De regresso ao Lusitânia de Lourosa, Mika Borges continua a ser feliz, com golos e a assistências — Foto: Lusitânia de Lourosa
De regresso ao Lusitânia de Lourosa, Mika Borges continua a ser feliz, com golos e a assistências — Foto: Lusitânia de Lourosa

Borges... Mika? A área está em perigo — pode ou não ser-se feliz no mesmo clube?

Extremo do Lusitânia de Lourosa regressou esta época aos aveirenses e continua a escrever páginas douradas na história dos leões. Carraça já dá 'mordidelas' em Tondela. Volnei lidera retaguarda em Torres Vedras. Hugo Nunes vai colecionando livros em Coimbra

Nunca se deve voltar onde já se foi feliz? Há quem não concorde absolutamente nada com essa tese. É o caso de Mika Borges. O extremo, natural de Trás-os-Montes — fez a maior parte da formação no Chaves, processo que contemplou ainda passagens por Casa Pia e Benfica — já tinha vestido a camisola do Lusitânia de Lourosa entre 2022 e 2024 e voltou esta época a uma casa que tão bem conhece.

No referido período, o veloz avançado viveu uma das melhores fases da carreira, contabilizando, em duas temporadas nos aveirenses, 63 jogos, 19 golos e seis assistências. Para trás tinham ficado várias outras experiências, casos de Real, Fafe, Chaves, Salgueiros e Varzim B. E depois de deixar os lusitanistas decidiu emigrar pela primeira vez na carreira, rumando ao Chipre, onde, em dois anos, vestiu as camisolas de Omonia Aradippou, primeiro, e de Nea Salamis, depois. Teve sucesso nessas aventuras (veio de lá com mais 56 jogos, nove tentos e sete passes certeiros no currículo, assim como um título de campeão nacional do segundo escalão do futebol daquele país), mas viu nova janela de oportunidade a abrir-se para regressar a território lusitano e não hesitou: o chamamento do Lourosa não deixou margem para outra resposta que não o... sim.

Em boa hora, terá pensado Ricardo Silva. Afinal, o treinador do conjunto de Lourosa ganhou, nesse momento, mais uma opção de peso para o setor ofensivo. E não apenas para uma posição. Porque Mika Borges pode ser apelidado de vagabundo. É certo que é a partir dos corredores que se sente como peixe na água, porque nesses momentos consegue potenciar um o binómio velocidade/técnica para partir para cima dos defensores contrários e causar o pânico em zonas mais próximas da baliza, mas o camisola 7 também tem a astúcia necessária para alinhar em posições interiores, como por exemplo nas costas de um ponta de lança ou até mesmo como segundo avançado. Tudo depende da estratégia implementada para cada jogo.

E se o Borges... Mika: perigo na área. O sentido posicional e a inteligência com que se movimenta sem bola dão ao transmontano a tal faceta de goleador e, como tal, é sem surpresa que já leva três tentos apontados nos cinco jogos que realizou na presente temporada. Aos 29 anos, está em plena fase de maturação, sinal de que continua a dar asas à criatividade que possui sem com isso colocar em causa os equilíbrios do coletivo. E como abnegação também faz parte do seu Cartão de Cidadão, Mika Borges nunca se nega ao processo defensivo, acompanhando os laterais contrários sempre que a tendência dos encontros o obriga.

O Lusitânia de Lourosa está bem e recomenda-se, Mika Borges é um dos (vários) culpados do sucesso.

CARRAÇA JÁ 'MORDE'

Outro regresso ao passado. Carraça havia passado pelo Tondela na época 2014/25 e voltou, este ano, aos auriverdes. Aos 33 anos está mais seco do que nunca e à imensa experiência que possui junta também a polivalência.

Ricardo Costa ganhou uma opção de extrema relevância para uma caminhada que os auriverdes desejam que tenha vistas... para a subida de divisão. Com nove jogos realizados (um golo e duas assistências), Carraça é lateral-direito batido a defender e não pede licença para acelerar pelo flanco. E também pode jogar (e bem!) no meio-campo. Tem polivalência no nome.

'XERIFE' DE BOM PRINCÍPIO

O título não é ao acaso: Volnei Feltes é natural de Bom Princípio, município brasileiro do estado do Rio Grande do Sul. E é, literalmente, com todos os bons princípios que o defesa-central comanda o eixo da retaguarda do Torreense.

O xerife, atualmente com 26 anos de idade, voltou esta época ao futebol português, onde já tinha vestido as camisolas de Estoril e UD Oliveirense, e em boa hora o emblema do Oeste o resgatou aos gregos do Panserraikos. Porque Volnei é intenso nos duelos individuais, forte no jogo aéreo e tem o dom da liderança. E até já marcou um golaço na UEFA Europa League...

LIVROS PARA ESTUDAR EM COIMBRA

Hugo Nunes é um dos bons médios que a Académica tem nos seus quadros. O setubalense — fez formação no Vitória, mas também no Benfica, no Cova da Piedade e no Amora — chegou esta época a Coimbra e, não sendo um indiscutível (a concorrência é forte), já leva oito jogos, com um golo marcado e uma assistência realizada.

Jogador de equilíbrios, Hugo Nunes, de 24 anos, tem uma leitura de jogo acima da média, o que lhe permite antecipar muitas vezes as intenções dos adversários e recuperar a posse, ao que acumula a qualidade de passe para o início da construção.

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