Luís Godinho

«É uma questão de tempo até acontecer uma tragédia»

Luís Godinho insurge-se contra episódios de violência contra árbitros e pede fim da impunidade

Luís Godinho fez esta segunda-feira uma publicação nas redes sociais a condenar os mais recentes atos de violência contra árbitros, pedindo a intervenção das entidades responsáveis e o fim da impunidade: «Basta, basta, basta.»

«O que aconteceu este fim de semana nos campeonatos distritais não é apenas lamentável — é vergonhoso. Revoltante. Inaceitável. Mais três árbitros agredidos. Mais três episódios de violência num espaço que deveria ser de formação, respeito e educação», começou por escrever no Instagram, numa referência aos casos registados em Lagoa, Ponte de Frielas e Vieira do Minho.

Lembrando que «não são casos isolados», mas «um padrão», o árbitro da AF Évora defendeu que «é preciso agir, punir e proteger», perante a sucessão de casos de «agressões, ameaças e comportamentos selvagens», e lembra que com a ausência de policiamento cresce a impunidade e que, por consequência, «normaliza-se a violência».

«Hoje foi um árbitro. Amanhã pode ser um jogador. Um treinador. Um adepto. Ou pior… uma criança. Se nada mudar, é apenas uma questão de tempo até acontecer uma tragédia», sublinhou, apontando o dedo a «quem podia — e devia — ter feito mais».

Mensagem na íntegra:

Um silêncio ensurdecedor

O que aconteceu este fim de semana nos campeonatos distritais não é apenas lamentável — é vergonhoso. Revoltante. Inaceitável.

Mais três árbitros agredidos. Mais três episódios de violência num espaço que deveria ser de formação, respeito e educação.

• Em Lagoa, um jogador agride o árbitro com um murro.
• Em Ponte de Frielas, num jogo de sub-11, um treinador agride um árbitro com uma cabeçada.
• Em Vieira do Minho, um adepto invade e agride o árbitro.

Isto não são casos isolados. Isto é um padrão.

Fim de semana após fim de semana, repetem-se agressões, ameaças e comportamentos selvagens nos campos portugueses.

É preciso agir. É preciso punir. É preciso proteger.

A ausência de policiamento, especialmente no futebol de formação, está a criar um terreno perigoso:
• Sem autoridade → cresce a impunidade
• Com impunidade → repete-se o comportamento
• Com repetição → normaliza-se a violência

E é aqui que tudo se torna ainda mais grave: Estamos a NORMALIZAR a violência no desporto.

Hoje foi um árbitro. Amanhã pode ser um jogador. Um treinador. Um adepto. Ou pior… uma criança.

Se nada mudar, é apenas uma questão de tempo até acontecer uma tragédia.

E nesse dia, não haverá palavras suficientes. Nem desculpas que apaguem a responsabilidade de quem podia — e devia — ter feito mais.

O futebol português merece melhor. Os seus agentes merecem respeito. E as nossas crianças merecem crescer num ambiente onde o desporto ensine valores — não violência.

BASTA, BASTA, BASTA!