Kickboxer Nuno Mendes quer «devolver o respeito» ao Vitória de Guimarães
Depois de Belmiro Pinto dos Santos, Nuno Mendes foi o segundo nome a ser falado, como um possível candidato à sucessão a António Miguel Cardoso na presidência do Vitória de Guimarães. O atual dirigente anunciou, na terça-feira, que se demite e não voltará a concorrer ao cargo.
Nuno Mendes, sócio 8.539 dos conquistadores, falou com A BOLA, explicando que a oficialização da candidatura está à distância de duas reuniões. «Há uma probabilidade fortíssima de me candidatar, de 99,9%. Tenho duas reuniões decisivas nos próximos dias: uma com um parceiro estratégico e outra com um dos meus vices. Depois disso, sim, poderei assumir a minha candidatura», perspetivou o atleta de kickboxing.
O parceiro estratégico a que aí o associado vitoriano se referia é o segundo, porque o primeiro já está garantido: «A parte mais difícil já consegui, o apoio de um enorme e reconhecido investidor [cujo nome Nuno Mendes não quis ainda revelar].»
Apesar de atualmente ser diretor de segurança do Santa Clara, Nuno Mendes sublinhou que deixará de exercer funções nos açorianos, caso se venha a confirmar a candidatura à presidência dos vitorianos. O campeão mundial de kickboxing pretende concentrar-se no projeto Vitória: «Há uma logística que tem de preparada com a lucidez e transparência que todos os associados merecem e lhes é devida.»
«Há uma vontade muito forte de querer ajudar o Vitória, de querer mudar as coisas e de voltar a pôr o clube no lugar onde merece estar. Devolver ao Vitória o respeito que teve durante muito tempo e deixou de ter há alguns anos», salienta.
Quando questionado sobre as prioridades, Nuno Mendes foi pronto em responder que, antes de tudo, pretende focar-se em «resolver a situação financeira atual do clube». Paralelamente, o atleta, de 40 anos, quer «potencializar as camadas jovens e futuros ativos na equipa principal». O campeão mundial de kickboxing, que deu vários títulos ao museu dos conquistadores, referiu ainda a urgência de «subir o nível nas modalidades, em termos de competitividade».
Apesar de admitir que a atual direção «fez coisas bem, como a aposta nos jovens na equipa principal e potencializá-los», Nuno Mendes acha que «foram mais os pontos negativos» do que positivos.
«Há contradições por explicar, como, por exemplo, em transferências de jogadores (...) Na parte do marketing, também há aspetos em que se podia fazer muito melhor e não fez, porque o Vitória não é um produto de marca branca, é um produto oficial e não se soube aproveitar essa parte», apontou.
O vimaranense já era para ter sido candidato no sufrágio de 2025 contra António Miguel Cardoso. «Infelizmente, tive um problema muito grave de saúde e não tive condições para o fazer (…) Já tenho um projeto montado e uma base construída para avançar, desde o final de 2024.»
Não há poeira que assente num castelo em défice
António Miguel Cardoso lançou a bomba na terça-feira, com a demissão e anúncio de que não irá concorrer ao cargo nas próximas eleições. Em Guimarães, não se deixou sequer a poeira assentar. No próprio dia, Belmiro Pinto dos Santos, antigo presidente da Assembleia Geral do clube, fez saber que está a acelerar a sua candidatura. Depois, foi Nuno Mendes a dizer que está muito perto de avançar. Agora, sabe-se que Júlio Vieira de Castro também está a ponderar. Recorde-se que este último nome fora já candidato nas eleições de 2018, em que perdera para Júlio Mendes, por apenas 342 votos.
Ontem, em entrevista ao Grupo Santiago, o presidente do Conselho Fiscal do Vitória admitiu que «a situação financeira e económica da SAD é muito sensível», adiantando que «há um défice grande que fez disparar o passivo». «Tem que haver uma responsabilidade muito grande de quem pretende ser candidato (…) da dimensão da situação económico-financeira do Vitória», apelou Dinis Monteiro.