Jogo 'à candidato' do Man. City dá vitória frente ao desastrado United (crónica)
O Manchester City continua a ser candidato, o Manchester United parece estar perdido. O jogo grande da 4.ª jornada da Premier League terminou com uma vitória dos citizens em casa dos rivais, por 1-0.
O início morno em Old Trafford, com os skyblues a chegarem-se mais à frente, mas sem conseguirem criar real perigo, deu lugar a um momento escaldante ao minuto 23. Bruno Fernandes fez falta sobre Phil Foden, pontapeou o adversário na sequência do lance e este reagiu, acertando com a sola da chuteira na zona abdominal do internacional português. Michael Oliver não teve dúvidas: tirou o vermelho e mostrou-o ao inglês.
Com menos um em campo, o Man. United teve um crescimento natural. Mas há que destacar a prestação defensiva do Manchester City, que, de forma compacta, foi aliviando uma, e outra, e outra tentativa dos red devils de tentarem colocar a bola na área, muito através de cruzamentos e com pouco jogo interior. Foi preciso, aliás, chegarmos ao minuto 45 para termos uma verdadeira ocasião de perigo, num livre de Rashford que bateu no poste.
O extremo inglês, que se tem mostrado com uma nova cara neste regresso a Old Trafford, não se mostrou a grande nível neste encontro, muito graças à prestação de Matheus Nunes na lateral direita. O internacional português impediu uma e outra e outra vez que os passes de lado a lado chegassem ao veloz avançado, travou batalhas várias no 1 contra 1 e raramente lhe deu espaço. Apesar disso, com mais um em campo, o Manchester United conseguiu finalmente criar perigo no segundo tempo e, até à hora de jogo, pressionou os citizens, com Mainoo também a acertar no ferro.
Golo derrubou o castelo de cartas
Esperava-se que, mesmo perante a muralha erguida pelos visitantes, o Manchester United, desorganizado mas insistente no ataque, conseguisse chegar ao golo. O golo surgiu... para o City. Gvardiol cruzou, Enzo Fernández mergulhou mas não tocou na bola e esta alcançou Haaland, que, ao segundo poste, fez o único golo da partida.
Foi depois do 1-0 que o United mostrou a pior face. Desorganizado, descompensado, com muitas falhas nas marcações, nos passes e no momento de decidir no último terço. Os momentos que se sucederam ao remate certeiro de Haaland foram de relativa tranquilidade dos comandados de Maresca, que seguraram a bola, ganharam metros e até conseguiram, através de um remate de Enzo Fernández — também ele fez uma exibição de encher o olho — que Lammens defendeu para o poste.
Foi preciso chegar aos 90'+5 para, a partir do génio de Bruno Fernandes, a bola chegar a Mbeumo na área. Mas até aí apareceu outra figura de equipa grande, Donnarumma, que defendeu o remate do camaronês. Estava fixado o 1-0, um resultado justo perante a capacidade de gestão do jogo do Manchester City.
Carrick, tal como já havia acontecido noutras partidas, revelou-se incapaz de mudar a equipa com impacto positivo. O United mostrou-se à deriva, sobretudo quando ficou em desvantagem, e, mesmo tendo colocado duas bolas nos ferros, podia e devia ter conseguido muito mais. Por seu turno, o Manchester City não tremeu com a expulsão, soube estar sem bola, foi acutilante no momento do golo e revelou uma grande maturidade para aguentar a vantagem. Se, como se diz na gíria, defesas ganham campeonatos, esta equipa mostrou-se candidata.