Abubakari marcou o golo solitário do Torreense (Foto Liga Portugal)
Abubakari marcou o golo solitário do Torreense (Foto Liga Portugal)

Liga 2: no baile de debutantes, guarda-redes do Torreense fez a festa final

Olmeta esteve pela primeira vez entre os principais do Torreense e segurou a vitória frente ao Amarante com uma defesa fantástica no último lance; estreia aziaga para Renato Coimbra no Amarante

Último minuto do tempo de compensação, derradeiro fôlego da partida. Livre em zona privilegiada para o Amarante e os adeptos do Torreense sustêm a respiração. A celebração da vitória histórica na Taça de Portugal já faz parte da memória coletiva, mas repousa agora no baú das boas recordações. As bancadas do Estádio Manuel Marques querem nova festa, jejum caseiro que dura há mais de cinco meses.

O amarantino Rúben Alves parte para a bola; o remate sai puxado e desenha um arco perfeito, com o esférico a parecer encaminhar-se sem desvios para o fundo das redes da turma do Oeste, que mudou muito depois da jornada europeia diante do Ferencvaros. Num ápice, emerge uma figura quase mastodôntica a trancar o destino do lance. Era Olmeta, 21 anos, guarda-redes em noite de estreia na equipa principal com as cores azul-grená.

Consumava-se o regresso aos triunfos caseiros, selado pelo talento do jovem francês. O duelo acabou por ser um curioso baile de debutantes: no banco forasteiro reaparecia Renato Coimbra, regressado à equipa apadrinhada por São Gonçalo, enquanto entre os postes locais o gaulês cumpria os primeiros minutos oficiais pelo conjunto de Luís Tralhão.

Foi a assinatura final de Olmeta no livro de ponto, embora o carimbo de qualidade já estivesse gravado desde o primeiro tempo — como na saída arrojada aos pés de Simão Silva (37’). E como nas noites em que até o vento sopra de feição, pouco antes do intervalo (45’+1) o guardião já tinha visto o disparo venenoso de Arome embater no ferro. Semana de sonho para o jovem prodígio, recentemente convocado para os sub-21 da requintada seleção francesa. Para quem compete na Liga 2… nada mau. Já os restantes guardiões às ordens de Tralhão arriscam-se a ficar em maus lençóis.

Este foi o epílogo dramático de um triunfo começado a desenhar logo ao nono minuto. Numa desatenção capital, Diogo Costa traiu uma regra elementar dos ensinada nas escolinhas: nunca atrasar para o corredor central. O passe diagonal deixou a bola à mercê de Abubakari, que desfeiteou Didi sem complicação para selar o único golo da noite.

Respira com mais alívio o Torreense, enquanto o Amarante deixa pistas promissoras na bagagem, mas terá de melhorar na agressividade, sobretudo na atacante, defeito que pode ser fatal para quem procura galgar terreno numa Liga 2 muito competitiva, física e desgastante.

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