Luís Magalhães com a quinta Taça Hugo dos Santos que conquistou, segunda pelo Sporting        Fotografia FPB
Luís Magalhães com a quinta Taça Hugo dos Santos que conquistou, segunda pelo Sporting Fotografia FPB

Luís Magalhães: «Vamos de milagre em milagre. É extraordinário»

Treinador do Sporting conta como foi construir uma equipa tendo um orçamento mais curto que alguns dos rivais e na qual apenas pode ter cinco estrangeiros, mas onde todos dão tudo e por isso, depois da Taça de Portugal, ganhou agora a Taça Hugo dos Santos

Já um pouco recuperado da voz, mas não muito, pois foram algumas as ocasiões em que quase lhe faltou a fala – razão pela qual, após ganhar a 37.ª Taça Hugo dos Santos não conseguia dar a entrevista para a televisão –, Luís Magalhães conversou um pouco com A BOLA sobre a última conquista dos leões, na finalíssima contra o Benfica (77-79).

A segunda na época depois da Taça de Portugal, mas que parecia quase impossível devido à quantidade de perdas de bola cometidos. O experiente técnico contou sobre as dificuldades na partida, da construção do plantel face a alguns rivais, da saída de uma das peças em que apostara, assim como não ter delírios, aos 68 anos, de chegar ao nível do andebol do Sporting porque as modalidades têm realidades europeias e mundiais, e orçamentos, diferentes, mas que está confiante para o play-off da Liga, apesar das suas baterias já não recarregarem tão rapidamente como antes.

Também estou um bocado admirado com a prestação da equipa. Não pensava consegui-lo em tão pouco tempo, porque é uma equipa praticamente toda nova [ficaram dois basquetebolistas de 2024/25], com jogadores ainda sem muita experiência, que estão no primeiro ou segundo ano desde que saíram da universidade, nomeadamente os americanos.

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— O Sporting venceu pela terceira vez, em cinco edições, a Taça Hugo dos Santos. A segunda consigo como treinador [2021/22, 2025/26], que tem agora cinco. Como é que se consegue ganhar uma final com a equipa a cometer 20 turnovers?
— Isso também gostava de perceber... Para ser sincero, também estou um bocado admirado com a prestação da equipa. Não pensava consegui-lo em tão pouco tempo, porque é uma equipa praticamente toda nova [ficaram dois basquetebolistas de 2024/25], com jogadores ainda sem muita experiência, que estão no primeiro ou segundo ano desde que saíram da universidade, nomeadamente os americanos. Mas a verdade é que já conseguem, em termos defensivos, levar a cabo estratégias com mais do que uma nuance. E fazer quase na perfeição coisas que em outras equipas normalmente demoram mais tempo a consegui-lo.

Outro aspeto também fundamental é a minha equipa técnica. Não é só por ser a minha, mas pelos currículos e desempenho das pessoas, provavelmente, a minha equipa técnica é a melhor de todas.

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Os jogadores têm feito um esforço. Tem sido um espetáculo. Quase que é preciso mandá-los embora, porque há outras modalidades a treinar a seguir [no pavilhão], e eles querem sempre continuar a lançar e a treinar mais. Portanto, é a dedicação de toda a gente. Outro aspeto também fundamental é a minha equipa técnica. Não é só por ser a minha, mas pelos currículos e desempenho das pessoas, provavelmente, a minha equipa técnica é a melhor de todas.

...pelo facto de provavelmente sermos a modalidade das principais do Sporting que tem menos recursos, possuiu um orçamento mais baixo. Repare que nem sequer conseguimos ter os seis estrangeiros que as normas da Liga permitem. Os nossos adversários directos, os chamados clubes grandes, têm sete...

— Depois de na época passada, e no princípio desta, ter referido que 2024/25 era o Ano 0 porque havia muita coisa a reestruturar de novo no basquetebol do Sporting, este está a ser um Ano 1 melhor do que esperava, afinal também já venceu a Taça de Portugal, ou é preciso ser campeão para isso?
— Claramente que sim, melhor, pelo facto de provavelmente sermos a modalidade das principais do Sporting que tem menos recursos, possuiu um orçamento mais baixo. Repare que nem sequer conseguimos ter os seis estrangeiros que as normas da Liga permitem. Os nossos adversários directos, os chamados clubes grandes, têm sete, podem sempre rodar um se houver lesões, fazer outras opções consoante o jogo, optar por um com estas características ou com outras características... Nós não temos essa possibilidade. Só nos deram a hipótese de ter cinco e com esses cinco e o empenho de toda a gente, estamos a conseguir fazer uma época muito, muito boa mesmo. É sensacional!

A equipa portuguesa que foi mais longe nas competições europeias foi o Sporting. Isso provoca também um desgaste grande, mas também nos dá algum gozo.

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— Primeiro ganhou a Taça de Portugal e agora a Taça Hugo dos Santos…
— Também eliminámos uma equipa alemã da competição europeia [Taça Europa] e ganhámos a uma italiana, vencemos formações romenas por mais de 40 pontos e por aí fora. A equipa portuguesa que foi mais longe nas competições europeias foi o Sporting. Isso provoca um desgaste grande, mas também nos dá algum gozo. Num dos grupos apurámo-nos directamente [Taça Europa] e no outro não ficámos em último, que em termos de competições europeias é sempre bom. Terminámos em terceiro. E os dois clubes que se apuraram foram os dois finalistas na prova, sendo que uma delas [Bilbao Basket] voltou a vencer a competição, o que não deixa de ser relevante. É importante saber que há várias competições e temos que estar a representar o clube ao mais alto nível, dando sempre o melhor — ir até à última – e isso, como já referi, provoca algum desgaste, mas dá algum gozo.

Há um colega lá da estrutura do Sporting que diz que a nossa equipa vai de milagre em milagre. É importante que uma pessoa da estrutura do Sporting diga isso. E o presidente reconhece que é uma surpresa para todos.

— Mas para ir mais longe, em termos de competições europeias, com este orçamento é difícil?
— É o máximo que se pode fazer. Na minha opinião, nem é o máximo, isto já foi algo extraordinário. Há um colega lá da estrutura do Sporting que diz que a nossa equipa vai de milagre em milagre. É importante que uma pessoa da estrutura do Sporting diga isso. E o presidente reconhece que é uma surpresa para todos. Lá sabe porquê, não é?

...gosto de ser curioso e por isso andei à procura e encontrei um documento que mostra os 20 maiores orçamentos das modalidades extra futebol na Europa. Em 19.º, aparecia um orçamento do andebol e os 18 primeiros e o 20.º eram de equipas de basquete.

— Quando vê o que a equipa de andebol do Sporting tem feito nas competições europeias e a nível nacional, também sonha com essa possibilidade? De jogar àquele nível em termos europeus e bater-se com quem quer que seja? É isso que ambiciona para o Sporting?
— Não, porque não tenho idade para ter sonhos que sejam irrealizáveis. E conhecemos qual é a realidade no basquetebol. Gosto de andar sempre informado. Sou curioso, gosto de ser curioso e por isso andei à procura e encontrei um documento que mostra os 20 maiores orçamentos das modalidades extra futebol na Europa. Em 19.º, aparecia um orçamento de andebol e os 18 primeiros e o 20.º eram de equipas de basquete. Nomeadamente o basquetebol joga-se em todo o mundo e em todo o lugar, e tem havido investimento ano após ano mas, provavelmente os orçamentos que existem agora na maior parte das equipas da Liga são mais baixos do que existiam há 30 ou 40 anos. Por isso, não há hipótese de haver evolução quando o investimento regride.

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