vinícius Lopes (-)
Numa equipa com pouco destaque individual, o extremo foi o mais inconformado na luta contra o resultado. O extremo nunca baixou os braços e procurou puxar a sua equipa, travando um duelo interessante com Diogo Calila, que esteve mais contido no apoio ao ataque, para não perder o brasileiro de vista. Se houve velocidade no ataque dos madeirenses, deveu-se a Paulinho Bóia, sempre ativo até ao final do encontro.
As notas dos jogadores do Nacional (4x2x3x1): Kaique (5), João Aurélio (5), Léo Santos (5), Chico Gonçalves (5), José Gomes (5), Filipe Soares (6), Matheus Dias (5), Witi (5), Daniel Júnior (6), Paulinho Bóia (6), Jesús Ramírez (5), Laabidi (5), Gabriel Veron (4), Alan Nuñez (4), Lucas João (-) e Martim Watts (-)
Petit, treinador do Santa Clara
«É uma vitória justa. Fizemos algumas alterações, umas por lesão, outra por castigo e outras por mérito dos jogadores, porque não damos prendas. Na 1.ª parte temos várias situações em que podíamos ter definido dentro da área e ter feito mais golos. Na 2.ª parte baixamos um bocadinho, refrescamos e fomos metendo gente na frente que poderia matar o jogo, o Nacional mais no nosso meio-campo defensivo, mas sem criar muitas situações e sabíamos que se tivéssemos uma bola podíamos sair rápido e matar o jogo, e foi o que aconteceu.»
Tiago Margarido, treinador do Nacional
«Estou insatisfeito, não era o resultado que queríamos. A verdade é que na 1.ª parte não fomos agressivos, não fomos uma equipa intensa e não fomos à procura do resultado que precisávamos e o Santa Clara foi superior nesse período e chega ao intervalo com vantagem justa. Na 2.ª parte já nos reencontramos, fomos agressivos e mais rápidos a circular a bola, mas infelizmente não foi suficiente. Tentámos arriscar de todas as formas e quando já estávamos desposicionados na busca do empate, sofremos o segundo golo contra a corrente do jogo, porque na 2.ª parte fomos superiores.»