Borja festeja o 1-0 com Froholdt. Foto Rogério Ferreira/Kapta+
Borja festeja o 1-0 com Froholdt. Foto Rogério Ferreira/Kapta+

Laterais direitos desbloquearam a maior dificuldade da Liga até ao momento (crónica)

O FC Porto venceu um jogo sofrido, de alta qualidade futebolística, elevadíssima dificuldade e com bons golos. Alberto Costa, primeiro, e Martim Fernandes, no final, resolveram o assunto para a 11.ª vitória

Um jogo intenso, ritmado, jogado com adversários a olharem-se nos olhos e que justificou cada euro gasto por quem comprou bilhete ou assina pacotes de televisão por cabo. No final venceu o FC Porto, que soma assim a 11.ª vitória em 11 jogos da Liga e sai de Guimarães com a absoluta consciência de que se terá tratado do problema mais bicudo com que se deparou até ao momento no campeonato.

Percebeu-se cedo que teríamos Vitória a disputar palmo a palmo os metros quadrados do jogo. A pressão foi desde logo alta e aos dois minutos já Jakupovic tinha, inclusivamente, ensaiado um remate, ainda que sem grande perigo.

O FC Porto assumiu o papel de líder e campeão e tentou, claro, ter mais a bola. Com dificuldades em penetrar na área vimaranense, foi tentado de longe, e tanto Borja como Pepê poderiam ter sido felizes no primeiro quarto de hora. Foi então havendo mais Porto, mas com o Vitória sempre a pressionar em cima e a ensaiar aproximações ofensivas.

Uma defesa em linha, subida e muito disciplinada, permitiu aos donos da casa colocarem consecutivamente em fora de jogo os atacantes azuis e brancos. A estratégia funcionava, mas contém sempre um dose elevada de risco. O FC Porto percebeu que deveria colocar pelo menos mais um homem a atrapalhar essa linha defensiva, e ele foi quase sempre Gabri Veiga. Quanto mais opções de passe, maior a probabilidade de um dos jogadores não ser apanhado em posição irregular. Acabou, porém, por ser o primeiro lateral direito da noite, Alberto Costa, a encontrar o caminho do golo. Excelente passe de Bednarek, na profundidade, o ex-vimaranense a fugir, partindo de posição perfeitamente legal, e cruzamento perfeito para o encosto de Borja Sainz aos 38 minutos.

Estava na cara que uma falha naquela linha poderia resultar na vantagem portista, pelo que, mau-grado a excelente oposição vimaranense, dificilmente se pudesse contestar a justeza do 1-0 com que se saiu para intervalo.

O Vitória regressou ao relvado ainda mais subido e, afoitamente, libertando mais o seu lateral direito (foi a noite deles), Strata. Assumiu a busca pelo empate, aproximou-se do eternamente seguro Diogo Costa, fez abanar a barra num grande remate de Sidibe aos 56 minutos.

Farioli percebeu que teria de mexer, ele que sabe como poucos defender vantagens, e não hesitou em aplicar três substituições de uma vez (seriam sete, por razões que se explicam pelos protocolos de concussão esmiuçados aqui). Martim Fernandes entrou para a ala direita (ainda como extremo) e Pepê passou para a esquerda. Varela rendeu Rosario no meio sem se notarem diferenças e André Silva foi para o lugar de Samu.

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A entrada do avançado português deu ao FC Porto maior paciência e transporte de bola nos momentos ofensivos, mas o Vitória nunca desarmou e acabou por empatar num bom golo de Alanzinho, entretanto também colocado em campo por Tiago Margarido.

Aos 78 minutos Alberto deu lugar a Gimenez e Martim Fernandes baixou para a sua posição natural de lateral. Com o jogo sempre em regime de tu cá-tu lá, aos 86 Pepê aproveitou um contra-ataque, deu um um salto à direita de onde tinha vindo, desmarcou Martim e este aplicou um remate indefensável que resolveu tudo. Podia ter caído para qualquer dos lados, e o mais correto até teria sido o empate. Mas também sabemos bem que é nestes jogos que se forjam os verdadeiros campeões.

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